“Estudar para que futuro?”. Os estudantes fecharam as suas escolas para “mostrar à sociedade que o governo lhes está a roubar o futuro pelo qual vão às aulas”. Médicos lançam carta em apoio porque “a crise climática é uma crise de saúde pública”
Esta madrugada dezenas de estudantes fecharam o Liceu Camões, em Lisboa, para reivindicar o fim ao uso de combustíveis fósseis em Portugal até 2030. Todas as entradas do edifício estão fechadas, com estudantes presos aos portões. Este é o terceiro secundário em protesto nesta semana, em que o movimento pelo fim ao fóssil convocou vários protestos nas escolas e universidades.
“Sabemos que para ter um futuro não basta virmos às aulas todos os dias. Sem o fim ao fóssil 2030 não vamos ter um futuro. Isto não é uma opinião, não é negociável, é ciência”, afirma José Borges, estudante do Liceu Camões. “Escrevemos e entregámos ao governo uma carta com esta reivindicação, no entanto, a resposta que tivemos do governo foi “Bem podem esperar sentados”. Mas já passou o tempo em que podíamos esperar sentados. Porque sabemos que estamos à beira do colapso e que o está em jogo é a nossa vida.”
Os estudantes contam ainda com o apoio de outros setores da sociedade. Nesta segunda feira, foram lançadas cartas de professores e de profissionais de saúde, com mais de 100 assinaturas iniciais, em solidariedade com os estudantes e a exigir também o Fim aos Combustíveis fósseis até 2030.
Os profissionais de saúde alertam para o aumento de doenças, ferimentos e mortes devido à crise climática, afirmando que “se é urgente que os sistemas de saúde desenvolvam um mapeamento de riscos, sistemas de alerta precoce e um reforço muito significativo de capacidade que lhes permita melhor lidar com desastres e aumento de ameaças crónicas, sabemos que, de qualquer modo, a crise ditada pelo atual ritmo de emissões colocaria os sistemas de saúde para lá da sua capacidade de adaptação.” Por outro lado, os professores apelam a que a “responsabilidade enquanto educadoras/es e investigadoras/es,(…) tem de ser posta em ação. Temos também de nos juntar a esta luta, apoiar e proteger os/as nossos/as alunos/as, utilizando todos os meios disponíveis para acabar com a destruição do único planeta que temos para viver.”
Ao longo do dia vão acontecer mais eventos em universidades, como uma mesa redonda com professores e estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa sobre o estado atual da crise climática, e uma conversa na Nova Medical School sobre Saúde Mental em Tempos de Crise Climática, com três das médicas que lançaram a carta dos profissionais de saúde pelo Fim ao Fóssil 2030.
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Comunicado pela Greve Climática Estudantil e Climáximo


