
Há um ano saímos à rua por uma Floresta do Futuro porque sabíamos que as chamas que atravessam hoje o país eram e são uma ameaça constante. Continuarão a sê-lo enquanto tivermos uma área florestal e um mundo rural perigosos para quem cá vive e para quem habita este país. As chamas voltaram, depois de um verão que tanto louvaram como ameno. Mas a nova realidade climática, combinada com a devastação da indústria do papel e celulose, da biomassa e da bioenergia, arrasta-nos como uma âncora para o fundo, com a cumplicidade de todos os governos.
O fogo que mata bombeiros e trabalhadores nos campos, que destrói casas e infraestruturas essenciais para as comunidades é acompanhado pelo fumo que intoxica e não nos deixa respirar em nenhuma parte do país. Sofremos sob o peso da destruição do mundo rural, do abandono, da eucaliptização, das espécies invasoras, dos cortes dos serviços de proteção e vigilância.
Estes fogos são consequência direta de uma floresta abandonada, eucaliptizada e saqueada por indústrias destruidoras. Em cima disso, o clima cada vez mais quente e errático promove a aceleração do deserto. As celuloses e os governos não têm qualquer plano alternativo a isto e por isso, sete anos depois de 2017, o país volta a ser devastado por incêndios catastróficos. Hoje estamos pior do que estávamos em 2017 e há culpados por essa situação: muito além dos criminosos incendiários, as celuloses e os governos que se recusaram a mudar o que quer que fosse. Isto não pode acontecer de novo.
Mais do que nunca, temos de acordar e agir enquanto é tempo, para construir uma verdadeira floresta do futuro. Essa floresta tem de ser arrancada das mãos da indústria do eucalipto e da biomassa. Temos de transformar a mistura explosiva de eucaliptal, pinhal e invasoras em verdadeira floresta e bosques resilientes, que aguentem o futuro mais quente, que travem o deserto e promovam uma rehabitação digna do interior do país.
No próximo domingo, dia 22 de Setembro, saímos à rua em protesto em cidades e vilas por todo país. Portugal está a arder e não podemos mais ficar a dormir.
Em Lisboa seremos centenas a marcharmos domingo. Encontramo-nos às 17h00 na Praça José Fontana (Picoas, Lisboa) e iremos até à Navigator.
Se queres organizar uma concentração ou uma marcha na tua aldeia, na tua vila ou na tua cidade, entra em contacto nas redes de @emergenciaflorestal

Parabéns pena iniciativa.
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