Apelamos à manifestação contra agricultura intensiva no Sudoeste Alentejano

O Climáximo junta-se ao apelo de “Juntos pelo Sudoeste” para a participação na concentração que ocorrerá na próxima 3ª feira às 14h30 frente à Assembleia da República, contra a contínua expansão da agricultura intensiva, com mão-de-obra escrava, no Sudoeste Alentejano e em particular no Perímetro de Rega do Mira. O modelo de produção aplicado em muitas explorações agrícolas na região é o apogeu do extractivismo aplicado à agricultura, com uma produção voltada para a exportação, com cultivo de colheitas que, pelos requisitos climáticos, não deveriam ser praticadas em Portugal, acarretando grandes prejuízos ambientais, como a deplecção e contaminação de solos e água, e que é dependente da exploração quase feudal de mão-de-obra migrante. Não há justiça climática nem produção viável com esta agricultura destruidora.

Na próxima 3ª feira, às 14h30, o Climáximo participará, em conjunto com outros movimentos e organizações, na concentração frente à Assembleia da República, onde será discutida em simultâneo uma petição que visa proibir a instalação de mais área agrícola intensiva, sob cobertura ou ao ar livre, no Perímetro de Rega do Mira. Esta petição coincide com os graves casos trazidos recentemente a público, nomeadamente em Odemira, sobre a utilização de mão-de-obra escrava em várias das explorações agrícolas na região. A violação dos direitos básicos dos trabalhadores migrantes está diretamente associado ao modelo produtivo que o Estado Português aí promoveu, e à presença de grandes empresas agrícolas, como a Go Berrys, a Lusomorangos, Maravilha Farms, Atlantic Sun Farms Portugal, Sudoberry, the Summer Berry Company, Haygrove, Hortipor, Gemusering Portugal, Campotec ou Vitacress, que usam as pessoas como meros inputs produtivos.

Este modelo agrícola, ainda por cima instalado numa zona protegida como o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, mostra como o Estado perverteu até as figuras de protecção ambiental, que se tornam ferramentas especulativas, para favorecer meia dúzia de empresas mantidas pelo favor público do regadio e das isenção fiscais, pelo incumprimento de regras ambientais e pela utilização de mão-de-obra migrante ultra-explorada. A agricultura do futuro não é seguramente isto. Produzir alimento de qualidade e quantidade para todas as pessoas não implica exploração laboral, nem a exaustão de recursos naturais.

Perante a crise climática, precisamos de uma agricultura resiliente, adaptada às condições climáticas e à disponibilidade e qualidade de solos e águas, em modelos agroecológicos compatíveis com o actual e o futuro clima, mais seco e mais quente. Permitir a manutenção da agricultura cara, altamente subsidiada e altamente artificializada, é garantir que não teremos um território viável nas próximas décadas. Essa escolha, tomada sem mandato algum por este e outros governos, é a escolha da inviabilidade do território, não só no Sudoeste Alentejano, mas também noutras regiões. É preciso travá-la e construir uma agricultura ambientalmente e socialmente justa, onde a barbárie da escravatura e seus mandantes vá parar ao caixote do lixo da História.


Mais informações no evento de Facebook, aqui.

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