Os “Onze de Abril” começam hoje a ser julgados no Campus da Justiça pelo bloqueio da Avenida Eng. Duarte Pacheco. Climáximo fala em “julgamento político” e organiza programa e vigílias de apoio durante os 3 dias.
A poucos dias dos 50 anos da Revolução dos Cravos, 11 apoiantes do Climáximo vão estar a ser julgados em tribunal pelo protesto político de bloqueio da Avenida Eng. Duarte Pacheco em Lisboa que ocorreu em Dezembro de 2023. O julgamento dos “Onze de Abril” começa hoje às 9h e estende-se até dia 24, contando com um programa de solidariedade a decorrer perto do Campus da Justiça em Lisboa – as “Assembleias de Abril“.
De acordo com a porta-voz, Maria Mesquita, “O que está a acontecer neste julgamento não é só sobre nós, as 11 pessoas que vão a tribunal. É sobre como é que daqui a 50 anos se vai contar o que foi feito pelas pessoas para travar a guerra contra a vida. Estamos perante o maior crime organizado que a Humanidade alguma vez já viu: a destruição do planeta e das condições materiais da civilização para uma vida digna por parte de governos e empresas. E quem está nos bancos dos réus hoje? Nós, que lutamos pelas nossas vidas. A poucos dias do 25 de Abril, isto força-nos a questionar: o que deve estar quem defende a vida e a liberdade a fazer hoje?”
O programa das Assembleias de Abril conta com debates sobre os “Planos de Desarmamento e de Paz” do Climáximo, conversas com cientistas como Carlos Antunes e o ativista na organização alentejana “Juntos Pelo Sudoeste” Pedro Horta, apresentações públicas, entre outras. Vai contar também com assembleias de ação para “construção dos próximos passos do movimento”, onde se discutirá “que reivindicações queremos enfatizar numa ação de resistência contra a guerra que nos foi declarada”. Todos os dias das 19h30 às 20h30, os arguidos vão falar na Assembleia no segmento “Julgamentos de Abril”.
António Assunção, arguido parte dos Onze de Abril, afirma que “hoje, enquanto se celebram as lutas do passado, nós estamos a ser julgados por não consentirmos com o sistema que nos está a matar. Há 50 anos, as pessoas normais não consentiram com um regime injusto, resistiram e conquistaram a liberdade. Tal como o que nós estamos a fazer hoje, a resistência era considerada criminosa pelo sistema. Mas todos nós temos de agir: delegar aos governos e às empresas a responsabilidade de travar a crise climática é o mesmo que esperar que o ditador ponha fim à ditadura.”
