Os estudantes pelo Fim ao Fóssil convocam a manifestação “A nossa vida não está à venda”, agendada para dia 9 de março, dia de tomada de posse do futuro Presidente da República.
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Em dia de voto para o próximo Presidente da República, os estudantes menores de idade que não podem votar do movimento “Fim ao Fóssil” pronuncia-se em comunicado sobre estas eleições. “O presidente eleito nestas eleições terá um mandato até 2031. Se os adultos conseguem escolher alguém para estar em poder até 2031 como é que não estamos a agir e a falar seriamente sobre o que é necessário acontecer até 2030 para garantir a nossa sobrevivência e dignidade? Em Portugal, precisamos do fim aos combustíveis fósseis até 2030 para conseguirmo garantir um futuro com as condições básicas de vida, às pessoas vivas hoje. Estas vão ser as últimas eleições decisivas sobre o que vai acontecer até 2030 em Portugal, após as legislativas e as autárquicas em 2025. E nenhum dos candidatos quer garantir o nosso futuro”, afirma Ari Jesus, 15 anos, estudante de secundário.
“Supostamente, a função de um Presidente seria garantir funcionamento democrático do país, certo? Então qual é a resposta adequada de um Presidente dado um governo atual até 2030 cujo plano é destruir todos os serviços básicos – como a saúde, educação e habitação – e acelerar rumo a secas e falta de água, ondas de calor mortíferas, aumento de conflitos armados e destruição das condições para a existência de Vida? Para nós, os jovens que vão sofrer com as decisões hoje tomadas, a situação é simples: ou o presidente não vai permitir que continue em funções um governo que está a vender o futuro e vida das pessoas comuns, ou não tem legitimidade para cumprir a Constituição”, clarifica Fernanda Pimentel, estudante da António Arroio e porta-voz da Greve Climática Estudantil.
O movimento Fim ao Fóssil afirma que “os poderes políticos continuam a vender o nosso futuro à indústria fóssil. Com a ascensão do fascismo e do imperialismo fóssil, continuam a fazer planos para piorar a emergência climática em que vivemos e em que já vemos milhares de pessoas a morrer todos os anos. Travar a emergência do fascismo passa por pôr um fim a esta economia fóssil suicida. Se não os pararmos, estamos a deixar que nos condenem a um mundo de catástrofes, fomes e secas, condenados a ver tudo o que amamos arder”.
Como “solução”, Matilde Alvim, trabalhadora em loja e porta-voz do Climáximo, aponta a necessidade da “organização da sociedade civil – quer sejam jovens estudantes, quer sejam trabalhadores, ou até pensionistas. Não podemos aceitar o fim do mundo como única opção. Os governos e ultra-ricos deixaram claro de que lado estão: o lado da morte e da bárbarie. Contudo, é ainda possível parar esta loucura. É possível uma sociedade sem combustíveis fósseis e em verdadeira paz, que coloque no centro as necessidades das pessoas. Hoje, sabemos que os governos estão em guerra com a Vida mas que nós podemos parar esta guerra e ganhar Justiça Social, se agirmos agora, lado a lado”.
A Greve Climática Estudantil e o Climáximo convocam a manifestação “A Nossa Vida Não Está à Venda” para dia 9 de Março em frente ao Palácio de Belém: “vamos demonstrar que não seremos governados por quem vende as nossas vidas”.
