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Comunidades Atingidas pelos Incêndios

Comunidades Atingidas pelos Incêndios

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Se vieste parar a esta página, provavelmente tiveste contacto com alguém da nossa equipa em algum momento. Pode ter sido na rua, num evento público, ou numa reunião. Ou pode ter sido um vizinho que partilhou contigo a sua preocupação. Esperamos que essa conversa te tenha intrigado, inspirado ou despertado a tua curiosidade. Talvez ainda tenhas ficado com algumas questões que não tivemos a oportunidade de esclarecer. Por isso, estamos aqui para te dar mais contexto e mais detalhes.

Somos comunidades atingidas pelos incêndios em Portugal. Organizamo-nos localmente e estamos em articulação com o Movimento Internacional das Comunidades Atingidas por Barragens, Crimes Socioambientais e Crise Climática.

Esta página em particular é alojada pelo Climáximo, um coletivo informal por justiça climática. (Para saber mais, lê aqui.) O Climáximo está a apoiar as comunidades a se auto-organizarem para fazerem face a pararem os incêndios e também a ajudar na articulação nacional entre as comunidades atingidas.

Ninguém para além dos seres humanos como os que conheceste. As comunidades estão auto-organizadas, são pessoas como tu que estão a dedicar o seu tempo a cuidar das suas comunidades. Ao mesmo tempo a malta do Climáximo que está a apoiar é voluntária e tem trabalhos para além da sua militância.

Não ganhamos nada com isto, à parte de um sentido de solidariedade e da construção de poder popular para agirmos em conjunto.

Os incêndios florestais estão a matar pessoas e a destruir vidas em Portugal e por todo o mundo. O mesmo acontece com a crise climática, cujo impacto e velocidade é cada vez maior. Os governos escolheram deixar o business-as-usual seguir o seu curso. Para nós, isto significa desastre atrás de desastre, e uma ameaça constante sobre as comunidades e os territórios. Apenas as comunidades atingidas pela crise climática, agindo em solidariedade e por justiça global, podem resolver este problema.

Por isso, precisamos de nos organizar. Organizar significa pessoas juntarem-se para resolver os problemas que encaram. Tão simples quanto isso. Como é que isso se irá parecer na prática? Há várias formas e ângulos sobre os quais podemos agir para fazer face aos incêndios. Mas a resposta a esta pergunta só pode ser construída pelas pessoas que estão a fazer o trabalho de organizar.

A pessoa que falou contigo está a oferecer o seu apoio, bem como a convidar-te para organizares a tua comunidade para enfrentar esta catástrofe.

Para começar, não precisas de confiar em nós. Precisas de confiar em ti e na tua comunidade, fazendo da solidariedade a tua bússola. Podes contar connosco para te apoiarmos a organizar a tua comunidade.

Por outro lado, as comunidades que estão na linha da frente dos incêndios sentem na pele o que vem e o que já veio. A crise climática, a seca e as ondas de colar assustam-nos e preocupam-nos muito. Temos muito pouco tempo para puxar o travão de emergência.

Para além disso, o Climáximo é composto pelas pessoas que puseram os seus corpos na linha da frente para alertar o público sobre a emergência climática e as atrocidades que os governos e empresas desenharam para a humanidade. Para além das marchas pelo clima, campanhas e construção de alianças, fizeram ações com um alto nível de risco. Experienciaram centenas de detenções e encararam dezenas de casos em tribunal por terem tomado ação directa não-violenta pelo clima. São pessoas comprometidos com a causa por justiça climática. Estamos aqui para ganhar, ou seja, travar os incêndios florestais e impedir o colapso social e climático.

O plano é construirmos um plano em conjunto.

Carregamos connosco décadas de experiência. Também temos lições dos movimentos mais antigos, bem como experiências que aprendemos de movimentos internacionais.

Valorizamos a especificidade de cada contexto, assim como a unidade estratégica. Vamos ter de descobrir em conjunto como avançar.

Se tiveres o contacto da pessoa que conheceste, por favor entra diretamente em contacto com ela.

Caso contrário, provavelmente a melhor opção é enviares-nos um e-mail.

Em qualquer caso, temos muito interesse em continuar em contacto contigo.

Temos acesso a muitos recursos e treinos em organização de comunidades que teremos todo o prazer de partilhar com quem quiser organizar a sua comunidade.

Podemos acompanhar-te enquanto preparas reuniões ou tens conversas individuais com os teus amigos, vizinhos ou familiares.

Podemos apoiar-te a organizar eventos públicos ou a falar com pessoas que ainda não conheces.

Podemos dar-te apoio com ferramentas estratégicas enquanto constróis o teu plano.

Podemos pôr-te em contacto com pessoas que estão a fazer trabalho semelhante em Portugal e noutros países.

Em tudo isto, por favor tem em conta que somos todos pessoas que trabalham e que fazemos isto no tempo que nos sobra dos nossos outros compromissos. Por isso, é importante para nós que tomes iniciativa e liderança neste processo. Esta é, de facto, a única forma de termos hipótese de vencer.

O melhor primeiro passo é organizares uma reunião com as pessoas próximas de ti (amigos/as, familiares, vizinhos/as) sobre o assunto.

Teremos todo o prazer em acompanhar-te na preparação, na execução, e no seguimento desta reunião. Deixa-nos uma mensagem ou um e-mail, e nós daremos seguimento a partir daí.

Têm contactos no meu concelho para eu me organizar?

 

Ao longo do nosso trabalho, cruzámo-nos com vários grupos locais.

As suas atividades variam bastante: regeneração dos solos e ecossistemas (agroecologia, agricultura sintrópica, deseucaliptização, etc.), prevenção dos incêndios (faixas de segurança, equipas de vigilância popular, formações de proteção civil etc.), combate aos incêndios (planos de evacuação, infraestruturas para combater os incêndios, etc.), apoio às pessoas atingidas pelos incêndios (sessões de esclarecimento, acesso aos apoios públicos, etc.) e recuperação (reflorestação, ordenamento do território, etc.).

Não temos contacto direto com todos os grupos que encontrámos. Mas mesmo assim pensámos que seria interessante partilhar contigo todos eles, para poderes ajudar a construir o movimento com quem já se está a organizar. Os destaques sinalizam somente o nível de conhecimento direto e contactos diretos que temos com o grupo.

Norte

A’branda o Fogo, organização de vizinhos no Soajo, Arcos de Valdevez, para criação de faixa viva corta-fogo, reflorestação e regeneração. Organizam ajudadas abertas e eventos públicos.

Isto Não Fica Assim, criada em Vilarinho da Castanheira e Pinhal do Douro no município de Carrazeda de Ansiães, na sequência dos incêndios de 15 de agosto de 2026, por causa da falta de resposta do Estado.

Centro

ADPLP – Associação de Desenvolvimento e Proteção Local das Póvoas, nas freguesias de Valongo e Macinhata do Vouga em Águeda, junta moradores/proprietários de várias aldeias serranas gravemente afetadas pelo incêndio em setembro de 2024; com o fim/objetivo de desenvolver ações sociais e de cidadania que visem o desenvolvimento local, rural e o apoio na proteção dos habitantes e dos seus bens.

Casa de Gigante, associação cultural (e espaço comunitário) na freguesia de Várzea dos Cavaleiros (Pereiro e Vale de Pereiro), na Sertã, serve de ponto de encontro das populações locais para preparação popular para os incêndios. Organizam reuniões comunitárias e eventos públicos.

Movimento de Ação Ecológica, também na Sertã, organiza ações de sensibilização ambiental.

Cova da Beira Converge, na Covilhã, é um movimento de cidadãos e organizações que se unem para definirem e implementarem acções concretas que aumentem a auto-suficiência e resiliência desta bio-região.

CooLabora, também na Covilhã, promove igualdade de oportunidades, participação cívica, educação, formação e inclusão social.

Arbor – Associação da Região de Benfeita para Objetivos Regenerativos, na freguesia de Benfeita, em Arganil, é uma organização de base bastante ativa. Tem um plano popular e uma equipa de primeira intervenção aos incêndios.

Trust Collective, na União das Freguesias de Côja e Barril de Alva, em Arganil, é uma associação cultural (e espaço comunitário) que incentiva a criação e a cooperação, numa estreita relação com a natureza envolvente, a comunidade e o território local.

As Pastoras Felizes, é uma organização de base em Arganil que tem um rebanho comunitário de cabras.

Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, em Pedrógão Grande, é uma organização popular de apoio às comunidades atingidas pelos incêndios, criada depois dos incêndios de 2017.

Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões, em Tábua, é uma organização popular de apoio às comunidades atingidas pelos incêndios, criada depois dos incêndios de 2017.

Bravo Mundo, na Travacinha, em Seia, foi criado depois dos incêndios de 2022, com Grupos de Trabalho sobre reflorestação, sobre incêndios e sobre política.

Grande Lisboa e Península de Setúbal

Climáximo, coletivo aberto em Lisboa, luta pela justiça climática. Dinamiza o Movimento das Comunidades Atingidas pelos Incêndios em Portugal, apoia as comunidades atingidas e articula as lutas locais.

SOS Quinta dos Ingleses, em Carcavelos, Cascais, defende a preservação do espaço verde da Quinta dos Ingleses.

MUDA – Movimento de União em Defesa das Árvores, é um coletivo informal em Lisboa em defesa de árvores em espaços públicos.

Alcácer P’lo Ambiente, em Alcácer do Sal, faz ações de sensibilização e comunicação.

Sul

Cooperativa Regenerativa, em São Luís, Odemira, é uma cooperativa integral com projetos de regeneração dos solos.

Cooperativa TerraSeixe, criada na sequência do grande incêndio de 2023 em Odeceixe, Odemira, acompanha o apoio popular às comunidades atingidas e promove uma gestão integrada e sustentável do território e criação da Área Integrada de Gestão da Paisagem.

Movimento Mata Viva, em Barão de São João, Lagos, é um grupo de voluntários que se juntaram após o incêndio (130 ha ardidas em setembro de 2025) para apoiar o ICNF com a reflorestação.

Project Earth, baseada na freguesia de Santa Clara, em Odemira, é uma associação com projetos comunitários e culturais, como Guardiões do Mira e Aldeias à Vista.

Associação Terra Sintrópica, em Mértola, tem vários projetos de regeneração dos solos.

Medronheira em Rede é uma organização de vizinhos no concelho de Aljezur, para recuperação dos solos e regeneração, criada depois dos incêndios de 2025.

Rewilding Sudoeste, em Aljezur e Odemira, é uma associação de proprietários com vários projetos de rewilding.

PS: Se tiveres conhecimento de outros coletivos que organizam as comunidades atingidas pelos incêndios ou se tiveres alguma informação adicional sobre os que estão na lista, avisa-nos por e-mail por favor.