A rebelião chegou e não pediu licença

Desde os 10 atos de Rebelião em Portugal, à disrupção que deixou a polícia londrina sem espaço para novas detenções, a Semana da Rebelião não pôde deixar ninguém indiferente. Digam a verdade, parem de ignorar a emergência climática em que vivemos. Ajam agora, para reduzir drasticamente as emissões de gases de efeitos de estufa através de uma mobilização massiva de emergência climática e uma transição justa. Politicamente, conduzir todo o processo via democracia participativa. São estas as 3 reivindicações aos governos do Extinction Rebellion, que fez com que milhares saíssem à rua por todo o mundo na Semana da Rebelião. Imensas ações, baseadas nos 10 princípios do movimento: deixar um mundo para as gerações futuras, mobilizar uma massa crítica da população para alcançar a mudança de sistema, operar com uma cultura regenerativa, sair da zona de conforto e passar à ação, seguir um ciclo de reflexão e aprendizagem, acolher todos, diluir as hierarquias existentes na sociedade, não culpar ninguém individualmente, não recorrer à violência e reger-se pela autonomia e descentralização.

Por Portugal, a desobediência civil fez-se presente; aparições surpresa em diretos televisivos, bloqueio de entradas de instalações e mortes coreografadas foram das tácticas escolhidas para causar impacto. Os alvos incluíram o omnipresente plástico, a comunicação social que teima em fechar os olhos à catástrofe ambiental, um aeroporto anunciado para fazer aterrar mais poluição e uma refinaria que teima em não se reformar.

As ocupações de zonas chave e as detenções em massa foram a regra em Londres, mas a semana da rebelião chegou bem longe. A semana contou com traduções para hindi de discursos da Greta Thunberg, photobombs em estátuas de Tóquio, ativistas disfarçados de vacas a verter leite azedo sobre os degraus do parlamento Neozelandês, pedras com símbolo do Extinction Rebellion a aparecer misteriosamente num centro de negócios na Austrália, caos lançado em Bruxelas de volta da Comissão Europeia com obstruções ao trânsito e a chuva não impediu um funeral fictício às portas de um centro comercial em Dublin. Como não podia deixar de ser, o receio da reação das autoridades impôs timidez a manifestantes, cidadãos Colombianos e Ganeses viram-se forçados a focar-se em marchas e protestos.

A Semana da Rebelião foi uma semana de uma luta que ainda promete ser longa. Para já, o futuro deste movimento permanece uma incógnita, mas a luta pela justiça climática tem a agenda preenchida. Para breve segue-se uma nova Greve Climática Estudantil no dia 24 de Maio, o Ende Gelände na Alemanha volta à ação em Junho e por cá em Portugal, na Bajouca, o Camp in Gás estreia o conceito de acampamento climático no mês de Julho. E isto é só este ano, o melhor ainda está para vir, pois em 2020 Viramos a Maré.

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