Radar Climático – 14 de Outubro de 2020

Serviço Ferroviário entre Portugal e Espanha nunca foi tão fraco Entre Portugal e Espanha só há um comboio diário entre o Porto e Vigo e uma velha automotora que faz um serviço regional entre o Entroncamento e Badajoz. Nunca na história do caminho-de-ferro os dois países estiveram tão desligados nas relações internacionais. Os comboios de prestígio desapareceram. O centenário Sud Expresso, que desde 1886 liga França a Portugal servindo no seu percursos várias cidades espanholas, e o Lusitânia Expresso, que viaja entre Lisboa e Madrid desde 1943, foram suspensos desde Março devido à pandemia, mas não voltaram aos carris com o desconfinamento.

Mas não é só a ausência de comboios entre os dois países que caracteriza esta cimeira ibérica. As próprias linhas fronteiriças também fecharam. A linha do Douro já não continua para Salamanca desde 1988 e o ramal de Cáceres (Torre das Vargens – Marvão/Beirã), que constitui a ligação mais curta entre Lisboa e Madrid, também fechou, em 2011, vítima da troika. De um tempo em que havia várias ligações diárias (directas ou com transbordo) nas fronteiras de Valença, Barca de Alva, Vilar Formoso, Marvão e Elvas, chegou-se a 2020 com apenas duas estações fronteiriças a terem serviço de passageiros internacional.”

Qualquer plano para uma recuperação económica justa e com o objetivo de travar a crise climática tem de incluir uma forte aposta na ferrovia. Esta é uma das 10 medidas da campanha Empregos para o Clima

Ministra descarta comboio de alta velocidade Lisboa-Madrid. Numa entrevista à agência EFE durante a cimeira entre Portugal e Espanha para a nova estratégia de desenvolvimento do interior, Ana Abrunhosa descartou a possibilidade de ligar as duas capitais por alta velocidade porque “as pessoas vão de Lisboa a Madrid de avião”.”
Surreal.
O Parlamento Europeu aprovou ontem a sua posição para as negociações da lei do clima da União Europeia. O documento aprovado, que ainda vai ter de ser discutido com os estados membros antes de se tornar Lei da União Europeia, fixa dois objetivos principais: Neutralidade Carbónica em 2050 e 60% de cortes de emissões de gases com efeito de estufa até 2030, em relação aos valores de 1990.

A escolha de 1990 para o início da contagem é um truque frequentemente utilizado para que os cortes de emissões pareçam maiores do que na realidade são: o abrandamento da atividade económica provocado pelas crises financeiras faz com que haja uma redução de emissões na UE de cerca de 23% entre 1990 e 2018. Assim, um corte de 60% em relação a 1990 significa um corte de cerca de 48% das emissões reais
Esta posição representa um pequeno avanço em relação à posição da Comissão Europeia (55% de 1990 até 2030), mas está muito longe daquilo que a ciência nos diz que é necessário. Para manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 1.5ºC temos que cortar as emissões mundiais atuais de gases com efeito de estufa em 50% até 2030. Os países com maior responsabilidade histórica nas emissões e na destruição das estruturas socio-económicas nos outros países através do colonialismo têm que cortar mais rápido para garantir uma distribuição equitativa dos cortes. Nos países do Norte Global isto significa, no mínimo, uma redução de 70 a 90% das emissões reais actuais até 2030. 

A única política Europeia clara e compatível com o realismo climático é Neutralidade Carbónica em 2030!
Enquanto as instituições da União Europeia continuam a funcionar dentro daquilo que apresentam como o “realismo” da diplomacia e a utilizar truques de contabilidade, a crise climática só conhece o realismo da Física e da Química. Enquanto continuar a existir este abismo entre os dois, continuaremos a caminhar para o colapso social e climático. 
Bilionários a nível mundial “beneficiaram muito” durante a pandemia do Coronavirus, com as suas fortunas a crescer para um recorde de 10.2 triliões de doláres. Compraram tudo o que havia para comprar a preços muito baixos quando a bolsa crashou por causa da COVID19, confiando que os bailouts dos governos iam fazer os valores das acções voltar a subir. E foi exactamente isso que aconteceu.

A primeira versão do Orçamento do Estado foi apresentada. 470 milhões para o Novo Banco. Plano de reestruturação da TAP em Novembro (provavelmente mais 500 milhões de euros). Empréstimo 470 milhões de euros à CP. 10 milhões para o IHRU criar habitação social pública. Aumento salarial de 2% para a Função Pública. Redução do IVA da electricidade. Há uma nova prestação social para trabalhadores sem acesso a subsídio de desemprego,o “apoio extraordinário ao rendimento dos trabalhadores” (501,16 euros), aumento do subsídio de desemprego de 438 para 504 €. Há um crédito fiscal ao consumo, o IVAucher, para restauração, turismo e atividades culturais. Há uma redução do imposto sobre os veículos importados. Açores e Madeira deixam de ter isenção do Imposto Produtos Petrolíferos. Vão ser contratados 4200 pessoas para o sector da Saúde. Proposta de aumento salário mínimo em 23,75€. Há um alargamento das creches gratuitas noutros escalões de rendimento. 3000 novos funcionários para escolas. Bloco ameaça chumbar Orçamento enquanto PCP parece estar a flexibilizar a sua posição anterior.

Covid 19 continua a bater recordes em número de infectados. Números estão coerentemente acima dos 1000 novos infectados por dia em Portugal e número de mortes também continua a aumentar. A nível mundial os números também continuam a aumentar (Europa bate recorde com 70 mil casos numa semana, EUA pioram drasticamente). Em Portugal houve um caso positivo no Conselho de Estado e no Conselho de Ministros.

Galp suspende produção de combustíveis em Matosinhos. Em linha com o que já tem acontecido em várias das suas na refinarias, desta vez a suspensão da produção acontece em Matosinhos, alongando-se até Janeiro.

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