Radar Climático – 17 de Fevereiro

Ativista na Índia presa por apoio aos agricultores

Disha Ravi, de 21 anos e co-fundadora do movimento Fridays For Future na Índia foi detida no sábado, acusada de incitar os protestos dos agricultores contra as novas leis agrárias que duram há mais de dois meses. A polícia acusa Ravi de “conspiração” e diz que terá participado na divulgação de uma lista com medidas de apoio aos agricultores na Índia, inicialmente partilhada pela ativista sueca Greta Thunberg. Shashi Tharoor, um deputado do principal partido de oposição, O Congresso, afirmou que “A prisão de Disha Ravi é a última escalada da repressão na Índia contra a liberdade de expressão e a dissidência política, uma vez que procura abafar os protestos em massa dos agricultores”. O documento em causa contem ideias para campanhas de protesto e petições, bem como várias “acções urgentes”, como organizar manifestações em frente de embaixadas da Índia e criar uma campanha a favor dos agricultores no Twitter. Desde Novembro do ano passado que milhares de agricultores protestam na Índia contra a reforma agrária que foi instituída, a qual é vista pelos mesmos como uma via que privilegia as grandes empresas, deixando-os à mercê dos preços de mercado dito livre.

Shell afirma que seria necessária uma floresta do tamanho do Brasil para cumprir a meta climática de 1,5 ° C

A Shell apresentou um “plano” para neutralidade carbónica. O plano é continuar a queimar combustíveis fósseis e plantar árvores, numa nova área de plantação que é quase equivalente ao Brasil. Há 6 anos atrás, os executivos desta empresa eram céticos em relação a um aquecimento de 2ºC. Agora afirmam a meta de 1,5 ° C poderia ser alcançada até 2100, caso se atingisse a neutralidade carbónica até 2058. No entanto, a visão da Shell de um papel contínuo do petróleo, gás e carvão até o final do século permanece essencialmente a mesma. A principal diferença entre os dois cenários é a “ampla expansão de soluções baseadas na natureza”, especificamente a plantação de árvores numa “área semelhante à do Brasil”. Resta saber onde fica essa área.

Preços agrícolas disparam. Há risco de crise alimentar

A subida dos preços de bens alimentares nos mercados de capitais tem gerado alertas. Essa é a conclusão da gestora de fundos Sixty Degrees que “considera que os efeitos nefastos da pandemia, ao nível das cadeias de produção e oferta dos produtos alimentares, podem ser suficientemente gravosos e prolongados para desencadear uma nova e grande crise no setor global de alimentos”. Vários fatores contribuíram para esta conclusão, como uma elevada proporção dos stocks mundiais de cereais estar localizada na China e na Índia e ainda existir uma elevada concentração de exportadores, o que dificulta o acesso a alimentos por parte dos importadores.

França descarta planos de construção do 4º terminal no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, citando questões climáticas

Para evitar o aumento de emissões, o governo francês afirmou não permitir os planos para um 4º terminal no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Diz que o projeto está obsoleto. O plano era que a construção começasse em 2021. O conselho de administração do Grupo ADP (aeroportos de Paris) deve validar a decisão na próxima semana.A COVID-19 provocou incertezas sobre a demanda futura de viagens aéreas para Paris – portanto, o motivo da rejeição dificilmente será devido a preocupações climáticas.

Parque eólico flutuante ao largo de Viana atinge produção “45% acima do esperado”

Ao fim de seis meses de atividade, o parque eólico flutuante, instalado no mar, ao largo de Viana do Castelo, está em plena produção e preparado para abastecer 60 mil casas com energia limpa, por ano. Fonte oficial da Windplus, o consórcio de que fazem parte a EDP Renováveis, a Engie, a Repsol e a Principle Power, informou que o parque “produz em média 7,5 GWh por mês e que em vários meses, no último meio ano, chegou mesmo a atingir uma taxa de produção de 45%, acima das expetativas para aquela tecnologia implementada em alto mar”.

Derrames de óleo na cidade da Califórnia reaviva apelos para cortar relações com a Chevron

Equipas de emergência em Richmond, na Califórnia, apressam-se a limpar os cerca de 2268 litros de óleo que foi derramado de uma refinaria da Chevron na Baía de São Francisco. Esta refinaria produz 245.000 barris de petróleo bruto por dia. O derrame de terça-feira é apenas o último incidente numa longa história de riscos ambientais e de saúde pública associados à empresa de petróleo em Richmond. Foram feitos apelos por parte de ativistas para que a cidade encerrasse o seu relacionamento de um século com a refinaria.

Fusão das petrolíferas Chevron e ExxonMobil: Um retrocesso perigoso

Este mês deparamo-nos com a notícia de que os CEOs da Chevron e ExxonMobil – as duas maiores petrolíferas dos Estados Unidos – conversaram sobre a possibilidade de fusão das duas empresas por conta do impacto negativo da pandemia no setor. Num momento no qual todo o planeta discute tanto sobre alternativas sustentáveis, alterações climáticas e transição energética, a possibilidade dessa fusão – que estaria entre as maiores da história – e do fortalecimento da exploração de combustíveis fósseis soa a um retrocesso perigoso. É de salientar que a Chevron esteve, durante décadas, envolvida numa série de denúncias de comunidades indígenas do Equador por contaminar territórios da selva equatoriana e chegou a ser condenada a pagar 9,5 mil milhões de dólares – mas conseguiu livrar-se da multa em 2018.

Bitcoin gasta 2,5 vezes mais eletricidade do que Portugal num ano

A mineração da criptomoeda, que envolve a resolução de equações matemáticas por milhões de computadores em simultâneo, consome 121,36 TWh de eletricidade por ano, que é também quase 2,5 vezes mais do que o consumo anual de eletricidade de Portugal. A bitcoin atingiu um novo máximo histórico acima dos 48 mil dólares a unidade esta semana, depois de a fabricante de carros elétricos Tesla ter anunciado um investimento de 1,5 mil milhões de dólares na bitcoin. A marca anunciou ainda estar a preparar-se para aceitar pagamentos em bitcoin pelos seus produtos.

Após meses deprimida, a procura por petróleo emerge

Face ao progresso da vacinação e a possibilidade de voltar à atividade económica do pré-confinamento, devido à COVID-19, a procura por petróleo nos EUA dá sinais de crescimento. A produção petrolífera nos Estados Unidos caiu de 13,1 milhões de barris por dia antes da pandemia, para 2 mil milhões na fase mais baixa. O governo americano prevê chegar aos 11,5 milhões de barris por dia em 2022.

Numa entrevista extensa, Bill Gates mostrou a sua perspetiva oligárquica para não resolver a crise climática

Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo, anunciou que vai passar a dedicar-se a resolver a crise climática. Durante a entrevista, este anunciou que irá investir na captura de carbono e em energia nuclear. Sobre o movimento climático, apontou críticas à ambição de obter a neutralidade carbónica na próxima década (assegurando assim o caos climático) e lançou críticas aos métodos de desobediência civil de grupos como o Extinction Rebellion. Ainda desvalorizou Greta Thurnbeg, dizendo que espera que esta não esteja a falhar na sua educação. As intervenções de Bill Gates em causas sociais são um mau presságio, por exemplo, a sua suposta agenda para a erradicação da fome em África, tem um legado de neocolonialismo disfarçado de boas intenções, priorizando o interesse de empresas multinacionais.

 

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