Wrap-up: Galp Must Fall

Lançar os alicerces

A acção Galp Must Fall foi-nos quase solicitada: com a Galp anunciar que quer duplicar a sua produção de petróleo e gás nos países do Sul Global e os nossos amigos da Justiça Ambiental! – Moçambique a desafiar-nos para irmos à assembleia de accionistas, e também com a Galp a decidir distribuir dividendos em plena crise económica e de petróleo nesta assembleia geral enquanto despede trabalhadores das suas refinarias.

“O projecto de gás fóssil da Galp em Moçambique está a expulsar centenas de famílias das suas casas, calculando as “compensações” com base no número de palmeiras em cada terreno. Não existirão formas menos ridículas de extractivismo?”

O dia começou com a greve climática digital #DigitalStrike, com o lema #DefendTheDefenders, dando voz à luta contra os projectos de gás fóssil em Moçambique. Também de manhã, o SITE-Sul organizou uma concentração à frente da refinaria de Sines. Hélder Guerreiro, um dos dirigentes, que também pertence à comissão de trabalhadores da Petrogal, mandou-nos uma mensagem: “É fundamental garantir os direitos e as remunerações dos trabalhadores.” Concordámos e acrescentamos: não só durante esta crise de saúde pública, mas também ao longo da transição energética.

“90 trabalhadores da refinaria de Galp em Sines, Petrogal, foram demitidos. Por que não treiná-los online em energias renováveis, para que estejam preparados para a queda da Galp? A Galp pagaria por isso?”

Acto 1: Online e Offline

Durante a manhã, estivemos nas redes sociais e fazer muitas perguntas à Galp.

“Num relatório da Reuters de 2019: “A Galp diz que sua produção de petróleo aumentou 15% em 2018 e espera aumentos de 8-12% em 2019 e 12-16% em 2020”. A Galp considera as suas operações de combustíveis fósseis uma actividade criminosa que condena o futuro da humanidade?”

Juntaram-se também as e os activistas da greve climática digital, com uma Twitter Storm. Assim, todas as redes sociais ficaram cheias de denúncias, perguntas e comentários sobre as injustiças sociais e climáticas da Galp.

“Com que frequência a Galp se reúne com funcionários, assistentes, burocratas, etc. da Direcção Geral de Energia da Comissão Europeia em contextos informais? Sobre o que falam? Podemos ver as minutas?”

Mas estivemos também offline. Um T-rex, devidamente protegido por uma máscara e acompanhado por dois activistas a uma distância de dois metros, visitou a sede da Galp onde foi presidida a Assembleia Geral Anual, queixando-se: “Deixem o que resta de mim debaixo do chão!” De seguida, activistas estiveram a encerrar bombas da gasolineira pelo crime de ecocídio.

 

Acto 2: Galp Must Fall Live

Antes da manifestação (Acto 4) começar, a nossa equipa artivista lançou uma série de concertos e conversas ao vivo com artistas de vários países onde a Galp tem projectos: Os Bergalgo (Portugal), o TRKZ (Moçambique), a Nitry (Cabo Verde) e a Djucu Dabó (Guiné-Bissau) juntaram-se a este festival anti-extractivista e anti-colonialista. Também participaram o Daniel (Justiça Ambiental! Amigos da Terra Moçambique) e Nicole (350.org Brasil), com intervenções sobre a luta pela justiça climática.

Cerca de 400 pessoas assistiram ao Galp Must Fall Live no Instagram.

 

Acto 3: Activistas-accionistas

Estivemos dentro da Assembleia Geral Anual também, que começou às 15h00 e foi realizada online.

Nós enviámos muitas perguntas três semanas antes da assembleia, a 5% das quais recebemos respostas evasivas por e-mail. Durante a assembleia só nos foi permitido colocar questões curtas por escrito (não nos deixaram falar), algumas das quais foram seleccionadas para resposta. O nosso balanço final da assembleia é: obtivemos respostas não-satisfatórias para 10% das nossas perguntas, e para o resto nem isso.

“Caso a Galp seja confrontada em tribunal por crimes contra a humanidade por alimentar o caos climático enquanto ciente do consenso científico, como é que a administração da Galp se vai defender?”

Mais concretamente: a Galp desresponsibiliza-se pelos despedimentos nas refinarias, pelos despejos em Moçambique e pelos salários absurdos dos gestores (justificando que eram semelhantes a outras empresas – e nós contabilizámos isto como uma resposta, imaginem…), e diz que gás fóssil é que é bom. Portanto, está tudo tranquilo.

E, se tinham curiosidade: não se fala das alterações climáticas na assembleia da maior petrolífera de Portugal.

Acto 4: Manifestação Online

Durante a assembleia dos accionistas, organizámos também uma manifestação online, por manif.app.

“Porque é que o CEO da Galp ganha 197 vezes o salário mínimo e 35 vezes mais que o trabalhador médio da Galp? Que méritos justificam isso? Tipo, o currículo dele é 197 vezes maior que o meu?”

Começámos às 15h00 em Moçambique na sede da Galp em Maputo, com mais de 150 activistas digitais, em solidariedade com as lutas de linha de frente, reivindicando reparações para as comunidades e os ecossistemas afectados.

Passámos para Sines, em solidariedade com os trabalhadores da refinaria, reivindicando uma transição justa para todos os trabalhadores da indústria petrolífera.

 

Seguimos para Lisboa, à sede da Galp, o epicentro da injustiças climáticas e sociais em Portugal, para reivindicar uma democracia energética, pública e 100% renovável.

 

No total, participaram mais de 300 pessoas nesta primeira manifestação online em Portugal.

Mas se chegaste só agora, ainda vais a tempo: os nossos manifestantes digitais ficam a gritar durante 24 horas e ainda te podes juntar a nós.

É muito simples. Clica neste link aqui para abrir no browser. Escreve o teu grito na barra acima e clica no “Manifest”. Podes mexer o teu mini-manifestante como quiseres.

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