Radar Climático – 28 de Julho

Agência Internacional de Energia alerta para novo recorde de emissões em 2023 

Seguindo a rota atual, a queda de emissões devido à pandemia deverá ser ultrapassada em breve, e já em 2023 as emissões devem bater um novo recorde.

Esta direção é incompatível com a redução de emissões necessária. A Agência Internacional de Energia alerta que reduções de emissões para níveis aceitáveis apenas podem acontecer por ação deliberada e não incidentes económicos como a pandemia e ainda mostra a disparidade entre aquilo que os governos afirmam da necessidade de combater as alterações climáticas e o que fazem na realidade.

33 mortes por inundações na China

Ocorreram as chuvas mais intensas dos últimos 60 anos na cidade de Zhengzhou, habitada por mais de 10 milhões de habitantes, que deixaram parte do sistema de metro submerso e transformaram estradas em canais.

Cerca de 376.000 pessoas foram retiradas, enquanto mais de 200.000 hectares de plantações ficaram arruinadas, e existe um total de 33 mortos e oito desaparecidos.

Associação empresarial pelo desenvolvimento sustentável apresenta um “manifesto”

O Business Council for Sustainable Development (BCSD) Portugal – que conta com uma centena de empresas como a Galp, a EDP, a Endesa, a Cimpor, a Secil, a Navigator, a ANA/Vinci, e vários bancos – divulgou um manifesto com 11 pontos e quer chamar a atenção para a urgência do tema e a relevância da COP26.

Começando por enfatizar a necessidade de combater as alterações climáticas e apontar como referência mecanismos insuficientes como o Acordo de Paris, o Business Council for Sustainable Development (BCSD) Portugal sublinha mecanismos mercantis, como: definir monetariamente o valor dos serviços que a natureza presta; subsídios e mecanismos como o mercado de carbono; a dinamização de parcerias público-privadas e; – os 100 mil milhões de dólares por ano com que os estados deverão sustentar os lucros empresariais.

O governo do Dubai avança com geoengenharia para criar chuva

Nesta cidade do petroestado dos Emiratos Árabes Unidos com escassez de recursos hídricos e com temperaturas que chegaram aos 50ºC nas últimas semanas, o governo pagou quase 1,3 milhões de euros a cientistas para criar tempestades.

Através do lançamento de drones, as nuvens agruparam-se e geraram chuvas torrenciais. Este tipo de atividade segue uma tendência de não resolver as alterações climáticas e ao invés disso, estados ricos como os Emirados Árabes Unidos – que lucram diariamente com os combustíveis fósseis – usam os seus recursos financeiros para moldar o clima a seu favor através da geoengenharia. As consequências de muitos destes projetos são difíceis de prever, com o potencial de gerarem consequências à escala da crise climática.

Projeto da Chevron de captura de carbono falha em grande escala

O que era descrito como sendo o maior projeto de captura de carbono, falhou. Este ocorreu ao longo de 5 anos na Austrália e era operado pela Chevron numa estrutura de gás liquefeito. A meta era de, pelo menos, 80% de captura de carbono, mas apenas 30% disto foi alcançado. No entanto, mesmo esta meta de 80% não contemplava todas as emissões, já que na prática só reduziria as emissões em 40% em caso de sucesso.

Ao longo dos anos o projeto contou com a conivência das autoridades australianas. Em vários anos face aos falhanços de cumprimento de metas estas foram sendo reajustadas, e, no ano passado, o Ministro da Energia Australiano afirmou que o projeto da captura de carbono “já funcionava”.

Assim, a solução apontada pela indústria dos combustíveis fósseis para continuar a lucrar mostra-se incapaz de conter a crise climática, restando como única solução a redução drástica da extração destes.

Conflito laboral prossegue na Groundforce, com discórdia entre sindicatos

Há greve da Groundforce para os dias 31 de julho e 1 e 2 de agosto. Cinco sindicatos mantêm o pré-aviso de greve para os dias, outros três recuam. O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal e o Sindicato dos Trabalhadores dos Aeroportos Manutenção e Aviação – os que têm o maior número de filiados – mantêm a decisão.

Os motivos da greve são os mesmos que há alguns meses – os salários por pagar no setor que sofre drasticamente com a pandemia.

CP poupa 110 milhões com recuperação de comboios

Em ano e meio, a transportadora ferroviária já deu nova vida a um total de 67 unidades, muitas delas inativas durante quase 2 décadas, parte compradas à espanhola Renfe.

A recuperação não só permitiu poupar dinheiro, como foi em grande medida feita por oficinas em Portugal. Este tipo de iniciativa enquadra-se num plano de transportes insuficiente por parte do governo – que em simultâneo aposta na expansão da aviação – mas oferece apenas um vislumbre do que poderia ser um plano de transição justa.

Relatório da APA aponta da redução das emissões em Portugal em 2019, mas isto foi sobretudo uma deslocalização da produção de energia

Saiu em Abril o relatório da APA relativo às emissões de GEE em Portugal em 2019. A principal notícia é que as emissões desceram 5,4% em relação a 2018. Parecendo ser uma boa notícia, há dois pontos importantes a ter em conta.

Primeiro, se as emissões diminuíssem 5,4% todos os anos entre 2018 e 2030, isso corresponderia a um corte de cerca 49% até 2030, em relação a 2018 – o que equivale a um corte de cerca de 50% em relação a 2010. De acordo com uma distribuição equitativa dos cortes de emissões necessários até 2030 para evitar uma subida de temperatura média global acima dos 1,5ºC, Portugal teria de cortar 74% das suas emissões entre 2010 e 2030.

Segundo, é preciso perceber a que se deveu essa descida nas emissões. O relatório da APA diz que houve uma redução das emissões associadas à produção de eletricidade, que segundo a APA se deve ao aumento da proporção de renováveis, ao maior recurso à importação de eletricidade, diminuição da produção em centrais termoelétricas e substituição de carvão por gás fóssil. Olhando para os dados da DGEG, podemos constatar que a produção de eletricidade de fontes renováveis diminuiu 7% entre 2018 e 2019 (de 27 TWh para 25 TWh), o que se deveu principalmente à diminuição da produção hidroelétrica. Então como é que a APA diz que a proporção de renováveis aumentou? Porque a produção total de eletricidade diminuiu 11%. Isto aconteceu porque a subida de 11% na produção com recurso a gás fóssil não foi suficiente para compensar a descida de 54% na produção com utilização de carvão. Por outro lado, o consumo final de eletricidade ficou praticamente igual.

Assim, as emissões diminuíram porque houve uma grande redução na utilização de carvão para produção de eletricidade, sendo substituído principalmente por importações e também, embora em menor escala, por um aumento da utilização de gás fóssil. O que aconteceu entre 2018 e 2019 não foi um passo para a transição energética, mas simplesmente uma deslocalização das emissões associadas à produção de eletricidade, por recurso à importação.

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