Radar Climático – 9 de Junho

Trabalhadores da refinaria de Matosinhos vão “enfrentar” despedimento coletivo

O despedimento surge depois de a Galp não chegar a acordo com 150 dos 400 trabalhadores que compõem a refinaria. A Comissão de Trabalhadores procurou negociar soluções, mas afirma que a Galp revelou uma intenção clara pelo despedimento coletivo. Na terça-feira, dia 8, os sindicalistas voltaram a reunir com o Ministro do Ambiente, para exigirem uma solução para os trabalhadores.

Consórcio da Galp vai investir 6.540 milhões para desenvolver campo de petróleo no Brasil

Também a Galp, detém 20% do consórcio que vai investir 6.540 milhões de euros no desenvolvimento da fase 1, do campo de petróleo de Bacalhau, no pré-sal brasileiro, Bacia de Santos. O projeto consistirá em 19 poços submarinos e terá a capacidade de produção de 220 mil barris por dia, mais dois milhões de barris de armazenamento. No comunicado a Galp ainda se gaba da sustentabilidade ambiental do projeto, porque a intensidade média de CO2 está prevista em 9 kg por barril produzido, inferior à média global de 17 kg por barril.

Espanha propõe prolongar comboio Madrid-Badajoz até Lisboa

A CP prefere retomar o Lusitânia Expresso pelo norte de Portugal, porém o movimento “Corredor Sudoeste Ibérico” apresentou, através da Renfe, uma proposta à CP para o prolongamento da linha do leste que passa por Badajoz até Lisboa. Esta somaria mais três horas de viagem ao percurso de quatro horas e 20 minutos no território espanhol. Depois do governo português afirmar que, a ligação ferroviária a Espanha estava barrada pelas intenções do lado espanhol, vem ao de cima que existem várias hipóteses possíveis.

Apresentada a Estratégia Nacional para o Mar

O governo lançou a Estratégia Nacional para o Mar, para o período de 2021-2030, estando assente em 10 objetivos. Sendo vago, o governo chega a falar de “Energias renováveis oceânicas”, mencionando o “hidrogénio verde”. Não existem menções à exploração de petróleo ou à mineração submarina, recuando face ao que tinha sido, o já de si vago, programa do conselheiro do governo, António Costa e Silva, apresentado no ano passado, não se perspetivando um retorno à iniciativa dos contratos de petróleo ao longo da costa.

Warren Buffet junta-se a Bill Gates para avançar com falsa solução nuclear

A promoção da falsa solução da energia nuclear, que já contava com Bill Gates, tem agora a adesão de Warren Buffet; totalizando dois bilionários que usam a fachada da filantropia para avançar com iniciativas destrutivas. Estes lançaram uma central no Wyoming, num investimento de mil milhões de doláres, contando com fundos públicos. Deverá demorar 7 anos a ficar operacional. Apesar de ser vendida com uma energia limpa, os problemas da energia nuclear reduzem-na a uma falsa solução.

Rio Negro registra cheia histórica em Manaus

Manaus, a principal cidade da Amazónia, registou na semana passada a pior cheia desde o início das medições do Rio Negro, há 119 anos. Nesta amostra de quase 120 anos, seis das dez piores cheias ocorreram neste século. Além de Manaus, várias outras partes da bacia hidrográfica da Amazónia foram afetadas. Cerca de 450 mil pessoas, 10% da população do estado, foram afetadas.

Ao longo de 18 anos, contabilizam-se mais de 650 milhares de deslocados, devido a cheias. As alterações climáticas são responsáveis pelo aumento deste fenómeno, com o aumento das temperaturas do Atlântico Sul a desencadear chuvas intensas.

Biden suspende arrendamentos de explorações petrolíferas num santuário natural no Ártico

Recentemente, Biden defendeu um grande projeto de exploração petrolífera no Alasca. Esta semana, a umas centenas de quilómetros de distância desse projeto, Biden decide travar os contratos de arrendamentos para a exploração petrolífera de uma das maiores áreas selvagens dos Estados Unidos. O processo está suspenso até ser analisada a sua legalidade. A avaliação ambiental, apresentada pela administração Trump, já tinha sido bastante contestada. De qualquer modo, críticos afirmam que até existir uma proibição permanente de perfuração no Ártico, qualquer decisão poderá ser alterada na próxima administração.

Crise climática está a sufocar os lagos mundiais

A crise climática está a causar uma queda nos níveis de oxigénio em lagos por todo o Mundo, sufocando a vida selvagem e ameaçando as reservas de água potável. Um novo estudo científico revela que, o declínio dos níveis de oxigénio em lagos, aumentou 3 a 9 vezes nos últimos 40 anos, sendo que os níveis de oxigénio diminuíram 19% em águas profundas e 5% em águas superficiais. O aumento da temperatura média do planeta, devido ao aquecimento global, foi identificado como a principal causa deste declínio. Este estudo foi publicado na revista Nature e analisou 45000 perfis de temperatura e quantidade de oxigénio dissolvido, recolhidos de 400 lagos espalhados por todo o mundo.

O degelo no Mar do Ártico está a acontecer duas vezes mais rápido do que se pensava

Como sabido, o degelo no Ártico está a acontecer como resultado da crise climática e do aumento da temperatura média da Terra. Isto origina um ciclo vicioso, em que águas mais escuras estão expostas à radiação solar, levando ao aquecimento do planeta. Em 2019, o IPCC identificou a falta de estudos mais recentes sobre a espessura do gelo do Ártico, como uma das falhas de conhecimento cruciais. Esse estudo científico apareceu agora e utilizou modelos computacionais inovadores, para produzir estimativas detalhadas da cobertura de neve, desde 2002 a 2018. Os modelos monitorizam a temperatura, queda de neve e movimento de blocos de gelo, para avaliar a acumulação de neve. Os dados da acumulação de neve foram utilizados para calcular a espessura da camada de gelo no Ártico. Estes, revelaram que o degelo no Ártico Central está a acontecer duas vezes mais rápido do que foi previamente estimado em estudo anteriores. Este estudo foi publicado na revista The Cryosphere.

Violência sexual contra mulheres nos trabalhos de reparação da pipeline “Line 3” no Minnesota

A empresa canadiana Enbridge, está a construir, no Minnesota, a pipeline petrolífera Line 3, um projecto de 2,9 mil milhões de dólares, que está previsto estar terminado no final deste ano de 2021, e que está a ser ativamente contestado por grupos indígenas locais e ativistas ambientais. Antes do início do projecto, ativistas feministas alertaram para a correlação entre trabalhadores de indústrias extrativistas e o aumento de violência sexual. Apesar disso, o projecto avançou e milhares de trabalhadores chegaram ao Minnesota, em Novembro de 2020. Até agora, já foram reportadas mais de 40 denúncias de assédio sexual a mulheres e raparigas, por parte de trabalhadores da Line 3. Estas denúncias, revelam assédio a mulheres que trabalham em bares e hotéis, perseguições nas ruas e até incidentes mais violentos.

Turquia anuncia mais 135 mil milhões de metros cúbicos de gás

A descoberta deu-se no Mar Negro, e foi acompanhada pelo anúncio da sua exploração, prevista começar em 2023. Isto eleva o total de depósitos descobertos no último ano, para 540 mil milhões de metros cúbicos. Estas reservas ainda não foram confirmadas por auditorias independentes e a Turquia tem considerado a exploração de combustíveis fósseis, como via de saída para as dificuldades económicas dos últimos anos.

Nações do G7 canalizaram milhares de milhões de doláres a mais para os combustíveis fósseis do que para as energias renováveis

Apesar das promessas para uma recuperação verde, de janeiro de 2020 a março de 2021, as Nações do G7 canalizaram 189 mil milhões de dólares para o setor fóssil, dos quais, 115 mil milhões foram para a aviação e indústria automóvel. 80% desse dinheiro foi entregue sem acordos, que exigissem que os setores poluentes cortassem nas suas emissões, em retorno pela ajuda financeira. O relatório mostra como as ações destas nações, não refletem um investimento da sua parte na descarbonização das economias e na criação de empregos verdes.

Crise climática provoca diminuição de 8,5% ao ano do PIB dos países do G7. Portugal diminui 6,3%

As maiores economias do mundo poderão ver a sua riqueza diminuir duas vezes mais do que na crise da Covid-19, se não conseguirem gerir o aumento das emissões de gases com efeito estufa. De acordo com uma investigação conduzida pela Oxfam e a Swiss Re Institute, os países do G7 vão perder cerca de 8,5% do PIB por ano, ou seja, cerca de cinco biliões de dólares, nos próximos 30 anos, caso as temperaturas ultrapassem os 2,6 ºC — uma previsão cada vez mais perto de se concretizar. No caso da economia portuguesa, esta recuaria 6,3% todos os anos até 2050 com base nas atuais políticas ambientais. Apesar de se puderem fazer estimativas com métodos convencionais, não existe sombra de dúvida de que os efeitos das alterações climáticas vão muito além de simples contrações económicas.

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