Fórum Socialismo 2017: Exploração de Petróleo vs. Justiça Climática

Pelo convite do Bloco de Esquerda, Sinan do Climáximo participou no Fórum Socialismo 2017 como orador na sessão Exploração de Petróleo vs. Justiça Climática. Publicamos o contributo dele nesta sessão, publicado no Dossier do fórum.

A crise climática impõe-nos uma luta com um prazo: uma luta para mudar tudo nas nossas sociedades, antes de as alterações climáticas o fazerem (num outro sentido). A urgência em travar as alterações climáticas e a necessidade duma transição energética justa mostram-nos o caminho certo contra a exploração de petróleo e gás em Portugal e no mundo: transportes públicos, democracia energética, práticas sustentáveis na agricultura, empregos para o clima, paz, entre outros.

Cinco números são fundamentais para compreender o que está em causa:

97: Dos artigos publicados em revistas científicas nas últimas décadas e que fazem afirmações explícitas sobre o assunto, 97% concordam que as alterações climáticas existem e são causadas pelas atividades humanas. Já não existem discussões sobre esta matéria (exceto na televisão e nos tweets do Trump).

2: Acima dos 2ºC de aquecimento global (em comparação com níveis pré-industriais), mecanismos químicos e físicos que realimentam o aquecimento poderão dominar as dinâmicas dos sistemas terrestres. Passado este ponto, o aquecimento global pode tornar-se irreversível.

80: Para travar o aquecimento global antes de ele alcançar um ponto sem retorno, temos de limitar as emissões de gases com efeito de estufa. Isto implica deixar 80% das reservas conhecidas de combustíveis fósseis no subsolo.

0: As reservas atualmente em exploração são mais do que suficientes para nos fazer cruzar esse limiar. Por outras palavras, não pode ser iniciado nenhum novo furo ou infraestrutura de combustíveis fósseis.

Zero: Estamos a esgotar todo o “orçamento de carbono” permitido para manter o aquecimento abaixo dos 2ºC. Nos próximos 10 a 15 anos, vamos ter de mudar tudo nas nossas sociedades (da produção até à distribuição, do consumo até à gestão). Senão, o clima mudará tudo nas nossas sociedades (com secas, tempestades, fogos florestais, crises alimentares, inundações, conflitos sociais, refugiados climáticos etc.). Nesta “década zero” em que nos encontramos, vamos definir qual será o outro mundo que vamos habitar.

Leituras:

No such thing as lesser evil for climate

A base para uma transição justa: Democracia Energética

Activism: It’s better than dying

Decade Zero

Alterações climáticas e capitalismo

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