Falsas Soluções, Soluções Absurdas, o Caso da Tesla – João Reis

O capitalismo apresenta-nos a Tesla como solução para a crise climática, esta empresa não se limita a ser absurda do ponto de vista da solução que trás para a transição energética, a forma como se mantém em atividade demonstra a pior da absurdez da lógica de investimento dos mercados.

30 anos de políticas falhadas e com tudo a piorar e 10 anos para tudo mudar não deixam muitas dúvidas: a solução para a crise climática tem que passar por decisões governativas; deixar as decisões nas mãos dos mercados não se apresenta como uma solução.

No entanto, existe uma iniciativa capitalista que se tenta apresentar como a face do combate às alterações climáticas, e que incide sobre o meio de transporte de eleição de imensas pessoas, o automóvel. A Tesla, encabeçada pelo excêntrico Elon Musk, aclamado recentemente pela agência noticiosa Bloomberg como uma das caras na frente das soluções para a crise climática, é posicionada como o modelo do capitalismo verde a funcionar. Aclamando vir trocar os velhos carros alimentados a gasóleo e a gasolina por versões elétricas, com a aposta no investimento em baterias de lítio mais eficientes, pontenciadoras de voltagens mais altas e consumidoras de menos espaço do que as antigas versões. Com isto, segue a narrativa de que os carros aos quais estamos habituados deixarão de ser emissores de gases com efeito de estufa, dada a capacidade de percorrerem longas distâncias a energia eléctrica sem ter que parar para recarregamentos.

Aclamando vir  trocar os velhos carros alimentados a gasóleo e a gasolina por versões elétricas, com a aposta no investimento em baterias de lítio

Então assim seria, substituindo todos os antigos veículos poluentes com engenhos de combustão alimentados por combustíveis fósseis, por veículos similares a estes alimentados por baterias conseguiremos fazer descer drasticamente as emissões, e assim dar um passo de gigante para a redução de emissões.

É isto o que uma transição energética deverá ser?

A falha mais óbvia em toda a narrativa de uma transição para electricidade passa pelo problema enorme da produção da mesma, já que em grande medida esta é produzida a partir de combustíveis fósseis. Por exemplo, nos Estados Unidos, a maior economia do mundo, e de onde provém a Tesla, em 2018, apenas 17 por cento da energia provinha de fontes renováveis. Com isto, uma transição para baterias eléctricas apenas muda o local da combustão, do motor para a central alimentada para combustíveis fósseis.

No entanto, as falhas desta transição podem não se ficar pela mudança do local da combustão, podendo esta mudança gerar ainda mais emissões. Os automóveis geram imensas emissões, não só quando servem para transportar, mas também no seu fabrico, chegando um estudo alemão a concluir que apenas 40 por cento das emissões ocorrem quando estes circulam, sendo 56 por cento geradas antes deles chegarem às estradas, e as restantes 4 por cento depois de se tornarem sucata. A produção destes veículos elétricos chegou mesmo a ser analisada pela Union of Concerned Scientists (ver referência no fundo), e conclui que durante a fase de produção, o modelo Tesla S emite mais de cerca 68 por cento de emissões do que carros a gasolina comparáveis. Entre a necessidade de reduzir o peso do veículo com componentes de alumínio mais leves e a produção das baterias, a intensidade energética destes carros dispara na frase de produção.

Chegando um estudo alemão a concluir que apenas 40 por cento das emissões ocorrem quando estes circulam, sendo 56 por cento geradas antes deles chegarem às estradas …durante a fase de produção, o modelo Tesla S emite mais de cerca 68 por cento de emissões do que carros a gasolina comparáveis

Assim, as “Zero Emissions” publicitadas pela Tesla tornam-se falaciosas, mas a história não se fica por aqui, as dinâmicas empresariais da Tesla e do seu fundador, Elon Musk, revelam-nos mais sobre como o capitalismo falha a lidar com a crise climática.

Os curiosos dados financeiros da Tesla

Logo na partida para o ano 2020 a Tesla atingiu o marco histórico da empresa automóvel dos Estados Unidos da América mais valiosa de sempre em bolsa, totalizando um valor de perto de 85 mil milhões de dólares. O número poderia parecer de acordo com para metros de lucro, afinal, apesar de todo o greenwashing, poderia conseguir o que no final interessa para quem quer tem imenso para investir: fazer mais dinheiro. No entanto, uma comparação com empresas do mesmo ramo revelam-nos aspetos curiosos.

Observemos as marcas estabelecidas comparáveis: a General Motors a valer cerca de 50 mil milhões, e a Fiat Chrysler com um valor à volta de 22 mil milhões. Ou seja, juntas não chegam ao valor da Tesla. Será que estas valorizações em bolsa fazem sentido de acordo com as vendas? Olhando para vendas nos Estados Unidos, no ano de 2019, a Tesla vendeu 192.250 veículos, a General Motors 2.887.046 e a Fiat Chrysler 2.203.663; ou seja, apesar de valer mais do que as duas empresas combinadas em bolsa, a Tesla apenas representa presentemente 4% das vendas destas nos Estados Unidos. Obviamente que esta medida não incorpora dados como vendas fora dos Estados Unidos, o valor dos veículos vendidos, outros ramos de negócio que não a venda de veículos, e talvez o mais relevante quando se discute uma empresa recente no mercado, o que se espera das vendas no futuro. Contudo, mesmo com um mergulho mais profundo nesses números, a história mantém-se: a discrepância entre avaliações bolsistas é colossal.

Observemos as marcas estabelecidas comparáveis: a General Motors a valer cerca de 50 mil milhões, e a Fiat Chrysler com um valor à volta de 22 mil milhões. Ou seja, juntas não chegam ao valor da Tesla … apesar de valer mais do que as duas empresas combinadas em bolsa, a Tesla apenas representa presentemente 4% das vendas destas

Como se não bastasse a avaliação bolsista parecer absurda, outros dados financeiros da Tesla deixam ainda mais questões a qualquer critério de racionalidade, desafiando não só a capacidade da Tesla produzir veículos à escala da competição, mas também de sobreviver.

Tipicamente, uma startup, uma nova empresa, segue um ciclo com diversos patamares. Numa fase inicial, a capacidade produtiva está a ser instalada, as despesas são avultadas, por exemplo investindo numa fábrica, e as vendas são nulas, já que as encomendas não existem, ou a capacidade de produção não consegue dar resposta a estas, e assim as receitas são inexistentes. Neste momento inicial a empresa vive em prejuízo, dependendo de financiamento, quer via capital que os próprios donos introduziram ao início, ou via empréstimos, fazendo assim face às despesas. Mais à frente, para ser bem sucedida, a empresa necessita de conseguir essa capacidade produtiva, e que essa sirva para de facto obter produtos e vendas, e assim o dinheiro para sustentar o negócio.

A Tesla tem precisamente levantado imensas dúvidas sobre a capacidade de conseguir fazer essa transição, sendo a sua bancarrota profetizada sucessivamente ao longo dos anos, no entanto sendo capaz de se manter à tona. A grande dificuldade demonstrada tem sido não tanto em fazer vender os seus veículos, mas sim em produzi-los em grandes números de forma consistente para gerar vendas. Juntando a isto uma pilha de dívida colossal (13.3 mil milhões em Setembro de 2019), surpreendeu muitas pela capacidade de sucessivamente obter novos fluxos de dinheiro para se manter ativa. Convido assim a leitora a procurar no seu motor de busca favorito a palavra “Tesla”, acompanhada de palavras como “scam”, “bankrupt”, “debt” para encontrar inúmeros artigos sobre as dúvidas aos longo dos anos sobre a capacidade da Tesla sobreviver mais do que 12 meses. Assim, fica no ar a pergunta “como é que um negócio tão frágil se mantém a flutuar?”

A grande dificuldade demonstrada tem sido não tanto em fazer vender os seus veículos, mas sim em produzi-los em grandes números de forma consistente para gerar vendas. Juntando a isto uma pilha de dívida colossal (13.3 mil milhões em Setembro de 2019), surpreendeu muitas pela capacidade de sucessivamente obter novos fluxos de dinheiro para se manter ativa

Este artigo não procura deduzir se a Tesla irá ou não entrar em bancarrota, quando isso poderá acontecer, e se a sua carcaça será comprada pela Google ou pela Volkwagen; a Tesla até poderá eventualmente desafiar todas estas expetativas e ser bem sucedida como negócio. Procura-se sim, explorar como uma empresa pode prosperar de tal forma no mercado bolsista e absorver sucessivamente investimentos contra toda a racionalidade, enquanto se apresenta como uma máquina de sangrar dinheiro que mal tem capacidade para produzir o número de carros de que necessita. Para isso, um pequeno exercício de como um mercado pode funcionar irá clarificar o quão irracional este pode ser.

Um curto exercício para ilustrar como um mercado financeiro pode ser irracional

Vamos supor que estás numa sala com mais 99 pessoas, e é pedido a cada pessoa para escolher o um Pokémon favorito duma lista de 6, e o teu favorito é o Slowpoke. Só que este jogo ainda tem mais um detalhe: as pessoas que escolheram o Pokémon mais popular recebem 10 euros (vamos ignorar a possibilidade de um empate).

Bem, talvez seja melhor não escolheres o Slowpoke afinal, pois pode ser o teu favorito mas pode não ser o favorito de todas as pessoas. Qual vamos escolher? Bem, talvez o Charizard, imensa gente deve gostar do Charizard, assim votas neste e podes levar os 10 euros para casa.

Mas será que isso importa? E se as pessoas que gostam do Charizard não têm a mesma ideia que tu sobre qual o Pokémon favorito to público geral? E as outras? Talvez a maioria das pessoas pensam que as outras pessoas gostam do Farfetch, ou será do Muk?

Soubeste que da última vez que este concurso aconteceu quem ganhou foi quem votou no Magikarp, será que desta vez será igual? Será que as outras pessoas pensam que vai ser igual?

Quando foste à casa de banho a meio do concurso disseram-te que havia um boato de que toda a gente ia votar Metapod, será que é verdade?

Vamos supor ainda que o jogo tem uma regra diferente, os vencedores partilham 100 euros, ou seja, se fores vencedora com 49 pessoas levas 2 euros, se o fores com 99 pessoas levas 1 euro. Quais as novas dinâmicas que se abrem?

O que este concurso pode ter a ver com mercados financeiros e investimentos? Quando apostamos em comprar um ativo financeiro, para termos lucro, precisaremos que o preço deste suba, e a melhor maneira deste subir é quando outras pessoas compram o mesmo ativo, não importa o que este valha na realidade, ou se vai vender gelados ou unhas dos pés. O preço que este adquire no mercado dadas as escolhas das outras pessoas é o que ditará o sucesso ou não deste como investimento.

Este exercício não esgota todos as vias possíveis de fazer dinheiro em mercados financeiros, entre formas de investir e prazos com que se o faz; a lógica de investimentos pode ser mais complicada, mas ajuda a perceber como muitos processos absurdos podem ser enquadrados, incluindo a Tesla.

Gerindo como uma pop-star

Até agora foi ignorado um fator essencial da Tesla, o papel de pop-star de Elon Musk.

Entre os seus feitos bizarros e por vezes perturbadores, podemos enumerar alguns:

– Insinuar convictamente que nós humanos vivemos numa simulação;

– Anunciar novas vendas de Cybertrucks, quando na verdade estas apenas representavam um pagamento adiantado de fácil devolução (que dava direito a um email cómico a afirmar que tinha acabado de obter o novo Cybertruck);

– Líderar em paralelo a Space X, que ambiona fazer a civilização humana chegar a Marte por 2024;

– Ser punido pelas autoridade americanas após um Tweet, sob a acusação de fraude (ver imagem abaixo, com o Tweet controverso)

– Aludir ao mergulhador que participou no salvamento de 12 jovens Tailandeses como “Pedo Guy”;

– Fumar erva enquanto é gravado para o programa de Youtube de Joe Rogan;

– Publicitar e vender em grande escala um lança-chamas, alegando ser a arma perfeita para lidar com o Apocalipse Zombie;

– Sucessivamente atacar toda e qualquer análise negativa aos seus planos de negócio.

A lista poder-se-ia alongar, mas uma prática fica cimentada – a construção de uma persona excêntrica para o público, alimentando um culto da personalidade, repleta de alusões ao mundo da ficção, sendo mesmo comparado à estrela da Marvel, o Iron Man, e como não poderia deixar de ser, com uma forte tendência a difundir informações falsas sobre o estado do seu negócio, e usando sistematicamente tiradas para distrair os holofotes quando as notícias negativas sobre os seus negócios abundam. E como claro que não podia deixar de ser, sempre que tem a oportunidade glorifica todas as vantagens reais e imaginárias que os transportes individuais têm sobre os transportes públicos, e os casos de politicas laborais abusivas na Tesla vão se sucedendo.

 O papel de pop-star de Elon Musk – a construção de uma persona excêntrica para o público, alimentando um culto da personalidade

Como isto explica a Tesla obter financiamento?

A persona construída por Elon Musk pode não contar toda a história, mas ajuda a perceber como a Tesla sucessivamente obtém financiamento, apesar da performance empresarial duvidosa.

Basta existir a crença de que existem fanáticos de Musk – não necessáriamente da sua capacidade de fazer dinheiro, mas da sua personagem cartoonesca – dispostos a investir dinheiro a fundo quase perdido no negócio. Os investidores mais ponderados só precisam que estes existam e larguem o seu dinheiro em qualquer circunstância, já que enquanto o fizerem o preço da ação continuará a subir, e quem empresta dinheiro poderá continuar a ter os empréstimos devolvidos, podendo toda a gente lucrar. E novamente, basta a crença destes investidores fanáticos existirem, já que outros investidores colocaram o seu dinheiro pensando que estes existem, podendo outros mais cuidadosos seguir este segundo grupo. Qualquer um destes grupos poderá colocar o dinheiro na empresa, e os outros seguirão. Este processo funcionará, até ao ponto em que alguém comece a duvidar se existe alguém que cubra o seu dinheiro, basta existir alguém mais incauto disposto a investir para assegurar o sucesso do teu investimento, um greater fool.

Basta existir a crença de que existem fanáticos de Musk – não necessáriamente da sua capacidade de fazer dinheiro, mas da sua personagem cartoonescal – dispostos a investir dinheiro a fundo quase perdido no negócio. Os investidores mais ponderados só precisam que estes existam e larguem o seu dinheiro em qualquer circunstâcnia

Em paralelo, uma enorme quantidade de clientes está disposta a pagar em adiantado os carros, vários meses ou mesmo anos antes de os receber, emprestando assim de facto dinheiro à Tesla.

Acima, o carro apresentado por Tesla no final de 2019

Abaixo, o carro apresentado por Homer Simpson no episódio “Oh Brother, Where Art Thou?”

Esta forma de operar nos negócios não é novidade, seguindo muito como o atual presidente dos Estados Unidos construiu uma fortuna baseada na sua personalidade de reality show, ou como Elizabeth Holmes adiou a descoberta de fraude no seu modelo de negócio de análises clínicas na Theranos, constantemente disparando sobre todas as críticas.

O que isto nos diz sobre as falsas soluções climáticas

A solução proposta pela Tesla não é a solução para a crise climática, a manutenção de veículos individuais em escala massiva é uma forma de prioritizar o lucro. Uma solução real no que concerne os transportes terá forçosamente que passar por um reordenamento das formas de mobilidade, focando-se em meios ligeiros e transportes públicos (o que não coloca de parte os veículos elétricos energizados por baterias modernas como uma parte disto).

Todo o fenómeno como Musk consegue obter financiamento conta-nos como as decisões de investimento tendem a funcionar no sistema capitalista. Não são os critérios de interesse público, sustentabilidade ou bem-estar geral que decidem para onde o dinheiro flui na atividade produtiva, é o lucro quem define isso, neste caso alimentado por um culto de personalidade. O dinheiro que a Tesla obtém não existe num vácuo, é dinheiro que poderia ser conduzido para verdadeiras soluções para a crise climática, e ao invés acaba veículo de caprichos.

Não são os critérios de interesse público, sustentabilidade ou bem-estar geral que decidem para onde o dinheiro flui na atividade produtiva, é o lucro quem define isso, neste caso alimentado por um culto de personalidade.

Mesmo sendo vendida a narrativa de eficiência, análise e frieza dentro do capitalismo, os episódios em que as dinâmicas do mundo do espetáculo se sobrepõem a quaisquer outras são inúmeros e conduzem o nosso destino coletivo. A disparidade entre o valor de uso e o valor de mercado não podiam ser mais evidentes do que neste caso, em que a história que se consegue contar sobre a personalidade do fundador decide para onde fluem os recursos da economia.

Este artigo poderia alongar-se sobre os mil milhares de dólares de subsídios que os negócios de Musk conseguem obter sob uma farsa de interesse público, e a ineficácia do setor público tomar o lugar traseiro na luta à crise climática, mas esse assunto ficará para outra altura. Numa agenda em que tudo tem que acontecer o mais rápido possível, deixar os esforços para a transição nas mãos de um negócio cujo nível de imbecilidade compete com os da personagem fictícia de Homer Simpson não pode ser uma opção; é imperativo um poder de decisão coletivo.

Relatório da Union of Concerned Scientists:

https://www.ucsusa.org/sites/default/files/attach/2015/11/Cleaner-Cars-from-Cradle-to-Grave-full-report.pdf

2 thoughts on “Falsas Soluções, Soluções Absurdas, o Caso da Tesla – João Reis

  1. (…)”A full-size long-range (265 miles per charge) BEV, with its larger battery, adds about six tons of emissions, which increases manufacturing emissions by 68 percent over the gasoline version. But this electric vehicle results in 53 percent lower overall emissions compared with a similar gasoline vehicle”(…) pp3

    O relatório referido no final do artigo conclui que as emissões evitadas durante a condução do veículo, neste caso o Tesla Model S, compensam as maiores emissões durante o fabrico. A diferença tem origem essencialmente na bateria de maior tamanho e capacidade. É por esse motivo que a Tesla, tal como outras companhias, como é referido na caixa da página 23 do mesmo relatório, está a tomar medidas para reduzir o impacto nas emissões do fabrico das baterias. No seu caso, com a fábrica do Nevada, a funcionar essencialmente a energia renovável.

    De qualquer modo, as emissões de um carro elétrico, seja Tesla ou qualquer outro, durante o seu tempo de vida, dependem de uma série de factores que não são fixos. Por exemplo, quantos donos de Teslas também têm painéis solares nas suas casas, e carregam a bateria do carro com essa energia? Onde é que os carros estão a ser carregados? O relatório, na página 28, refere estações de carregamento para carros elétricos, com energia a partir de painéis solares.

    Em relação às fontes para a produção de energia elétrica nos EUA, o relatório tem como base os dados de 2012. Estamos em 2020, e muita coisa mudou entretanto. O carvão tem decrescido de forma evidente, sendo substituído pelo gás natural. Não é uma alternativa viável em termos de impacto ambiental, mas fez descer bastante as emissões. Portanto, o valor da redução global de 53%, em relação ao Tesla S, ainda será maior neste momento.

    O objectivo não será ter carros eléctricos com carvão como fonte principal de energia. O problema do carvão, e de outras não renováveis, é um problema paralelo, que deve ser atendido por si só, com ou sem carros eléctricos.

    Em relação à Tesla e ao Elon Musk, mesmo que esteja a enlouquecer nos últimos tempos, e que se transforme num tirano capitalista trumpista, há que lhe dar o crédito pelo enorme esforço que fez para tornar os carros eléctricos competitivos e apetecíveis para os outros produtores da poderosa indústria automóvel. Se não se tivesse atirado de cabeça para um projecto tão ambicioso, talvez hoje ainda não haveria quase nenhum modelo de carro eléctrico disponível. E sim, são parte da solução, independentemente da questão do fabrico das baterias, e do seu impacto ambiental, que é um problema a ser resolvido o mais rápido possível. O dito mercado não está alheio a essa questão.

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