Radar Climático (22 de Julho)

Com novo nome, governo estica layoff simplificado para além de Julho, mas com regras menos benéficas para as empresas. O regime atual de layoff simplificado mantém-se, mas só para empresas legalmente forçadas a estar fechadas.

Israel aprova gasoduto gás fóssil pelo seu território, abrindo assim portas para exportar as ainda por confirmar reservas de gás no este do mediterrâneo (eastmed). Este plano para fazer este gás chegar ao coração da Europa está avaliado em 6 mil milhões de euros, englobando Israel, o Chipre, a Grécia e Itália.

Finalmente há acordo para o fundo de recuperação europeu no total de 750 mil milhões de euros. Este está longe de ser benéfico para países como Portugal, contém cláusulas que permitem a um país bloquear as verbas para outro, quando considerem que não está a cumprir os objetivos, enquanto as transferências têm que ser aprovadas por uma maioria qualificada. Descortinar as diferenças entre isto e as transferências da Troika dependentes de um memorando torna-se complicado. A Europa não destoa, e continua a ser um projeto em que a única variável é a força dos mais poderosos, e onde os mais ricos se tornam ainda mais.

Greta Thunberg ganha prémio no valor de um milhão de euros e Carlos Moedas, ex Secretário de Estado Adjunto de Pedro Passos Coelho não perdeu tempo a tentar cooptar a ativista Sueca. O agora responsável da Fundação Calouste Gulbenkian para a sustentabilidade tentou traçar a luta contra as alterações climáticas como entre aqueles que querem construir o sistema (como se este precisasse de  ser mais erguido) e quem o quer destruir. Certamente não tem prestado atenção a discursos e a presenças da Greta Thunberg durante o seu percurso.

INCÊNDIOS
  • Estamos em plena época de incêndios desde meados de Junho, com fogos por todo o País. Houve vários incêncios florestais e alguns em zonas industriais. Já morreram 3 pessoas (2 bombeiros), vários bombeiros feridos e algumas populações foram evacuadas das suas casas. 
  • A onda de calor que se fez sentir nas últimas semanas, levou a uma intensificação dos incêndios, tendo no último sábado havido 120 incêndios, tendo que os mais violentos ocorrerido em Valongo, em duas freguesias no distrito de Leiria (Arrabal e Barreiria), Ourém, Vila de Rei, Viseu, Vale de Cambra e Paredes. Nestes incèncios morreu um bombeiro, cinco ficaram feridos e algumas casas foram ameaçadas.

 


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Acção climática: devemos levar o Governo a sério – João Camargo

Quando membros do governo português falarem de políticas climáticas temos de reconhecer que estas políticas existem. Umas pertencem ao reino da fantasia dos potenciais cortes eventualmente feitos para uma potencial futuro de “baixo carbono”, outras visam o eventual acesso a fundos europeus, há ainda os usuais truques de contabilidade, as “oportunidades” da transição e, finalmente, há as políticas climáticas que agravam a crise climática e aumentam as emissões. Actualmente, essas são, em Portugal e no mundo, as principais políticas climáticas.

 

O petrokeynesianismo – João Reis

O documento “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal – 2020-2030”,  encomendado ao barão do petróleo António Costa e Silva, não desaponta: um plano para o extrativismo rentista sob as vestes de um Green New Deal, patrocinando lucros privados com subsídios públicos. O documento vagueia por temas como a criatividade digital, política atlântica, impressão 3D, filmes de Stanley Kubrick, e até Kant é citado. Mesmo não sendo específico ou mensurado são claras as direções deste Cônsul da República.

 

Plano de Recuperação Económica, mas para quem? – Matilde Alvim

Como se já não bastasse a evidente insuficiência das políticas do Governo face à crise climática, o escolhido para elaborar um plano de propostas para a recuperação económica do país nos próximos anos é o director executivo de uma empresa petrolífera com negócios em todo o mundo. Recentemente, foi revelado o Plano de Recuperação Económica, elaborado por António Costa e Silva. Ao longo das dezenas de páginas, o director executivo da Partex defende com entusiasmo as suas propostas de resgate ao lucro, às empresas e à banca, explicitando num discurso incoerente a sua determinação a levar-nos rumo ao caos social e climático. No “brilhante” plano, Costa e Silva reconhece a ameaça da crise climática e promove termos como “transição energética” e “descarbonização”.

 

Capitão Banal – João Camargo

Este não é o primeiro e seguramente não será o último artigo a comentar o “Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal”, escrito por António Costa e Silva, professor do Instituto Superior Técnico e CEO da Partex Oil&Gas. Muitas apreciações, quer pelo conteúdo, quer pelo timing, consideram que o destino do “plano” é o mesmo que o do Guião da Reforma do Estado de Paulo Portas. Discordo desta análise. A banalidade nociva vertida parágrafo após parágrafo neste relatório é um espelho do corpo técnico que sustenta a burguesia portuguesa e no qual a mesma se revê, o que torna a probabilidade de o mesmo ser levado a sério perigosamente real.

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