Greve em escolas e protesto na Assembleia da República pelo Fim ao Fóssil
Estudantes fazem greve às aulas em várias escolas de Lisboa em protesto pelo Fim ao Fóssil. Uma centena está em protesto na Assembleia da República, onde decorre a tomada de posse do novo Presidente da República. Estudantes apela à participação no protesto esta manhã na Assembleia e à tarde no Palácio de Belém.
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Hoje, estudantes das escolas secundárias António Arroio, Liceu Camões e da Faculdade de Ciências, Faculdade de Letras e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas fizeram greve às aulas e estão na Assembleia da República em protesto, para deixar claro que não serão governáveis quando o “poder político está a vender a nossa vida à indústria fóssil”.
Os estudantes exigem que o Presidente que hoje toma posse se comprometa com o Fim ao Fóssil até ao ano de 2030 e acusam-no de não ter escutado os milhares de estudantes que assinaram a carta a exigir o fim dos combustíveis fósseis como uma reivindicação existencial. “Hoje toma posse um presidente com mandato até 2031. Como é que é possível que não se consiga comprometer com travar a crise climática nos prazos da ciência? Há poucas semanas Portugal sofreu os efeitos devastadores da crise climática, com o comboio de tempestades que deixou milhares de pessoas sem casa e sem acesso à eletricidade, algumas durante quase um mês. A ciência é clara: se não pararmos os combustíveis fósseis, estas catástrofes vão tornar-se a norma. Se para Seguro a prioridade fossem os jovens, não estaria a escolher vender a nossa vida e futuro à indústria fóssil.” afirma José Borges, 17 anos, um dos porta-vozes.
Esta manhã dezenas de alunos fizeram piquete nos portões das escolas secundárias Liceu Camões e António Arroio. Salomé Duarte, 17 anos, uma das estudantes hoje em greve, afirma que “estudamos para ter um futuro, mas para serve isso quando estão a vender as nossas vidas? Hoje fazemos greve e sacrificamos um dia da nossa educação, para lutarmos pela existência de um futuro. A crise climática já está a afectar diretamente o direito à educação, como vimos no mês passado dezenas de escolas fechadas e destruídas em Portugal pelas tempestades.”
Este dia de protesto está inserido num momento europeu de protestos estudantis “Os governos e ricos querem guerras, nós queremos um futuro”. Os estudantes apontam para os recentes ataques dos Estados Unidos ao Irão, Venezuela e Cuba como mais um exemplo da escalada imperialista associada a interesses geopolíticos e energéticos e denunciam a cumplicidade do governo português. Deixam claro: o escalar das guerras a que temos assistido está profundamente ligado à defesa de interesses económicos e ao controlo de recursos de combustíveis fósseis, agravando simultaneamente a crise climática e as desigualdades sociais. “A única forma de pararmos a continuação da destruição em diferentes frentes é deixarmos de usar os combustíveis fósseis até 2030”, acrescenta José.
Além do protesto desta manhã está convocada uma assentada e assembleia popular em frente ao Palácio de Belém às 18h30 sob o mote “A nossa vida não está à venda”. Os estudantes dizem que vão estar em frente ao Palácio durante toda a tarde, apelando a que todas as pessoas que “querem responder à violência atual com entreajuda, luta e organização coletiva para se juntarem”.




