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1,8 – ONU assume desistência estratégica perante “inevitável” colapso climático

A nova tendência de normalizar a guerra declarada contra as pessoas e o planeta

O que diz a ONU?

No seu último relatório, a ONU diz que é inevitável ultrapassarmos o limite de 1,5ºC e alcançarmos, no mínimo, 1,8ºC acima dos valores de temperatura de referência.

Numa lógica derrotista, a ONU assume que agora os governos e empresas precisam de tentar não ir além desse valor.

Mas o que é a meta de 1,5ºC?

É uma meta definida pela ciência que diz que a “barreira de segurança” para a Humanidade é não aquecer mais do que 1,5ºC de temperatura média global em relação a níveis pré-industriais. Esta é uma meta medida ao longo de vários anos.

O que pode acontecer se ultrapassarmos os 1,5ºC ou os 1,8ºC?

Vários sistemas naturais perdem a capacidade de serem recuperados e desencadear mudanças irreversíveis que agravam ainda mais a crise climática – os chamados mecanismos de feedback podem levar a que ultrapassemos pontos de não retorno.

Se com 1,5 ºC os impactos previstos já seriam maus, com 1,8 ºC os efeitos seriam catastróficos.

  • Desaparecimento de países insulares

  • 70% a 90% dos recifes de coral desaparecerão

  • Ondas de calor, secas e inundações mais severas tornar-se-ão o novo normal

  • Verão sem gelo no Ártico

Já ultrapassámos definitivamente a meta dos 1,5ºC?

Não, mas estamos muito próximas.

A temperatura global da Terra já aqueceu pelo menos 1,4°C desde níveis pré-industriais.

Com os planos atuais dos governos e empresas, as estimativas para o fim do século são de 3 a 5 °C – o inferno que vivemos este verão passaria a ser “os bons velhos tempos”

Mas então, por que é que a ONU já desistiu?

Normalizar a crise climática é uma nova fase da guerra declarada por governos e empresas contra as pessoas e o planeta.

Os incêndios, as ondas de calor, as cheias e as tempestades são todos efeitos que os líderes políticos e económicos já sabiam que iriam acontecer quando decidiram viciar o sistema em combustíveis fósseis.

Para esconder a sua culpa, governos e empresas agora tratam os eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos como “inevitáveis”.

A ONU desiste porque sabe que não vão ser as instituições criadas pelos governos e empresas a travar a guerra que estes nos declararam.

Esta é uma desistência estratégica. Ela sabe que as suas COPs nunca vão resolver nada, mas precisa que elas continuem a acontecer para as empresas e governos planearem os seus próximos ataques e poderem dizer-se “muito preocupados” com a situação.

É uma desistência que precisa, porém, de ser justificada, e para isso normaliza os efeitos desta guerra declarada como um “inevitável colapso”

Então, o que temos de fazer?

O consenso científico diz-nos que precisamos de reduzir 50% das emissões globais até 2030. Em Portugal, com critérios de justiça histórica, é necessário cortar 85% das emissões.

Isso significa desmantelar a indústria fóssil e transicionar para energias renováveis já!

A janela de tempo para impedir o colapso climático é cada vez menor. Estamos em contra-relógio.

Precisamos de mudanças profundas num curto espaço de tempo. Precisamos de uma revolução que trave a expansão da indústria fóssil e de guerra, que desative as infraestruturas emissoras para cortar emissões e reconstrua uma nova sociedade.

Não podemos ficar à espera que tenhamos a proteção daqueles que nos trouxeram até aqui e que agravam ainda mais a situação ao aumentar emissões e iniciar guerras imperialistas por combustíveis fósseis.

Não nos mexermos é caminhar de olhos vendados em direção à câmara de gás em que o planeta se está a tornar.

Os governos e grandes empresas estão a matar-nos e a ONU já desistiu de fazer algo há muito tempo

Cabe-nos a nós, pessoas comuns, lutar para ficarmos abaixo de 1,5°C. Todas as pessoas precisam de juntar-se à resistência pela vida.

E tu? Vais consentir ou vais resistir?

Lê mais sobre o Plano de Desarmamento e o Plano de Paz.