Radar Climático – 6 de Outubro

Face ao sucesso do Insulate Britain, no Reino Unido prevê-se um aumento das restrições aos protestos

O movimento Insulate Britain tem vindo a ganhar projeção devido aos bloqueios sucessivos de autoestradas e, em resposta, a polícia deverá ganhar novos poderes de forma a poder restringir os movimentos de ativistas detidos nestas ações.

Assim, quem for detido e tenha uma história de disrupção e/ou o potencial para cometer novas infrações ficará impedido de viajar pelo Reino Unido, numa tentativa de se impedir os sucessivos bloqueios de autoestradas. Em paralelo, foi anunciado que haverá nova legislação para proteger a “infraestrutura nacional crítica” – centrais energéticas, aeroportos e media.

Estas medidas estão alinhadas com a tendência cada vez maior de se restringir as formas de protesto face à crescente contestação por parte do movimento pela Justiça Climática.

Mais 990 milhões de euros para a TAP

Juntando-se aos quase 2,2 mil milhões anteriores, estão previstos quase mais 1.000 milhões no Orçamento de Estado de 2022 destinados à TAP, ficando a fatura total desde o início da pandemia em cerca de 3,2 mil milhões.

Assim sendo, o Estado continua a ter mãos largas para fazer voltar a TAP ao Business as Usual pré-pandemia, ao invés de a colocar num trajeto compatível com a transição energética.

Preços altos dos combustíveis fósseis levam a cortes de energia na China

Para além da Europa, a China também está a sofrer com a escassez de combustíveis fósseis. 20 das 34 províncias estão a ser afetadas – com fábricas a trabalhar em horário reduzido ou mesmo encerradas, lojas à luz das velas e falhas nas telecomunicações. À semelhança da Europa, teme-se um agudizar da crise quando as temperaturas mais baixas incrementarem o uso do aquecimento doméstico.

Esta falta de energia poderá ter consequências para a economia mundial, com as manufaturas da China a poderem não ser capazes de dar resposta à procura mundial.

Apple, Disney, Microsoft e Amazon apoiam grupos contra a transição energética

Estas são empresas que supostamente apoiam a transição energética. Por exemplo, o dono da Amazon, Jeff Bezos, afirmou que as alterações climáticas são “a maior ameaça ao nosso planeta”, a Microsoft, fundada por Bill Gates, afirma que dentro de uma década quer ser “negativa em carbono”, a consultora Delloite proporciona informação aos seus trabalhadores sobre a crise climática.

No entanto, segundo o Accountable.US, na hora da verdade e recorrendo ao lobbying, estas empresas estão a mobilizar-se contra o plano de 3,5 biliões de dólares apresentado pelos democratas para descarbonizar a economia dos Estados Unidos. Grupos de interesse representantes destas empresas dizem estar contra a iniciativa pública, pois esta irá “subir impostos e matar empregos”.

Destaque para farmacêuticas como a Bayer e AstraZeneca que se encontram entres as opositoras a este plano, depois de terem beneficiado de milhões em apoios públicos e mais tarde terem tido avultados lucros com a vacina contra a COVID-19.

Tudo isto revela que a oposição à transição energética não parte só das empresas exploradoras de combustíveis fósseis. Todo o setor empresarial se opõe a esta transição a partir do momento que esta implique a mobilização de recursos públicos.

Pandora Papers são a nova fuga de informação com dados sobre offshores e fuga aos impostos

À semelhança de outros episódios como os Panama Papers, estas fugas de informação trazem a público informações que estavam sob segredo de bancos sediados em paraísos fiscais, como as Ilhas Caimão. Entre os políticos agora descobertos, e que fugiram aos impostos nos seus países, estão o antigo Primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, e os atuais Ministro das Finanças dos Países baixos e Primeiro-ministro Checo. Em Portugal, destaque para os nomes do antigo ministro da Economia e lacaio da EDP Manuel Pinho e da figura de destaque no PSD Nuno Morais Sarmento.

Este tipo de descoberta revela a fuga massiva aos impostos que é praticada, no dia-a-dia, pelos mais ricos, privando os estados de receitas que poderiam ser destinadas a iniciativas públicas como, por exemplo, a transição energética.

Um dos maiores desastres ambientais na história recente da Califórnia  

Em Orange County, na Califórnia, houve um derrame de 570 mil litros de petróleo, que atingiu quase 2 km de comprimento de costa. É um dos maiores derrames de sempre na Califórnia e o crude, que escapou devido à rotura de um oleoduto, infiltrou-se nos pântanos e contaminou as reservas ecológicas da região, causando a morte de diversos peixes e aves.

A rotura de um oleoduto, entre uma plataforma oceânica de petróleo e a costa sul da Califórnia, está na origem do acidente. A empresa dona do oleoduto, a Amplify Energy, tentou encobrir o derrame, só avisando as autoridades no sábado, porém, a população local afirma que já na sexta-feira havia um odor intenso a alcatrão perto das praias.

Alterações climáticas: “Não vamos combater nada, temos de nos adaptar”

“A geógrafa e climatóloga Ana Monteiro considera que não devemos combater as alterações climáticas, mas sim adaptarmo-nos a elas, e que essa adaptação não passa por medidas abrangentes como a descarbonização, mas agindo à escala de bairro.”

Para a professora catedrática e investigadora do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, “no caso climático, o discurso do combate é perigoso, porque nos dá a impressão de que a ciência e a técnica são capazes. Não são, não é possível”. Por isso, defende cidades adaptadas: “Adaptada não quer dizer que não tenha riscos”.

Isto significa que até na comunidade científica começam a surgir vozes a afirmar que a subida da temperatura média da Terra acima de 1.5ºC ou 2ºC é inevitável, mas que os seus efeitos não serão catastróficos e é possível que as populações se adaptem a estas alterações. Isto é uma irresponsabilidade e uma ingenuidade, se olharmos para o que acontece, diariamente, à frente dos nossos olhos, um pouco por todo o mundo.

Empresas de transporte marítimo de mercadorias prometem cortar emissões se os governos apoiarem o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono

A indústria naval global comprometeu-se a reduzir para zero as emissões de gases de efeito estufa até meados do século, mas apenas se os governos impuserem uma taxa obrigatória sobre o combustível naval para financiar o desenvolvimento de uma nova tecnologia de baixo carbono.

A International Chamber of Shipping (ICS), que representa a maior parte da indústria naval global, submeteu os planos à International Maritime Organization (IMO), órgão regulador mundial e parte da ONU. O grupo da indústria naval pediu que se criasse um imposto de carbono sobre o transporte marítimo, o que permitiria criar um novo fundo para o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono e um corte de 25% nas emissões até 2030, passando para zero emissões do transporte marítimo até 2050.

Os ativistas climáticos alertam que os planos são irrealistas e acusaram o ICS de obstruir o progresso de outras medidas alternativas, que provavelmente seriam mais eficazes. A meta atual da IMO é reduzir para metade as emissões de dióxido de carbono do transporte marítimo internacional até 2050, embora os cientistas tenham alertado que as emissões globais de gases de efeito estufa devem chegar a zero líquido em meados do século, para se poder limitar o aquecimento global a 1,5 ° C. O transporte marítimo representa cerca de 3% das emissões globais, mas é provável que aumente para cerca de 17% até 2050 se o setor não for regulamentado e o transporte não for coberto pelos tratados climáticos da ONU.

Famílias poupariam aproximadamente $ 5443 se todo o funcionamento das suas casas e dos seus carros fosse eléctrico

O relatório Castles and Cars, da empresa energética australiana Rewiring Australia, revela que a conversão de todos os eletrodomésticos e carros para que funcionem com eletricidade poderia eliminar um terço das emissões de gases de efeito estufa da Austrália e poupar às famílias $ 40 mil milhões por ano até 2028. Substituir aparelhos e veículos movidos a combustível fóssil por modelos elétricos até 2030, e alimentá-los com energia solar, que é cada vez mais barata e eficiente, pode economizar $ 5.443 por ano, para cada família australiana, e reduzir as emissões domésticas a zero, afirma o relatório. No entanto, este relatório assenta nos atuais consumos de energia, ou seja, na substituição da atual frota de carros por carros elétricos.

O autor do relatório, Saul Griffith, disse que a Austrália está numa posição única para eletrificar as residências devido à sua densidade populacional, à sua capacidade de geração de energia renovável e às suas políticas estaduais e territoriais. Também disse que o primeiro passo seria a criação de um programa piloto para reformar todos os edifícios de um subúrbio, e que o modelo utilizado seria posteriormente ajustado para implementação a uma escala mais ampla.

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