Climáximo apoia a campanha #frinão “Barragem em Fridão, Não!” dos Rios Livres

Portugal precisa dum mix energético sustentável que resulta duma transição energética justa. A campanha Empregos para o Clima mostra o caminho certo para esta transição. Em concreto, devemos fazer três coisas nos próximos anos: reduzir o consumo racionalizando a produção e a distribuição (por exemplo, com transportes coletivos), eletrificar o setor energético, e investir em energias renováveis. Assim, em 15 anos, podemos alcançar as metas necessárias para limitar o aquecimento global a 2ºC e criar centenas de milhares de empregos dignos.

O resultado desta transição na produção energética tem três componentes essenciais: 1) fechar as infraestruturas de combustíveis fósseis numa transição justa, 2) investir em energia solar, 3) investir em energia eólica no mar. As contas da campanha mostram que um mix energético sustentável implica termos menos energia hídrica do que hoje.

Isto tem várias razões:

Em primeiro lugar, grandes barragens são fontes “renováveis” de emissões de metano: no fundo dos reservatórios, as bactérias decompõem a matéria orgânica, como árvores ou relva já presentes na zona ou que são trazidas pela corrente.

Em segundo lugar, Portugal encontra-se num hotspot de aquecimento global, bem como toda a região mediterrânica. O aumento das temperaturas, das ondas de calor e das secas será muito mais intenso nesta região quando comparado com as médias a nível mundial. Preservar os ciclos hídricos e os ecossistemas que os mantêm é essencial para a adaptação às alterações climáticas. Entre vários outros fatores, os sedimentos que os rios transportam ajudam a travar a erosão costeira, o que só vai piorar com o agravar da crise climática e da subida do nível médio dos oceanos. A lógica de barragens grandes cria um mecanismo de retroalimentação em que os rios bloqueados produzem metano, o que aumenta a temperatura, e isto por sua vez reduz a quantidade de água nos rios e cria, portanto, uma necessidade de produzir mais e mais barragens para produzir a mesma quantidade de energia.

Finalmente, o projeto da barragem do Fridão, em particular, não toma em conta nenhuma destas questões porque foi criado para produzir lucro e não para produzir energia para as pessoas: a EDP pretende garantias pelo contrato da barragem (mesmo que seja desnecessária ou não exista água dentro dela).

Uma parte importante da luta pela justiça climática implica desmascarar a lavagem verde do governo e da EDP e ainda apostar na democracia energética.

O Climáximo apoia a campanha #frinão “Barragem em Fridão, Não!“.

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