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Estivémos no Encontro Global pelo Clima e pela Vida ANTICOP2024 em Oaxaca, México

Entre 4 a 9 de Novembro em Oaxaca, no México, o Climáximo marcou presença juntamente com 250 ativistas de todos os continentes no Encontro Global pelo Clima e pela Vida em Oaxaca, no México. O encontro foi convocado por várias organizações mexicanas e coletivos Oaxaqueños de base e teve lugar nas instalações coletivas da organização Organización Indígena en Defesa de los Derechos Humanos Oaxaca (OIDHO) em Santa María de Atzompa, nos subúrbios de Oaxaca. O mote da AntiCOP era ser um espaço de encontro do movimento em defesa da vida a nível global em alternativa à COP, com destaque para a amplificação dos movimentos e lutas no Sul Global. Um outro objetivo era fortalecer a articulação entre o movimento global por justiça climática e os vários movimentos de defensores de terras indígenas e campesinos.

Assim, ao longo de 5 dias reuniram-se organizações do movimento por justiça climática, defensores dos territórios indígenas, organizações campesinas e afrodescendentes, organizações de trabalhadores e de migrantes, e movimentos anti-coloniais pela libertação de territórios ocupados ilegitimamente. Em particular destacamos a luta do povo indígena Yaqui (MEX) contra a seca extrema devido ao desvio do seu rio por parte do governo; a luta da comunidade do Bosque em Tabasco (MEX) cujas casas estão a ser inundadas pelo aumento do nível do mar; as lutas pela justiça e libertação nacional contra as potências coloniais e imperialistas na Nova Caledónia (colonizada ilegitimamente pela França), Papua Ocidental (ocupada ilegitimamente pela Indonésia), Palestina (ocupada ilegitimamente por Israel), Baluchistão (ocupado ilegitimamente pelo Paquistão), e Saara Ocidental (ocupado ilegitimamente por Marrocos); a vitória histórica para manter o petróleo debaixo do solo no parque nacional do Yasuní (Equador) levada a cabo pela nacionalidade indígena Waorani; a batalha das ilhas do Pacifico contra o desaparecimento das suas ilhas, história e cultura; a luta contra o gigante gasoduto EACOP no Uganda e África Oriental, entre tantas outras.

Qual a ligação entre os fogos em Portugal que mataram 9 pessoas em 2024, e o desaparecimento de ilhas como Samoa no Pacífico? Qual a ligação entre as políticas anti migratórias na Alemanha e a crise na fronteira entre o México e os Estados Unidos? Qual a ligação entre a ocupação ilegítima da Papua Ocidental, rica em gás fóssil e com uma floresta tropical importante, e a demanda europeia por fósseis? Todas as histórias de luta e resistência partilhadas no encontro são diferentes ataques da mesma guerra. Todos somos diversos, mas sabemos que temos o mesmo inimigo: o sistema capitalista e colonial que há muito que declarou guerra aos povos e à Natureza. Com os seus vários tentáculos, a máquina de destruição do capitalismo devasta a vida dos povos em todo o mundo roubando a água, a terra, a floresta, explorando no campo e na cidade, colonizando, reprimindo, afogando e incendiando.

Após vários dias de trabalhos, a declaração final do evento afirma a unidade dos povos de todo o mundo para travar a guerra que os Governos e as empresas declararam aos povos e ao planeta, reafirmando articulações entre o movimento por justiça climática, indígena, campesino, migrante, e de libertação nacional e anti-colonial. Convocou-se uma caravana popular para 2025 desde o México pela América Central até Belém, no Amazonas brasileiro, onde será a Cúpula dos Povos face à COP30; bem como um dia de ação global no dia 10 de Novembro. Apelou-se também à organização de Anti-COPs regionais antes da Cúpula dos Povos em Belém para o fortalecimento dos planos do movimento para travar a guerra que nos declararam. Por fim, criou-se uma rede dos povos pela terra e pelo clima para a continuação da articulação.

Destacamos ainda a importância da solidariedade internacional, em especial com lugares onde luta pela vida pode custar a própria vida. Quando estávamos no encontro, recebemos a notícia que foram assassinadas em Oaxaca, a poucos quilómetros, as defensoras do território indígenas Adriana e Virginia Ortiz Garcia. Relembramos estas companheiras e todas aquelas e aqueles que, ano após ano, pagam o custo de lutar pela justiça e liberdade com a sua própria liberdade, assassinadas pelos Estados, pelo crime organizado e pelas empresas.

O Climáximo fez também a apresentação “Handbrake to Stop Climate Collapse”, que contou com a presença de dezenas de pessoas.

 

Podes ler a declaração final aqui em espanhol, e aqui em inglês.

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