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A Economia Fóssil Esvazia-nos o Prato

Insegurança alimentar

Em 2025, 4,1% da população em Portugal estava em situação de insegurança alimentar moderada ou grave.

Isto é, 600 mil pessoas não tinham garantias de acesso a alimentos em quantidades suficientes, principalmente famílias com crianças.
No mundo, são 2,33 mil milhões de pessoas.

A tendência é que o número de pessoas em insegurança alimentar vá aumentar – e muito – em Portugal e no mundo, porque…

Crise Energética global

A guerra imperialista dos EUA e de Israel contra o Irão e consequente fecho do estreito de Ormuz levou ao aumento exponencial do preço dos combustíveis, resultando na subida do custo de vida, incluindo o cabaz alimentar.

Setor agrícola foi especialmente afetado:
preço do gasóleo agrícola aumentou ainda mais que gasóleo rodoviário
o bloqueio de 20 a 30% da exportação global de fertilizantes agrícolas sintéticos em Ormuz levou ao aumento dos preços dos fertilizantes

A asfixia dos fósseis

O modelo agrícola está viciado em fertilizantes e fitofármacos derivados de combustíveis fósseis.

Deixar de os usar ou cessar atividade são opções para agricultores com dificuldade crescente em cobrir custos de produção. Mas um corte abrupto não acompanhado de apoio e práticas de regeneração dos solos e da paisagem pode resultar em graves quedas nas produtividades das culturas agrícolas.

Já o uso de fertilizantes e de fitofármacos sintéticos degrada os elementos da biosfera que permitem a prática agrícola e no longo prazo tem consequências nefastas na capacidade produtiva dos solos e na saúde dos ecossistemas.

O resultado é menos alimento e de qualidade acessível.

A crise climática

Em Portugal, depois da passagem das tempestades Kristin, Leonardo e Marta, os prejuízos do setor agrícola estimavam-se em cerca de 500 milhões de euros. Isto traduz-se em menos produção de alimentos no país.

A ONU confirma que os sistemas alimentares globais estão prestes a colapsar. O calor extremo já impossibilita agricultores de trabalhar no campo, mata muito mais animais na terra e no mar, e reduz a produtividade agrícola.

Estamos a caminho de um clima com cada vez mais calor, secas, tempestades e incêndios, e, por isso, com radicalmente menos alimentos.

A crise é o capitalismo

A insegurança alimentar é um produto do sistema económico e político. Hoje produzimos comida mais do que suficiente para alimentar todas as pessoas no mundo, mas alimentar o mundo inteiro não rende.

Em plena crise global de fertilizantes e insumos agrícolas, enquanto agricultores lutam para continuar a atividade e pessoas temem a fome, empresas com monopólios desses produtos, como a Dow e a BASF, veem os seus lucros dispararem.

O capitalismo não está para nos alimentar. Nós somos o alimento da ganância insaciável das elites.

Garantir alimentação

No imediato, temos:

  • apoiar agricultores, principalmente os pequenos e a agricultura familiar, protegendo a produção nacional, rendimentos justos e dignos, e todos os trabalhadores do setor
  • assegurar que todas as pessoas têm acesso a uma alimentação digna e saudável.

Mas sem travar a crise climática – ou seja, Fim ao Fóssil até 2030 – não haverá alimentação digna e saudável para todas.

Isto significa uma transição planeada para um sistema de agroecologia regenerativa e um sistema público de cantinas com alimentação biológica e vegetal.

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