Radar Climático – 7 de Julho

Incêndio no Golfo do México

Uma rotura no gasoduto subaquático da petrolífera Mexicana Pemex deu origem a um incêndio no Golfo do México, que terá demorado cerca de 5h a ser apagado através de barcos jorrando água por cima do fogo.

Amazónia regista o maior número de incêndios desde 2007

A Amazónia registou 2308 fogos em Junho, o número mais alto desde 2017 e maior do que os de 2020. Na mesma semana em que estes dados foram publicados, Bolsonaro suspendeu o recurso a fogo na região e destacou as Forças Armadas para combater a desflorestação e os incêndios. A Greenpeace respondeu, alertando para o possível aumento dos incêndios no resto do Verão e para a ineficácia das políticas ambientais de Bolsonaro, criticando também a ineficácia das tropas militares para o controlo de incêndios.

A política ineficaz de Bolsonaro, refletida na destruição da Amazónia, tem ainda provocado outras consequências, como a ameaça de retirada de capital por parte de fundos de investimento mundiais e a rejeição de França, suspostamente por motivações ambientais, do tratado comercial entre a UE e o Mercosul.

Bangladesh cancelou planos para construir 10 centrais de carvão

No ano passado o governo do Bangladesh tinha planos para construir 18 centrais de carvão e 10 dessas foram canceladas, alegadamente devido à crescente pressão de ativistas, que exigem uma transição para renováveis e ao aumento dos custos do carvão.

O governo alega preocupação com a necessidade de reduzir as emissões, mantendo, contudo, 8 projetos em cima da mesa. Mohammad Hossain, braço técnico do Ministério da Energia, afirma ainda que esta mudança se deve à redução dos preços do gás “natural” e energia solar, equacionando o gás como parte do plano para uma “transição para renováveis”, que pretendem que sejam fonte de 40% da energia do país até 2041.

Lobistas da ExxonMobil foram filmados a afirmar que o apoio da empresa aos impostos sobre o carbono é um esquema

Um repórter infiltrado do site de jornalismo de investigação ambiental Unearthed, ligado à Greenpeace, filmou dois lobistas séniores, enquanto um deles referia que a ExxonMobil financiou “grupos” que trabalharam para deturpar e negar as evidências científicas sobre o impacto das alterações climáticas, com o objetivo de espalhar a dúvida e impedir regulamentação ambiental. A investigação revela que o lobista Keith McCoy, descreveu o novo plano do presidente dos EUA, Joe Biden, para reduzir as emissões de gases de efeito estufa dos EUA como “louco” e admitiu que a empresa lutou “agressivamente” contra a ciência climática para proteger os seus investimentos. “Estávamos a proteger os nossos investimentos, os acionistas”. Representantes da petrolífera ​​​​já rejeitaram as declarações dos lobistas, mas a empresa pode ter de responder perante a justiça pela acusação de enganar consumidores e investidores sobre o seu papel no combate às alterações climáticas.

Temperaturas da superfície terrestre perto dos 50º C na Sibéria

A temperatura da superfície terrestre no Círculo Polar Ártico em alguns locais da Sibéria “excedeu amplamente” os 35°C no primeiro dia do Verão. Em alguns locais, durante esta onda de calor persistente, a temperatura chegou a atingir picos de 48ºC como registado perto da cidade de Verkhoyansk. No mês de Maio, em certas zonas do Ártico, as temperaturas médias estiveram acima dos 30°C, sendo este número muito mais alto do que a média para este mês do ano. Este facto está em linha com o atraso recorde no congelamento do mar Ártico, no final do ano passado.

Foi oficializado o recorde de temperatura na Antártida: 18,3ºC

Foi confirmado que no dia 6 de Fevereiro de 2020, o termómetro na Base de Esperanza, na Antártida, registou oficialmente 18.3ºC. Depois de mais de um ano de investigação, os cientistas da WMO oficializaram a leitura, estabelecendo um novo recorde histórico de temperatura para o continente mais frio do mundo. A leitura de 2020 na Antártida bateu o recorde anterior de 17,5ºC, ocorrido em 24 de março de 2015. Várias estações registaram temperaturas próximas ou superiores a 15.5ºC nos dias em redor do evento. Nos últimos 50 anos, 87% dos glaciares do lado ocidental da Península Antártica recuaram, principalmente na última década, sendo que as temperaturas durante esse período aumentaram em média cerca de 5ºC.

No Canadá, depois das altas temperaturas o fogo e a destruição

Depois dos recorde de temperaturas de 49,6ºC, a aldeia de Lytton, com cerca de 250 habitantes, na Columbia Britanica, foi consumida pelas chamas. Em 15 minutos a aldeia ficou em chamas e 90% acabou destruída. Já no resto do estado Canadiano, registaram-se 486 mortes súbitas ao longo de 5 dias, comparadas com 165 em circunstâncias normais. O aumento é explicado pelo calor extremo. Estes eventos têm vindo a tornar ainda mais explícito, que o aumento de temperaturas tem efeitos devastadores sobre zonas temperadas repletas de arvoredo, com potencial para fogos e libertação de carbono.

Nova Zelândia bate recordes de temperaturas

Este é o Junho mais quente de sempre na Nova Zelândia desde 1909, o início dos registos. As temperatuas médias estiveram 2ºC acima do que seria normal, com 24 localizações a baterem recordes. Em Moteka, na Ilha do Sul, as médias estiveram 3,2ºC acima do esperado. A anormalidade das temperaturas foi atribuída à deslocação de massas de ar dos subtrópicos, consequência das alterações climáticas.

Temperaturas recorde também registadas na Escandinávia

O calor anormal em zonas de alta latitude não se cingiu à América do Norte. Kevo, na Lapónia Filandesa, resgistou temperaturas de 33,6ºC, a temperatura mais alta desde que os registos começaram em 1914. Em Saltdal, no círculo polar Norueguês, o record ficou perto de ser batido, com temperaturas a atingir 34ºC. Na Suécia, Junho foi o terceiro mês mais quente de sempre.

Protestos no Iraque devido a falhas de energia durante onda de calor

As temperaturas até os 52ºC têm assolado o Iraque e a conjugação destas com falhas no fornecimento de energia, tem gerado vários protestos. As falhas de energia devem-se a vários fatores, especialmente exacerbados durante a invasão americana de 2003.

A mineração em águas profundas pode começar em dois anos após a nação de Nauru dar um ultimato à ONU

A mineração em águas profundas pode começar dentro de dois anos, depois de a pequena nação insular Nauru, no Pacífico, ter notificado o órgão responsável da ONU(ISA), desencadeando a chamada “regra de dois anos”, denominada de opção nuclear, sendo que a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, tem agora tem dois anos para finalizar os regulamentos que regem a polémica indústria e se não fizer neste período os empreiteiros podem começar a trabalhar. A DeepGreen, uma empresa canadiana está à procura de extrair nódulos polimetálicos do fundo do mar que levam milhões de anos a formar-se, são ricos em manganês, níquel, cobalto e outros metais raros, componentes essenciais de baterias para veículos elétricos. A DeepGreen argumenta que esta mineração é uma alternativa “menos prejudicial que a terrestre” e é crucial para a transição para uma economia mais verde. Grupos ambientalistas, e outras entidades, pediram uma moratória sobre este tipo de mineração, pois sabe-se muito pouco sobre o seu impacto.

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