Este Consenso de Ação é o acordo de base para a ação Parar os Aviões, no próximo dia 1 de Junho, em Lisboa. Este documento é uma necessidade para organizarmos uma ação transparente e acessível para toda a gente. Numa ação com muitas pessoas, este acordo coletivo é a nossa bússola e ferramenta principal para cuidarmos umas das outras. Todas as pessoas que concordam com o mesmo são mais que bem-vindas a participarem na ação.
No dia 1 de Junho, às 15h, vamos encontrar-nos na Alameda D. Afonso Henriques Rotunda do Relógio, no lado da Avenidade do Brasil, para daí seguirmos para o Aeroporto de Lisboa, para uma assentada popular. Vamos perturbar esta infraestrutura na hora de pico dos voos, no dia com mais tráfego aéreo da semana, de formas diversas e criativas. O foco principal será uma assentada no átrio do aeroporto onde nos juntaremos, com determinação, para desafiar o rumo ao colapso climático para o qual governos e empresas estão a dirigir-nos conscientemente, numa guerra aberta contra a humanidade e o planeta. Iremos abordar centenas de pessoas no decurso deste dia para que, juntas, paremos de compactuar com a destruição de tudo o que nos rodeia e tomemos nas nossas mãos a responsabilidade de desmantelar as bombas de carbono apontadas às nossas vidas, como é o caso do aeroporto. Vamos fazê-lo de forma empática, gentil e com honestidade. Atravessaremos ou contornaremos pacificamente quaisquer bloqueios de forças policiais ou de segurança.
No aeroporto vamos, com coragem e criatividade, ocupar o espaço durante o máximo de tempo possível com os nossos corpos. O nosso objetivo é perturbar o normal funcionamento da infraestrutura com mais emissões de gases com efeito de estufa do país. Pretendemos desafiar a narrativa dominante sobre a necessidade de expandir a aviação, sobre a qual existe um consenso generalizado entre os partidos políticos a concorrer às eleições, apontando para o único futuro compatível com a ciência climática: um decrescimento drástico do tráfego aéreo, com investimento massivo em transportes públicos grátis e eletrificados para todas as pessoas.
A ação é divulgada publicamente, e todas as pessoas, com ou sem experiência, são bem-vindas a participar. Até lá, vamos preparar-nos com treinos, e teremos, nas assembleias de preparação de 24 e 27 de maio, momentos de esclarecimento abertos a todas as pessoas que queiram participar na ação, que incluirão informações legais relevantes. No decorrer destes momentos cada pessoa fará uma decisão consciente entre as diferentes formas de participar no dia 1 de junho, seja na assentada, fazendo algum papel de apoio à ação ou simplesmente seguindo em conjunto até ao aeroporto.
A nossa ação não é contra as pessoas que possam ser por ela afetadas, nem é dirigida à polícia ou aos trabalhadores do aeroporto. Reagiremos calmamente a qualquer possível provocação por parte de alguém que se manifeste contra a mesma. Reconhecemos poder causar incómodos às pessoas presentes no aeroporto, nomeadamente aquelas que irão apanhar voos. Ainda assim, iremos manter-nos firmes nesta ação, pois o que está em jogo são as nossas vidas e as de todas as pessoas que amamos. Evitar a destruição em curso justifica esta pequena perturbação da normalidade que, após sucessivas tentativas por outras vias, vemos como a única forma possível de abrir na sociedade a discussão sobre como vamos criar um movimento popular capaz de desafiar o curso da história.
Os culpados desta guerra têm nomes: governos, ANA, Vinci, TAP e todas as empresas dependentes de um sistema fóssil que está a condenar a humanidade à morte e à miséria para preservar os seus lucros. Mas apenas as pessoas comuns podem agir para travá-los e construir soluções para enfrentar o maior desafio com que a humanidade alguma vez se deparou.
O decorrer da ação será decidido em conjunto, pelo plenário dos delegados e pela organização da ação. Assumimos a responsabilidade coletiva pelo sucesso da ação. Vamos assegurar um processo transparente, com comunicação clara, respeito e apoio integral a todas as pessoas alinhadas com este Consenso de Ação.
Tomaremos conta umas das outras antes, durante e depois da ação, e estaremos vigilantes face às necessidades e capacidades das pessoas que nos rodeiam. Estaremos com presença e atenção completa, não estando sob efeito de álcool ou outras drogas pesadas.
Não iremos tolerar qualquer tipo de discriminação entre as pessoas que aceitam este Consenso e participarão na ação. Ambicionamos criar um espaço livre de opressão e discriminação, e que nos desafie a construir uma sociedade mais justa, equitativa e inclusiva. Somos pessoas de diversas origens sociais e políticas. Vemo-nos como parte do movimento pela Justiça Climática, cabendo a todas nós o enorme desafio de travar o colapso climático. Convidamos outros grupos a juntar-se a nós e a trazer consigo mensagens que interagem com os temas da ação, mas a apresentar-se como parte de uma ação coesa, sem símbolos, logótipos ou práticas que quebrem a visão unitária da ação. A nossa luta é contra todos os sistemas interligados de opressão e discriminação. Estamos em solidariedade com todos os povos que lutam por um planeta justo e habitável.
