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Quem é o Climáximo?

Provavelmente já ouviste falar de nós em contextos completamente diferentes, de fontes completamente diferentes. Num período específico, a nossa comunicação talvez te tenha dado uma impressão completamente diferente. No geral, o nosso website pode ser confuso se quiseres ter a visão completa (full picture) – especialmente porque tal coisa é quase inexistente. Por isso queremos contar-te um pouco sobre este coletivo chamado Climáximo.

Nós somos um coletivo informal e anticapitalista, composto totalmente por pessoas precárias que se voluntariam durante várias horas das suas vidas para a justiça climática, num ambiente com orçamento zero. Isto significa que não é claro quem está no coletivo e quem não está. O que importa é que algumas pessoas juntam-se e fazem coisas juntas. Então, o que importa é o que estas pessoas fizeram e o que isso significa.

Tentando apontar que tópico o Climáximo tem trabalhado, talvez a única maneira que possa descrever tudo seria a justiça climática.

 

Os primeiros anos do Climáximo foram dedicados à resistência a projetos de petróleo e gás em todo o país. Apoiando grupos de frente e articulando uma rede nacional, nós participámos no movimento popular que em menos de uma década (2014-2020) cancelou todos os 15 contratos. Esta linha de trabalho continuou com as campanhas Gás é Andar para Trás (2020-2024), Parar o Gás (2022-2024) e End Fossil / Fim ao Fóssil (2024-atualmente).

Em conjunto com a luta contra os projetos de combustíveis fósseis, o Climáximo desenvolveu um enquadramento da justiça climática através da campanha Empregos para o Clima (2016-2023). Trabalhámos com sindicatos, tivemos centenas de reuniões com trabalhadores de setores-chave e produzimos relatórios detalhados sobre como alcançar uma eliminação progressiva dos combustíveis fósseis com uma transformação ecossocial rumo à democracia energética.

 

Outro tema central ao qual as pessoas do Climáximo dedicaram os seus esforços foi a aviação. Isto envolveu ações de massa como Em Chamas (2021) e Parar os Aviões (2025), bem como articulações com o movimento pela habitação contra o turismo de massas. Algumas pessoas focaram-se também especificamente nos jatos privados com a campanha Abolir os Jatos (2023).

O Climáximo abordou quase todos os tópicos associados à crise climática. Para citar alguns, foram feitas ações dirigidas aos bancos e ao setor financeiro, sistemas alimentares, acordos comerciais, custo de vida, justiça global, sistemas de transporte, política industrial e muitos outros… Um tema que talvez mereça destaque são os incêndios florestais, associados à monocultura e às políticas de ordenamento do território. Isto incluiu a Caravana pela Justiça Climática (2022), bem como os esforços mais recentes de organização na linha da frente (2025).

Sabemos que, mais do que os temas, a imagem que fica de nós são as táticas. Mas mesmo quanto a esse aspeto, podes ter uma perspetiva completamente diferente dependendo do momento em que estás a olhar.

Desde os seus primeiros dias, o Climáximo esteve na linha da frente das marchas pelo clima, facilitando um espaço para que dezenas de organizações se unissem sob a bandeira da justiça climática. A plataforma Salvar o Clima organizou um total de onze manifestações (2016-2022).

Houve vários bloqueios de massa na cidade em que o Climáximo esteve envolvido, como o Extinction Rebellion (2019), Nós Somos os Anticorpos (2020), Em Chamas (2021) e Parar Enquanto Podemos (2024).

Houve também ações de massa contra infraestruturas poluentes, como o Acampamento pelo Gás / Camp-in-Gas (2018), Galp Must Fall (2020), Vamos Juntas (2021), a Caravana pela Justiça Climática (2022), o Acampamento 1.5 (2022), Parar o Gás (2023) e Parar os Aviões (2025).

Nos últimos anos, houve também uma vaga de ações levadas a cabo por apoiantes do Climáximo. Estas tinham duas vertentes: por um lado, ações de disrupção pública, como bloqueios de estradas e interrupções de eventos e espaços culturais; por outro lado, ações de disrupção e destruição direcionadas a empresas responsáveis pela crise climática (2023-2025).

Ao longo de todo este processo, produzimos uma quantidade decente de relatórios e documentos de proposta política. Alguns dos que valem a pena mencionar são os relatórios da campanha Empregos para o Clima (2016, 2019, 2021), o Inventário Nacional de Emissões (2021), o Estudo de Caso sobre a Transição Justa em Sines (2022) e a síntese mais recente de todas as nossas aprendizagens no Plano de Desarmamento e no Plano de Paz (de 2023 em diante).

Enquanto fazíamos tudo isto, houve também um enorme trabalho de construção de movimento.

A nível nacional, estivemos na equipa de organização de um total de dez Encontros Nacionais de Justiça Climática anuais (2016-2025). Participámos também ativamente em dezenas de alianças entre movimentos, como a Rede 8 de Março (2016-2019, embora a rede continue), a plataforma Resgatar o Futuro (2020), a plataforma Casa para Viver (de 2022 em diante), o movimento pela Palestina e um número incontável de manifestações pela justiça social nas suas mais diversas formas.

A nível internacional, estivemos presentes em todos os espaços de articulação nos quais nos foi possível contribuir. Começando pela Climate Justice Action (2015-2023), Beyond Gas (de 2016 em diante), Stay Grounded (de 2016 em diante), a rede Global Climate Jobs (2016-2022), os Encontros Ecossocialistas Internacionais (de 2018 em diante), a By 2020 We Rise Up (2018-2020), o Acordo de Glasgow (2020-2022), a Conferência Social da Terra (2023), Their Time to Pay (2023), The Surge (2025), People’s Platform Europe (2025) e centenas de conferências, acampamentos, ações e encontros.

Estamos a listar tudo isto por uma razão simples: se queres criar uma “identidade” do Climáximo com base no que as pessoas fizeram sob a sua alçada, vais ter muita dificuldade. O que importa é algo um pouco mais profundo e diz respeito ao estado de emergência climática em que vivemos.

Tudo o que foi dito acima foram ensaios e experimentações, com erros (por vezes colossais) e com vitórias (por vezes gigantescas), frustrações e celebrações. Aconteceu acertarmos no ponto de equilíbrio; noutras vezes, falhámos redondamente o alvo. Algumas vezes metemos os pés pelas mãos (e criámos matéria suficiente para aprender de uma assentada), outras vezes fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Se estás à procura de pessoas perfeitas, vais ficar profundamente desapontado ao conviver com quem fez coisas no Climáximo.

Uma frase como “O Climáximo é o coletivo que faz X” não tem significado. Quanto muito, o Climáximo é o coletivo que faz o que precisa de ser feito num movimento específico e num contexto específico.

O Climáximo é um espaço de atenção e de agilidade estratégica.

O Climáximo é um espaço onde vais encontrar pessoas com determinação, disponíveis para fazer o que for preciso.

O Climáximo é um espaço de honestidade e de disciplina de aprendizagem.

Não é uma identidade fixa. É um espaço coletivo em construção. (Na verdade, esta cultura está plasmada na Declaração do Estado de Emergência Climática no seio do Climáximo, que todos os anos coloca em causa todas as prioridades estratégicas e o funcionamento do coletivo.)

Em suma: o Climáximo é onde encontras pessoas com quem podes contar.

Esta é apenas uma de muitas formas de contar a história dos dez anos do Climáximo e do que o Climáximo pode eventualmente significar. (Talvez a história mais coerente seja a que é contada no nosso livro coletivo publicado recentemente, Quebrar em Caso de Emergência.)

Este artigo é apenas uma entre muitas formas de te estendermos a mão e te convidarmos a caminhar connosco.