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Assembleia Popular Pós-Kristin

No passado dia 12 de Abril, o colectivo (R)existência Colectiva e o Climáximo organizaram uma assembleia em Leiria, que reuniu cerca de 30 pessoas para, por um lado, dar sentido à tempestade que afetou gravemente a região; e, por outro lado, perceber como nos organizamos para apoiar as populações afetadas, e lutar para travar a crise climática e a sua causa de raiz.

Oriundas da cidade de Leiria e de outras partes do distrito, as pessoas presentes na assembleia estavam preocupadas com as consequências da tempestade, com a emergência climática e com as injustiças que catástrofes como a Kristin aprofundam.

Apesar de ter sido uma tempestade sem precedentes, a Kristin não foi uma manifestação isolada da crise climática na região, que tem sido sucessivamente fustigada por incêndios. A assembleia respondeu, assim, a uma vontade de processar, pensar e politizar o que aconteceu, de forma coletiva, e à necessidade de fazer um ponto de situação dos impactos da Kristin quase três meses depois e perceber o que devemos reivindicar.

Realçamos alguns números e factos partilhados durante a assembleia que ilustram a devastação na região:

  • 504 pessoas ficaram sem casa na região centro

  • trabalhadores em situação de lay-off (possibilidade de agravamento, pois algumas empresas devem fechar permanentemente)

  • apenas 10% das candidaturas para os apoios para reconstrução de casas foram aprovadas e atribuídas. Há cerca de 34 mil candidaturas.

  • pessoas sem contratos de arrendamento foram expulsas de casas danificadas pela Kristin, porque os proprietários não quiseram avançar com reparações e preferiram a opção de expulsar os seus inquilinos

  • regimes de trabalho temporário facilitaram abusos de trabalhadores – os primeiros a serem dispensados

  • precariedade laboral e na habitação exacerbaram os impactos da Kristin na vida das pessoas e vice-versa.

Salientou-se, assim, que os impactos da Kristin oferecem, uma vez mais, a lição de que trabalhadores e populações organizados em sindicatos, por setores laborais, como inquilinos, etc. tem a capacidade de se proteger, combater abusos de direitos dos trabalhadores e a especulação e precariedade na habitação, e lutar por mais e melhores condições de vida.

Na assembleia, falou-se da despreparação e desresponsabilização do Estado, que acabou por relegar para os municípios e freguesias a tarefa de lidar com um nível de calamidade para o qual não têm competências. Reforçou-se a obrigação das entidades do governo central estarem preparadas para responder a fenómenos climáticos extremos, ao mesmo tempo que é imperativo que se criem competências ao nível municipal, de freguesias e das comunidades.

A Kristin mostrou que ação popular é fundamental, em que se repetiu o lema “só o povo salva o povo” para refletir as ações de solidariedade e entre-ajuda que se multiplicaram nas semanas após a tempestade. No entanto, pessoas da assembleia que estiveram envolvidas em esforços de ação popular destacaram a falta de experiência de coordenação e de organização comunitária. Ficou claro que é necessário voltar a aprender a organização popular: criar estruturas sólidas de coordenação que cuidem dos territórios e das suas populações de forma contínua, para construir poder popular.

Desde o Climáximo, reforçámos que as bombas climáticas que caíram na região de Leiria fazem parte dos contínuos ataques do capitalismo às nossas vidas – um sistema que põe o lucro acima do cuidado da vida. Um sistema económico que torna habitação, saúde, educação, alimentação, energia em mercadoria para aumentar acumulação de riqueza de uns poucos à custa do povo. Um sistema comandado por multinacionais com a subserviência de governos que nos forçam a depender de combustíveis fósseis por ser essa a sua grande fonte de lucro, mesmo sabendo que isso vai provocar morte massiva e uma vida miserável para a maioria da população global. Por isso, travar mais e piores catástrofes climáticas evitando o colapso climático significa desmantelar este sistema no curto-prazo.

Relembrou-se ainda que com o verão à porta e com a previsão de ondas de calor ainda mais intensas que em anos anteriores, cresce o medo de mais devastação através dos incêndios, num momento em que os destroços de árvores e outros resíduos florestais ainda estão por retirar.

Isto acontece ao mesmo tempo que se intensificam os ataques à nossas vidas: o pacote laboral, facilitação de despejos, mais militarização, mais guerras por combustíveis fósseis que estão a acabar com a vida no planeta e estrangular o povo em Portugal, pelo aumento do custo de vida que já era demasiado alto antes da guerra imperialista contra o Irão.

A assembleia fechou com um apelo à organização para defender os nossos territórios e comunidades, e à luta por um futuro em que uma vida digna para todas as pessoas é possível.

Próximos passos destacados foram:

  • A manifestação contra o pacote laboral nesta sexta-feira, 17 de Abril, em Lisboa

  • O desfile do 25 de Abril em Leiria

  • A jornada de luta do 1º de Maio

  • A concentração da Semana de Luta pelo Futuro, convocada pelo Climáximo e Greve Climática Estudantil para 15 de Maio, às 18:30, em frente à sede do governo. O manifesto está aberto à subscrição por organizações.

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