Gás é Andar Para Trás

Climáximo faz parte da Gastivists, rede internacional de colectivos de base que lutam contra gás fóssil. Por um mundo livre de combustíveis fósseis e por uma transição justa, fazemos parte da campanha Gás é Andar Para Trás, em Portugal, lançada em Dezembro de 2019.

As nossas acções contra gás fóssil antes da campanha, aqui.

Novidades sobre a campanha, aqui.


Manifesto da Campanha

Existe uma retórica falsa, propagandeada em publicidade empresarial, discursos institucionais e políticos, de que o gás fóssil é caracteristicamente “natural”. O adjetivo “natural” que acompanha todas as referências ao gás carrega conotações de uma origem não poluente e amiga do ambiente. Esta retórica tem de ser urgentemente desconstruída. O gás é tão “natural” como o petróleo, formando-se geralmente nos mesmos depósitos debaixo do solo. É o termo gás fóssil que se deve tornar natural na linguagem corrente e no discurso político e mediático, bem como a perceção clara da sua associação aos restantes combustíveis fósseis. E um combustível fóssil não pode, naturalmente, fazer parte duma transição de combustíveis fósseis para energias renováveis.

A ciência diz-nos que os ecossistemas do planeta não conseguem suportar nenhuma nova infraestrutura de combustíveis fósseis. As infraestruturas hoje existentes já emitem gases com efeito de estufa mais do que suficientes para ultrapassar um ponto sem retorno na crise climática. Sabemos que para limitar o aumento de temperatura média terrestre a 1.5ºC face a níveis pré-industriais temos de cortar essas emissões, a nível mundial, em mais de 50% até 2030. E os países mais ricos devem ter metas mais ambiciosas do que esta, uma vez que têm mais capital, tecnologia e maior responsabilidade histórica. Investir em gás fóssil é investir diretamente no caos climático, injustiça social e destruição dos ecossistemas!

Com esta campanha, exigimos:

  • O cancelamento de todos os novos projetos de prospeção e exploração de gás, incluindo nas áreas designadas por Batalha e Pombal;
  • A proibição da fracturação hidráulica em Portugal, assim como da importação de gás fóssil obtido por esse método;
  • A revogação do Decreto-Lei 109/94;
  • O fim do financiamento e incentivos públicos aos projetos de gás em Portugal e na Europa;
  • O encerramento faseado de todas as infraestruturas existentes de produção de eletricidade a partir de gás fóssil, com uma transição justa que garanta formação profissional e emprego digno para quem neste momento depende do trabalho nestas empresas;
  • A substituição progressiva do gás fóssil em todos os sectores por fontes renováveis de energia, que se encontrem o mais próximas possível dos locais de consumo, de forma a reduzir os custos energéticos e garantir novos postos de trabalho dignos em todo o país;
  • A adoção urgente de medidas eficazes de eficiência energética nos edifícios residenciais e nos processos industriais;
  • O cancelamento de todos os projetos de novas infraestruturas de gás, incluindo projetos de expansão do Terminal de Gás Liquefeito (GNL) em Sines e o projeto de gasoduto entre Guarda e Bragança;

Defendemos uma transição justa para alternativas limpas e sustentáveis à energia hoje proveniente do gás fóssil, e denunciamos a narrativa falsa e perigosa que pinta o gás como solução de transição.

O Gás fóssil é tão natural como o petróleo. Gás é andar para trás. Urge andar para a frente, para garantir um planeta habitável para as gerações presentes e futuras. Junta-te a esta luta!

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