Acampada Lisboa - O acordar social para uma luta por um futuro digno
Todas as pessoas têm um direito inegável à habitação e à terra, são uma condição básica de sobrevivência. Retirar pessoas de onde estão a viver, seja através de despejos ou de deportações, é um ato contra a vida. Viver em crise climática é viver em convulsões ambientais, políticas e sociais. Expulsar as pessoas das suas casas, das suas comunidades ou de onde moram é colocá-las no meio das cheias, ondas de calor, conflitos sociais e precariedade.
Estamos presentes e apoiamos a acampada, porque é a manifestação popular de indignação e procura de um futuro de que todas precisamos em que a vida vale mais que o lucro. A habitação é um pilar básico que o capitalismo rejeita ativamente, tendo as elites rasgado todos os contratos sociais que mitigavam a guerra entre as classes. Eles não querem que tenhamos casa ou que sequer possamos reclamar de não tê-las, e foi isso que aconteceu ontem. Pelas 6h da manhã, uma força armada, escudada, protegida e treinada diariamente para a violência atacou no fim da madrugada um grupo de pessoas normais, ensonadas, mas comprometidas. O resultado foi que a polícia exerceu violência sobre manifestantes pacíficos e deteve vários, inventando à posteriori desculpas várias para prender pessoas e tentar assustá-las. Todos conhecemos estas táticas. Não há nada de novo. Mas a solidariedade manteve-se, as pessoas juntaram-se e houve uma assembleia popular para decidir que a acampada vai voltar, hoje, dia 21 às 19h. (Vem e traz a tua tenda!)
Mas, afinal, o que querem?
→ Acabar com os despejos, as desocupações e as demolições sem alternativa de habitação digna, garantindo casa para todas as pessoas;
→ Tornar públicos todos os edifícios abandonados, convertendo-os em habitação pública;
→ Definir normas ambiciosas de autonomia e eficiência energética nas habitações acompanhadas por apoio público;
→ Planeamento do território com a participação das pessoas que nele habitam, delineando soluções comunitárias que garantam que a reprodução social é partilhada equitativamente e usa os recursos de forma eficiente, bem como o acesso fácil e rápido a transportes públicos.
Em suma, um plano de investimento para habitação pública, para garantir casas de condições dignas para todas as pessoas, através de autonomia e eficiência energética.
Precisamos de garantir as necessidades básicas para toda a gente, para que todos tenham uma vida digna, numa sociedade justa e num planeta habitável. Tudo o que toca ao público deve ser público, e a serviço do público, devendo ser retirado do mundo da maximização do lucro.
(Podes saber mais das propostas no Plano de Desarmamento e Plano de Paz do Climáximo, um plano realista, executável, em constante alteração, construído a várias mãos que deixa claro o que é necessário fazer para garantir que temos futuro e que futuro é esse.)
Porque, o que estamos a viver por todo o mundo é um conflito entre ricos e pobres, entre proprietários e arrendatários, entre os que ganham e os que perdem – uma guerra entre classes. É a mesma guerra que impede que haja casas para as pessoas enquanto oferece viagens ao espaço para milionários, investe milhares de milhões de euros em armas, trava qualquer corte de emissões e o fim da indústria fóssil, garantindo o colapso social e climático que estamos a assistir.
Por não serem lutas distintas, por terem a mesma base do lucro acima da vida, estamos cá, juntas e em luta!

