Radar Climático (8 de Julho)

Joel Fitzgibbon, o porta-voz do partido trabalhista australiano para os recursos, diz que um objectivo de redução de emissões para 2030 se tornou irrelevante. Recusou metas concretas para 2035 ou algum ponto intermédio, apontando apenas que nas próximas eleições o partido, oposição ao governo liberal de Scott Morrison, apresentará uma política que possa ser acolhida pela maior parte dos australianos. Diz ainda que a redução de emissões não será linear e têm sido feitas referências à importância das minas de carvão do país e da manutenção de empregos, num apelo à base eleitoral trabalhista. Isto significa um retrocesso em relação ao discurso pré-eleitoral de 2019, em que as promessas do partido eram de neutralidade carbónica em 2050, o cumprimento do Acordo de Paris e políticas consistentes com a ciência climática.

A neve cor-de-rosa que acelera o degelo nos Alpes: foi identificada uma alga em plena expansão nos alpes italianos que está a transformar o gelo de branco em cor-de-rosa. A alga Ancylonema nordenskioeldii está a aparecer devido ao derretimento do gelo, que lhe fornece água e oxigénio a milhares de metros de altitude. A alga não só é favorecida pelas temperaturas mais altas a nível global como favorece o degelo já que, ao reduzir o albedo da neve com a sua cor rosada (a cor branca reflecte quase 100% da radiação solar que incide sobre ela), aumenta a absorção de calor sobre a forma de radiação e aumenta a temperatura do gelo.

O projecto de gasoduto da costa atlântica dos EUA, com uma extensão de quase 1.000 km e um valor apoximado de 8 mil milhões de dólares, foi cancelado pelas duas empresas sócias, Duke Energy e Dominion Energy. Os CEOs das empresas, em comunicado conjunto, justificam a decisão com a crescente incerteza legal que paira sobre o desenvolvimento de infra-estruturas industriais e energéticas de larga escala, referindo-se a decisões judiciais que inviabilizaram várias licenças de construção e de desvio de cursos de água, bem como a petições judiciais levadas a cabo por 16 organizações ambientalistas e proprietários privados de terrenos.
Foi emitida uma ordem judicial para parar o Dakota Pipeline num período de um mês, devido a um estudo de impacte ambiental desfavorável. A Energy Transfer, empresa que explora o oleoduto com um fluxo de 570.000 barris diários, promete uma batalha legal para que o oleoduto mantenha a sua actividade.

Os directores executivos da EDP e Renováveis (António Mexia e Manso Neto, respectivamente) foram suspensos de funções e proibidos de entrar nas respectivas instalações como medida de coacção no âmbito do caso EDP (rendas excessivas); além disso, cada um foi obrigado a depositar uma caução no valor de 1 Milhão de Euros.

O Juíz Carlos Alexandre declara-se “perplexo” com as provas recolhidas pelo Ministério público e ordenou ao Conselho de Administração da EDP e empresas de Segurança contratadas pela EDP que proibissem a entrada de Mexia e Manso Neto nas instalações para evitarem a possível destruição de provas. Esta medida de coacção extingue-se em 8 meses se não for encerrado o inquérito.
Este inquérito investiga os procedimentos relativos à introdução no setor elétrico nacional dos Custos para Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC), tendo António Mexia e João Manso Neto sido constituídos arguidos em Junho de 2017 por suspeitas de corrupção activa e participação económica em negócio.
O processo das rendas excessivas da EDP está há cerca de oito anos a ser investigado pelo DCIAP.

Países da União Europeia dão anualmente o equivalente ao orçamento europeu em subsídios e isenções fiscais. A equipa internacional de jornalismo “Invesgate Europe”, investigou a atribuição de subsídios a combustíveis fósseis na União Europeia.

A maior parte do Parlamento votou contra a suspensão e o cancelamento das explorações de petróleo e gás em Portugal, nomeadamente na Bajouca e em Aljubarrota. Foram apresentados dois projectos de resolução para cancelar as concessões (BE e PEV) e um projecto de lei para suspender as concessões para ser criado uma entidade pública petrolífera (PCP). A proposta do BE foi chumbada com votos negativos do PS, PSD, CDS-PP, Chega e abstenção da Iniciativa Liberal. A proposta do PEV foi chumbada com votos contra do PS (excepto 5 deputados da JS) e do CDS, com abstenções do PSD, Chega e IL. A proposta do PCP foi chumbada com votos contra de PS, PSD, CDS-PP, Chega e a abstenção do Iniciativa Liberal. Depois de um período pré-eleitoral e eleitoral em que a maior parte destes partidos, e em particular o PS, encheu a boca para falar de alterações climáticas e descarbonização, eis a resposta concreta: uma política de carbonização, de mais emissões.


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