No mesmo dia em que estudantes lançam semana de protestos em escolas em Lisboa e Penamacor para dizer “que o seu futuro não está à venda”, mais de 50 professores por todo Portugal juntam-se aos protestos nas escolas e lançam uma carta pelo Fim ao Fóssil 2030
Esta manhã começou uma semana de protestos estudantis pelo Fim ao Fóssil 2030, com concentrações frente a dois secundários: a escola secundária António Arroio, em Lisboa, e a escola Básica e Secundária Ribeiro Sanches, em Penamacor, umas das freguesias afetadas pelos incêndios deste verão. Os estudantes têm planeado uma semana de paralisações de escolas e de conversas e debates nas universidades, para reivindicar o fim aos combustíveis fósseis num prazo que garanta manter o planeta abaixo de um aumento de temperatura de 1.5ºC, o limite de segurança ditado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.
“Apenas queremos a possibilidade de imaginar um futuro e sabemos que o único plano que o garante é o Fim ao Fóssil 2030. Mas o governo continua a escolher vender o nosso futuro à indústria fóssil. Isto é condenar-nos à morte, da mesma forma que condenaram à morte as 3 pessoas que morreram em catástrofes climáticas na semana passada”, diz Fernanda, estudante de 17 anos da António Arroio.
Fernanda não está sozinha. Esta manhã, professores juntaram-se aos protestos, Na António Arroio professores juntaram-se aos alunos na concentração. No Liceu Camões, em Lisboa, professores fizeram um protesto simbólico, erguendo na porta da escola faixas com palavras de ordem contra a exploração dos combustíveis fósseis. Durante o dia de hoje mais protestos semelhantes estão marcados em faculdades. A professora Inês Almeida, da Escola António Arroio, partilha como “numa profissão em que o questionamento, a construção do pensamento crítico e a procura de novas formas de fazer são uma constante, é importante dar o exemplo e juntarmo-nos ao combate das alterações climáticas. [Temos de] aceitar o que a ciência nos diz, que o planeta está a chegar ao seu limite, e lutar, em conjunto, por um futuro possível.”
Mas este apoio não fica por aqui. Segundo esta professora de secundário, da “necessidade de não deixar os alunos lutar sozinhos por um futuro que é de todos” dezenas de professores juntaram-se e lançaram uma carta aberta em apoio. São mais de 50 assinaturas de professores, educadores e investigadores de todos os níveis de ensino, que lançam a carta a apelar também ao fim do uso de combustíveis fósseis em Portugal até 2030. Os professores apelam igualmente que a “responsabilidade enquanto educadoras/es e investigadoras/es,(…) tem de ser posta em ação. Temos também de nos juntar a esta luta, apoiar e proteger os/as nossos/as alunos/as, utilizando todos os meios disponíveis para acabar com a destruição do único planeta que temos para viver.” Assim, na carta em apoio lê-se que “Apelamos a que os/as educadores/as se juntem às mobilizações iniciadas pelos estudantes e que tomem ainda, coletivamente, iniciativas próprias, usando o seu poder de influência nas escolas, junto aos sindicatos e ao Ministério da Educação. Apelamos a que usem todos os meios ao seu dispor para exigir que estas instituições se tornem agentes de mudança e de pressão ao governo de Portugal, com vista à adoção de medidas efetivas de descarbonização.”
Estudantes e professores apelam a que toda a sociedade participe na marcha deste sábado, intitulada “O Nosso Futuro Não Está à Venda- Fim ao Fóssil 2030”, e que terá inicio às 15h, na Praça Luís de Camões, em Lisboa, para “dizer ao governo que não consentimos que este continue a vender o futuro dos estudantes”.



