Radar Climático – 18 de Novembro

1% dos passageiros representam 50% das emissões da aviação mundial

Num estudo coordenado por uma universidade Sueca, fica evidente que o a aviação além de gerar emissões massivas também representa um padrão de consumo altamente desigual. Apenas 11% da população mundial pisou um avião em 2018, e 1% dos passageiros representam 50% do total de emissões geradas por este transporte. Estes estão altamente concentrados em países do norte global. Por exemplo os estadunidenses voaram 50 vezes mais quilómetros do que os africanos em 2018, dez vezes mais do que os habitantes da região Ásia-Pacífico e 7,5 vezes mais do que os latinos. Já os europeus viajaram 25 vezes mais do que os africanos e cinco vezes mais do que os asiáticos.

Trump abre refúgio de vida selvagem no Alasca à indústria petrolífera

Esta iniciativa já tinha sido anunciada em Agosto, com a aprovação de um plano para abrir o Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico para a prospeção e exploração de petróleo. Pretende-se agora que a exploração já esteja em marcha quando a administração Biden – que anunciou estar contra esta – chegar à Casa Branca. Esta iniciativa além de poder vir a acrescentar mais combústiveis fósseis ao stock letal já existente também destruirá o habitat de espécies como os ursos polares ou as renas.

Ultra ricos investem em proteções individuais contra crise climática
As compras de instrumentos, como esconderijos com controlo climático, ganham popularidade entre os ultra-ricos. Na hora das compras estes não têm tido dúvidas da plausibilidade de alterações climáticas com efeitos devastadores. Além de preocupações com a crise climática, estes também se mostram incomodados com a poluição atmosférica e a geração de novas pandemias, devido à crise climática, investindo também em proteções contra os fumos de incêndios florestais e kits de sobrevivência médica.

Manifestações no Porto e em Lisboa em resposta a consequências económicas do confinamento
Aconteceram manifestações no Porto e em Lisboa, na Sexta-Feira e no Sábado respetivamente. Estas foram promovidas por empresários da restauração, turismo e eventos – setores especialmente afetados pelas regras de confinamento, com numerosos casos de  trabalhadores a atravessarem situações desesperantes. Destaque para alguns incidentes, no Porto a queima de caixões e confrontos com a polícia, em Lisboa a tentativa de agressão a jornalistas da rádio Observador. No caso de Lisboa a manifestação teve a participação de elementos da extrema direita e de uma outra manifestação do movimento “pela verdade”, conhecido pelas suas posições anti-ciência e adesão a teorias da conspiração.

Marcha da extrema direita polaca provoca danos e feridos

A 11 de Novembro, comemorou-se o dia da independência polaca, celebração que tem visto um crescendo de participantes da extrema-direita. Desta vez foi declaradamente uma marcha desta filiação política. Os seus participantes atacaram habitações que exibiam bandeiras de apoio à causa LGBT+ e “Greve Feminista” com pedras e petardos – tendo incendiado um apartamento. Registaram-se vários confrontos violentos com a polícia, incluindo um junto do Estádio Nacional, onde estava montado um centro hospitalar temporário para pacientes com COVID-19. Estiveram também presentes membros com assento parlamentar da extrema-direita polaca. A crescente presença da extrema direita nas ruas tem sido uma tendência internacional, inclusive em Portugal.

Governo Britânico lança task-force para lidar com a transição energética, recorrendo a falsas soluções 
A Task-force de Empregos Verdes foi criada para desenvolver um plano de acção que consiga colmatar a falha de conhecimento técnico, ao nível laboral, necessário para fazer a transição energética. Apesar do grupo incluir organizações ambientais, como a WWF, e a comunidade científica, como a Universidade de Edinburgh, também inclui o sector das energias fósseis, como a BP. O que torna menos surpreendente quando vemos algumas soluções falsas, de transição energética verde, como o Hidrogénio, tendencialmente usado com base em combustíveis fósseis, e a Captura e Armazenamento de Carbono, que não tem resultados positivos testados nem comprovados, a serem avançadas no âmbito deste plano de acção.

Bolsonaro sofre derrota eleitoral em eleições locais Brasileiras
Dos 13 candidatos a prefeito que Bolsonaro apoiou durante a campanha, 11 foram derrotados nas urnas. Já dos 44 candidatos a vereadores, pelo menos 33 não conseguiram ser eleitos. O apoio do Presidente a estes candidatos foi expressivo, com vários diretos a partir do Facebook durante a campanha eleitoral. Destaque para Guilherme Boulos do partido de Esquerda PSOL a ficar em segundo nas eleições para a cidade de São Paulo, indo agora a segunda volta.

Metade das empresas do carvão vão desafiar o Acordo de Paris

O relatório produzido pela ONG ambiental, Urgewald, identifica 935 empresas que estão a desafiar o (já insuficiente) Acordo de Paris, ao nível mais básico através da utilização contínua de carvão como fonte energética. Não só estas empresas não estão a dar qualquer passo para cumprir com a transição energética necessária para evitar o caos climático, como planeiam aumentar o seu investimento neste sector. A ONG avança que se o “mercado financeiro não acelera a sua saída do sector, iremos falhar na implementação mais básica do Acordo de Paris, abandonar o carvão”. Desde a implementação do Acordo de Paris em 2015, que a produção energética com base em carvão, aumentou 137GW.

2020 torna-se o ano com o maior número de tempestades grandes de sempre

A tempestade Theta, que se formou no Oceano Atlântico na semana passada, levou 2020 a superar o recorde da temporada de tempestades do Atlântico Norte. Esta foi o 29º furacão nomeado na temporada de tempestades ativas, superando o ano de 2005, que teve 28 tempestades nomeadas.

Opiniões da semana:

Há uma tendência clara de aumento da frequência de aparecimento de novas doenças infecciosas nas últimas décadas, a maioria das quais por transmissão de animais para humanos. Por trás desta tendência estão mecanismos como a desflorestação ou a perda de biodiversidade, profundamente ligados com crise climática, a expansão implacável do capitalismo e a sua relação destrutiva com a natureza.

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