“22 pessoas foram mortas, centenas desalojadas, milhares de casas danificadas e, mais de 100 dias depois, milhares de pessoas ainda têm as suas vidas afetadas pelas escolhas da indústria dos combustíveis fósseis que, apoiada pelos governos, está a levar-nos para o inferno.”
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Hoje, pelas 8 da manhã, apoiantes do Climáximo bloquearam a Avenida Almirante Gago Coutinho na entrada para a Rotunda do Areeiro, durante 30 minutos. Seguravam uma faixa com a marcante imagem da A1 destroçada em pedaços pelo “comboio de tempestades” que assolou Portugal no início deste ano. Tinham ainda cartazes com as frases “A Kristin tem culpados”, “22 mortes”, e “mais de 240 mil casas atingidas”.
Matilde Alvim, administrativa, explica que “estamos aqui hoje em resistência porque, passados três meses desta bomba climática, não podemos esquecer a Kristin, as famílias e comunidades afetadas. Não podemos olhar para o lado e esperar que não nos aconteça a nós. Não podemos enfiar a cabeça na areia, quando sabemos que o que aconteceu não é um caso isolado e que, se nada fizermos, tempestades como a Kristin vão ser mais e inimaginavelmente piores.” Matilde remata que “a única forma de isto não ser o “novo inverno” seguido de verões infernais é se mobilizarmos as nossas forças para pararmos coletivamente as petrolíferas e empresas de combustíveis fósseis que todos os dias cometem crimes contra a humanidade e implementarmos transições energéticas justas, soberanas e populares. Todos nós temos de parar o nosso dia-a-dia e agir coletivamente, agora!”.
O coletivo relembra em comunicado que só no comboio de tempestades mais de 20 pessoas foram mortas e mais de 1 milhão ficaram sem energia elétrica, cerca de 240 mil casas foram danificadas, dezenas de escolas foram fechadas, património cultural foi destruído e, passados mais de 100 dias, ainda são visíveis os danos. Postes danificados e cabos provisórios continuam no chão, diversos acessos considerados estratégicos para o combate a incêndios ainda estão bloqueados, cerca de 20 mil famílias seguem sem serviços fixos de comunicações e “centenas batalham por reconstruir as suas casas e as suas vidas com pouca ou nenhuma ajuda do Estado e à mercê das seguradoras sedentas de lucro”.
Para Sinan Eden, doutorado em matemática e presente neste protesto, “este Verão é muito preocupante porque o risco de incêndio nas zonas afetadas pela tempestade é ainda mais elevado e o governo não tomou as medidas necessárias para a prevenção de incêndios. Três meses após o ministro da economia dizer que as pessoas atingidas pela depressão Kristin devem usar o “ordenado do mês passado” até chegarem os apoios, as novas medidas do governo não dão apoios e obrigam a que todas as habitações passem a ter um seguro, apesar de as pessoas atingidas dizerem que os seguros não estão a dar resposta. Perante a violência atroz da indústria fóssil e do governo, a única resposta razoável é a entreajuda acompanhada de luta coletiva para travar a crise climática”.
No dia 15 de Maio, às 19:00, ocorrerá uma assembleia popular onde se irá discutir “como podemos continuar a ajudar as pessoas atingidas pela Kristin e como podemos travar os combustíveis fósseis”. Esta acontecerá em frente à sede do Governo, integrada na concentração pacífica “Luta pelo Futuro” que conta igualmente com música e uma bicicletada pela Palestina.


