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Declaração de Estado de Emergência Climática

Em 2019 assumimos, de forma explícita e consciente, a mudança sistémica como a nossa missão social e política, declarando dentro do Climáximo um estado de emergência climática e lançando um processo profundo de reestruturação interna. Todos os anos temos aatualizado as medidas que tomamos com base na realidade. No verão de 2023, mudámos tudo.

Coragem para fazer história

Há 4 anos que declarámos emergência climática dentro do Climáximo. Nessa altura, já sabíamos que os governos e as empresas não iam travar a crise que criaram, e que nós éramos aquelas de quem estávamos à espera para nos salvar. Mas durante estes anos, alguma parte de nós quis acreditar que não chegaria a tanto: que talvez ainda chegaria o momento perfeito para nos revoltarmos, talvez outras pessoas viriam para nos ajudar, talvez não tivéssemos de arriscar mesmo tudo.

Chegámos ao verão de 2023, e a memória que fica connosco do ano que passou são catástrofes brutais e milhares de mortes que mesmo nós, no Climáximo, temos de nos esforçar para não tornar banais: a sentença – quer de prisão, quer de morte – de dezenas de companheiras nossas por todo o mundo que se insurgiram contra o genocídio e ecocídio do capitalismo; as notícias de que a barreira de 1.5ºC de aquecimento pelos quais milhões de pessoas lutaram, poderá ser ultrapassada em apenas alguns anos; e aquela que foi a semana mais quente de sempre, e que brevemente deixará de o ser.

Não estamos apenas numa emergência global, estamos em guerra. Anualmente, governos, empresas e instituições criadas para manter a aparência de paz, matam em todo o mundo, em busca de lucro, pelo menos milhares de pessoas. No momento em que vivemos, cada tentativa de aumento de emissões corresponde à tentativa, não negociável, de construir um novo campo de concentração. Cada ano que passa sem o corte de 10% das emissões globais é um ano em que milhões de pessoas morrem em campos de concentração. Cada dia em que não os travamos e destruímos as suas armas de aniquilação, é mais um dia sem paz. Há muito que eles – governos, empresas e instituições – declararam guerra às pessoas. Há muito que eles nos estão a matar. Há muito que eles demonstram não ter intenções de parar. Foram os crimes deles que nos trouxeram agora à beira de um ponto de não retorno. É o pé deles no acelerador para o inferno climático.

Mas e nós que vemos isto a acontecer e não fazemos de tudo para parar as mortes? Cada dia em que a crise climática não é o tópico principal da agenda pública, que nós não fazemos tudo o que está ao nosso alcance para os travar, é um dia em que estamos a ser cúmplices com o genocídio e o ecocídio e a deixar os seus crimes passar em branco. O estado de falsa paz social em que estamos deve-se ao esforço deles de nos manter dissonantes da realidade catastrófica em que vivemos. É preciso quebrar esta falsa sensação de paz e deixar visível que há muito que eles declararam guerra à humanidade.

Foi também tudo aquilo que nós, no Climáximo, fizemos e o que não fizemos para os travar que nos leva a perceber que já nada do que fizemos continua a fazer sentido. O que a emergência climática exige de nós em 2023 é uma rutura completa com o que foi o Climáximo até hoje e uma transformação total de quem nós somos.

2023 é o ano em que nos comprometemos a:

  1. Aceitar que o governo e as empresas estão em guerra com a sociedade e o planeta.
  2. Construir a resistência e ripostar apesar dos riscos pessoais e organizativos que podemos vir a correr.
  3. Criar a coordenação internacional que implementa a justiça climática, dentro dos prazos ditados pela ciência.

Fá-lo-emos com coragem, porque é a nossa única hipótese de travar o colapso civilizacional e implementar a paz.

Em Dezembro, voltaremos a avaliar os compromissos que fizemos para travar esta guerra, e perceber que transformações temos que continuar a fazer.