Um Estado de Emergência dentro dum Estado de Emergência

Em Setembro de 2019, o Climáximo entrou num estado de emergência climática, assumindo como a nossa missão social e política alcançar justiça social e climática dentro dos prazos ditados pela ciência climática. Desde essa altura que estamos num estado de emergência permanente, regularmente actualizando e lembrando o nosso compromisso.

Hoje, com profunda tristeza e ansiedade, lembramos-nos novamente que não estamos a vencer. O ponto sem retorno para um colapso climático está tão perto que olhos atentos conseguem já vê-lo directamente. Estar num estado de emergência serve para nos lembrar diariamente que a nossa casa está arder.

Por isso, reestruturamos a nossa organização, repensamos o nosso funcionamento e refazemos a nossa estratégia regularmente e deliberadamente. Abandonamos tudo que não funciona para extinguir o fogo, e reinventamo-nos sistematicamente.

Em Setembro de 2020 divulgámos novas medidas de emergência; agora está na hora de nos avaliarmos, apesar de alguns dos nossos compromissos só poderem ser justamente avaliados num período mais alargado.

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1) Aumentar o nosso compromisso a nível internacional, com o lançamento do Acordo de Glasgow e garantir uma articulação entre as nossas ambições nacionais e internacionais via a agenda climática do mesmo.

Lançámos o Acordo de Glasgow e enterrámos o Acordo de Paris. Estamos a construir planos de escalamento nacional e internacional. Nos próximos meses teremos mais novidades sobre este ponto, com o Inventário de Portugal do Acordo de Glasgow, a conferência europeia do Acordo de Glasgow, o 6º Encontro Nacional pela Justiça Climática e a Agenda Climática.

Reforçámos também os contactos com os nossos aliados noutros países.

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2) Construir resiliência política nos próximos tempos, criando infraestruturas organizativas a serviço de todo o movimento por justiça climática. Isto passa por apoio legal, assuntos financeiros, segurança digital do activismo, formação política e formação dos formadores de acção.

Com cautela, consideramos estar a cumprir esse compromisso. Para cada um dos assuntos acima referidos, já temos estruturas estabelecidas e activistas formadas e capacitadas. Adicionalmente, oferecemos aos movimentos sociais Formações para Organizadoras, que se encontram listadas no nosso site.

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3) Construir um movimento e um colectivo várias vezes maior que hoje, daqui a um ano. Para isso, entraremos num período intensivo de integração, capacitação, formação e delegação, tanto dentro do Climáximo, como no espaço público. Crescer implica também um aumento de visibilidade e de disponibilidade para informar e envolver novas pessoas no colectivo. Nesse sentido, vamos construir um plano de recrutamento que nos guie.

Entrámos num período temporário de reestruturação intensiva, que nos deu resultados bastante positivos. Queremos acreditar que hoje temos uma maior capacidade de recrutamento, integração e formação; os próximos meses vão-nos pôr à prova.

Por outro lado, uma reestruturação não é um acto abstracto: dá-nos novas tarefas. Agora temos um ambicioso Plano de Recrutamento para executar, por exemplo.

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4) Responder às complexidades das várias injustiças e crises duma forma integrada e coerente, reconhecendo que o novo contexto social e político reforça o desafio e abre a possibilidade de o fazer. Neste sentido, comprometemo-nos a fazer um esforço activo e estruturado para estabelecer alianças fortes com colectivos ligados às várias lutas anti-capitalistas.

Na onda das mobilização no Outono de 2020, começámos a aprofundar o nosso discurso e a nossa abordagem, com a acção dos Anti-corpos e com a manifestação Resgatar o Futuro Não o Lucro.

Fizemos um exercício estruturado e planificado de escuta activa de diversas organizações pertencentes a vários movimentos, com reuniões (muitas reuniões), formações e eventos conjuntos. O ano de 2021, que será de certeza um ano de crises, vai mostrar se realmente aprendemos e evoluímos com este processo.

Reconhecemos também que esse trabalho de escuta deve ser contínuo.

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5) Reforçar o nosso compromisso de contrariar e desmantelar dentro do nosso colectivo as dinâmicas socioculturais de hierarquia de poder e privilégio.

Isto é um compromisso que temos desde a primeira declaração e é um enorme desafio, diariamente exacerbado pelo sistema tóxico em que vivemos.

Temos uma equipa própria para nos educar, tal como medidas concretas para integrar o compromisso em todas as nossas actividades.

Nestes últimos meses, confirmámos que fomos ambiciosas nas metas a que nos propusemos e que ainda temos um longo caminho a percorrer.

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Hoje, realismo significa uma imaginação alimentada pelo horror de perdermos tudo. A tarefa à nossa frente talvez não seja maior do que antes, mas a urgência de cumpri-la é cada vez mais alarmante.

Junta-te à luta. Junta-te às lutas. A nossa casa está a arder.

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