Posição do Climáximo sobre a exploração de lítio em território nacional

O Climáximo vem deste modo posicionar-se contra o aumento da exploração de lítio (e outros minérios) em Portugal. Manifestamos também solidariedade com as populações e os movimentos que combatem esta ameaça que paira sobre todas e todos nós! A verdadeira transição (não só energética, como económica, política e social) que deve acontecer na próxima década, de modo a mantermos um planeta habitável, não pode ser feita repetindo os erros do passado. Não é prosseguindo a mesma lógica extrativista [1] e capitalista que nos conduziu à actual crise climática que conseguiremos resolver essa mesma crise.

Reconhecemos que em Portugal não estão reunidas as condições mínimas que seriam necessárias para que esta exploração pudesse ser feita de forma justa e sustentável e sem agravar ainda mais o cenário de degradação ambiental em que grande parte do interior do país se encontra já. Isto porque:

Não está prevista uma gestão pública e socialmente responsável de todo o processo [2].

– O impacto ambiental da exploração de lítio poria em causa as metas de descarbonização com que Portugal se comprometeu para as próximas décadas [3].

–  Não existem garantias de que a vontade das populações locais vai ser respeitada, nem que os habitats da região não vão ser afectados de forma irreparável. Em ambos os casos esse foi o padrão no passado e as consequências são ainda evidentes [4].

– Não existe um processo de avaliação de impacto ambiental desta actividade que seja transparente, fiável e independente [5].

Por estas condições não estarem reunidas, o Climáximo diz “não” à corrida ao Lítio em Portugal! Rejeitamos esta nova investida extrativista – agora convenientemente disfarçada sob as roupagens do “capitalismo verde”.

Estamos com as comunidades e do lado da proteção dos ecossistemas, que se encontram ambos na linha da frente de mais esta ameaça extrativista.


REFERÊNCIAS

[1] – http://www.climaximo.pt/glossario-de-ativismo-climatico/ (Extrativismo)

[2] – http://www.climaximo.pt/glossario-de-ativismo-climatico/ (Democracia energética)

[3] – Relatório “O Custo Ambiental do Lítio Português”, Quercus, 23/8/2019, URL: https://alertalitio.quercus.pt/estimativa-de-emissoes-de-co2-impacto-no-pnec-2030-plano-nacional-energia-clima/

[4] – Jornal MAPA, “A febre do lítio”, 6/5/2019, URL: http://www.jornalmapa.pt/2019/05/06/a-febre-do-litio/

[5] – https://www.publico.pt/2019/07/30/sociedade/noticia/so-6-decisoes-avaliacoes-impacto-ambiental-sao-desfavoraveis-1881653

3 thoughts on “Posição do Climáximo sobre a exploração de lítio em território nacional

  1. Sem lítio a vida continua mas sem água não
    Em Montalegre há albufeiras que alimentam o Norte de Portugal de electricidade e dão de beber a centenas de milhar de cidadãos – desde Chaves, Vila Pouca, Vidago, Montalegre, Braga, Barcelos, Esposende, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, norte do Porto e a extracção de lítio prevista irá poluir a água da Albufeira do Alto Rabagão e captar todos os lençóis freaticos de várias aldeias, destruindo-lhe a agricultura, única fonte de receitas e de vida
    Além disso, Barroso foi classificado de Património Agrícola Mundial
    Montalegre tem preservado o seu ecossistema nada devendo ao mundo é só lhe têm retirado as riquezas naturais sem lhe dar nada em troca
    Abaixo o poder corrupto …..

  2. Dia 21 de Setembro, juntem-se aos Movimentos Contra a Exploração, na manifestação de Lisboa, que terá início às 13h30, no Rossio!

  3. Contamos com a Climaximo na manifestação nacional contra a febre da mineração no dia 21 de setembro em Lisboa. 13h30 praça do Rossio !

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