Manifesto: Nós Somos os Anti-corpos

As nossas sociedades estão doentes. O nosso planeta está doente. A civilização como a conhecemos está fatalmente doente.

Os decisores políticos e económicos não admitem o quão grave e complexa se tornou a situação. O funcionamento do sistema actual multiplica as crises que sucessivamente se abatem sobre a sociedade: da crise sanitária resultaram crises económicas e sociais. Está tudo lixado. Cada vez mais nos aproximamos do momento em que todas as crises, impulsionadas pela crise climática, se tornarão irreversíveis. Face a este cenário, fartámo-nos!

Comprometemo-nos a lutar contra o vírus da maximização do lucro e de todos os sistemas sociais que alimentam a discriminação entre e dentro dos povos.

*

A cura passa por cuidarmo-nos mutuamente. A cura passa por valorizarmos o que é essencial nas nossas vidas. Podemos aprender em conjunto o que é essencial nas nossas vidas e como lhes dar valor. Nós sabemos que precisamos de estruturas sociais que permitam e facilitem uma verdadeira relação ecológica entre todos os seres, para substituir as estruturas tóxicas que nos levam a um colapso civilizacional. Nós sabemos que é preciso atacar o vírus, não só os sintomas.

Um Serviço Nacional de Saúde forte pode proteger-nos das doenças e das pandemias, tal como um Serviço Nacional do Clima poderá salvaguardar um planeta habitável.

Um sistema equitativo de Segurança Social pode apoiar todas as pessoas em necessidade, tal como uma economia orientada para os cuidados pode garantir uma vida solidária para todas.

Uma habitação digna não só possibilita confinamento e distanciamento físico em tempos de corona, mas também nos protege das tempestades que se prevêem com o caos climático.

Garantir energias renováveis e transportes públicos gratuitos para cada pessoa aumenta a nossa resiliência como sociedade para crises económicas, assim como para a crise climática.

Um plano massivo de emprego público pode tirar centenas de milhares de pessoas do desemprego e da precariedade e ao mesmo tempo garantir uma transição justa com empregos socialmente úteis.

Temos muito pouco tempo. Perder esta luta é perder tudo o que importa. O tempo de acção é agora.

*

A nossa indignação profunda permite-nos encontrar a coragem dentro do susto, e levantamo-nos para construir uma nova civilização.

Comprometemo-nos a descontaminar a economia e a regenerar as nossas sociedades, com acções pacíficas e disruptivas contra os mecanismos tóxicos do sistema socio-económico em que vivemos.

Comprometemo-nos a dar o corpo ao manifesto, saindo às ruas este Outono em acções de desobediência civil em massa.

Nós somos os anti-corpos.

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Este manifesto foi inicialmente lançado pelo Climáximo e foi assinado por mais de 300 pessoas.

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One thought on “Manifesto: Nós Somos os Anti-corpos

  1. Parabéns pela iniciativa!
    É bom cada vez mais encontrar descontentamento na população e ações a darem seguimento a esse sentimento.
    Estou interessado em saber mais sobre esta iniciativa e disponível para contribuir.
    Estou também em contactos localmente (região da serra do Açor) e a nível nacional, de forma preparar ações semelhantes que mostrem o descontentamento e não submissão à corrente manipulação através do medo.
    Bem hajam,
    Ricardo

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