Portugal acordou hoje com várias estradas, pontes e as autoestradas A25 e A6 cortadas com protestos de Agricultores.
O coletivo Climáximo está solidário com a ação de protesto dos agricultores. Sabemos que só as pessoas na rua poderão travar a crise climática.
Dias após o corte de água para agricultores no Algarve e após o governo ter apresentado mil milhões de fundos, sabemos que estes não vão resolver nenhum dos problemas dos agricultores ou da agricultura em Portugal.
Sabemos que períodos de seca vão ser mais intensos e regulares em todo o território nacional e é essencial aumentar a resiliência de agrossistemas a eventos extremos. É preciso garantir também a eficiência da utilização dos recursos, sejam eles água, solos ou energia.
Mas a agricultura promovida por governos e empresas apenas incentiva mais artificialização e a aposta em culturas agrícolas para exportação, muitas das quais nunca deveriam existir nos territórios onde são plantadas.
Acabamos de viver o ano mais quente de sempre e a agricultura depende essencialmente de estabilidade climática. Também sabemos que o modelo agrícola e pecuário altamente artificializado (dependente de um minúsculo monopólio de empresas de sementes, fertilizantes e distribuição que faz com que este modo de produção seja caro e destrutivo) é promovido há décadas e é responsável por 13% das emissões em Portugal. A agricultura industrial já falhou e vai continuar a falhar e os agricultores sabem-no bem. As principais reivindicações do protesto são contra o corte de fundos europeus da Política Agrícola Comum, contra a grande distribuição (supermercados que esmagam pequenos agricultores dominando os preços) e contra acordos de comércio livre.
A produção alimentar – nacional, europeia e internacional – está em perigo. As falhas de colheitas não vão parar de repetir-se. Precisamos de uma agricultura diversificada, rural e urbana, para alimentar toda a gente e uma distribuição fora dos mecanismos de mercado e de especulação.
Para combater a crise climática é necessário parar e repensar vários setores da sociedade.
O setor agroalimentar é um deles, e precisaremos de conversar com todos os agricultores, para construir um modelo agrícola de futuro, que, longe do oportunismo das grandes empresas fósseis e do agronegócio, responda à nova realidade climática.
