A hora da ferrovia – João Reis (Radar Climático | Opinião)

O mote “é necessário investir na ferrovia” é um mantra um do discurso público Português desde há alguns anos. No entanto nunca tem saído das intenções, não se materializando em qualquer horizonte de investimentos num futuro próximo.

A crise económica resultante da COVID-19 está a tornar o investimento público fulcral para manter as economias à tona, e o contexto político europeu está-se a alinhar para que tal seja possível. Enquanto isso a crise climática não parou, com records de temperaturas em regiões de alta latitude. Por exemplo na Sibéria a 22 de Maio estiveram 25ºC sendo que o recorde anterior era de 12ºC, chegando a cidade de Nizhnyaya Pesha a atingir os 30ºC. Já as emissões de gases efeito de estufa a nível mundial, após uma queda inicial com o confinamento imposto pela COVID-19 já mostram recuperação e o regresso ao trajeto de bater records todos os anos.

Torna-se então inescapável reparar que o setor dos transportes é responsável por cerca de 26% das emissões em Portugal, e o potencial de cortes nas emissões via a aposta na ferrovia são enormes. Entre a possível eletrificação de toda a energia consumida e os colossais ganhos de eficiência, as possibilidades são vastas. Quer estejamos a falar do transporte de mercadorias, no transporte de passageiros, quer em trajetos longos como do Porto ao Algarve, quer em trajetos curtos como do Cacém a Sete Rios, o investimento na ferróvia traz ganhos significativos. As melhorias não se ficam pela questão da eficiência e transição energética, alargando-se a questões como a gestão do espaço e solos.

Já os sinais dados por parte do executivo português até à data são desapontantes, com o fim do comboio noturno entre Lisboa e Madrid, entretanto já denunciado pelo Climáximo.

Em paralelo o Primeiro Ministro António Costa anuncia que o catastrófico projeto do aeroporto do Montijo é mesmo para avançar, mesmo no contexto absurdo no qual a COVID-19 deixou o setor da aviação.

Assim torna-se fulcral materializar os lemas da necessidade de investimento num projeto urgente e concreto, que passa por pilares como a expansão da malha ferroviária por todo o país, a criação de uma empresa pública dedicada ao desenvolvimento de uma rede nacional de transporte público rodoviário electrificado e a expansão das redes metropolitanas de Lisboa e do Porto, como defendido pela campanha empregos para o clima.

Queres saber mais sobre o contexto e as necessidades para a rede ferroviária em Portugal? Vê a nossa conversa do outro dia com o Francisco Furtado, investigador e autor do livro “A Ferrovia em Portugal”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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