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No Calor do Verão Repressivo

Esta é uma nova newsletter escrita pela Equipa Legal do Climáximo. Queremos manter-vos a par das novidades e do ponto de situação da repressão do(s) movimento(s).

Lê a newsletter anterior aqui.

Esta newsletter está a ser escrita num verão em que a crise climática está a mostrar os seus efeitos na Europa como nunca antes. Basta dizer que em apenas uma semana deste verão houve um excesso de mortalidade na Europa de mais de 12 mil óbitos…

Nunca foi tão claro que uma escolha tem de ser feita, ou lutamos contra o sistema que nos está a matar, ou escolhemos o lucro à custa de milhares de vidas. O que os nossos governos têm feito repetidamente é escolher a segunda. Não é de estranhar, portanto, que numa altura em que o colapso se torna cada vez mais próximo e evidente, a repressão se torne cada vez mais intensa sobre quem escolhe não fechar os olhos à destruição de tudo o que amamos.

Começando pelo que aconteceu no coletivo. No caso do Campo de Tiro de Alcochete, em que foram plantadas árvores no local onde deverá ser construído o novo aeroporto, uma apoiante do Climáximo foi condenada a 1 ano e 6 meses de prisão com pena suspensa. 
No caso do protesto na Central de Gás do Outeiro todas os 9 apoiantes do Parar o Gás que foram julgadas foram absolvidas.
(Entretanto, houve uma atualização no caso da ação Em Chamas, na qual foi bloqueada a Rotunda do Relógio. Foi oferecida suspensão provisória, que foi aceite por 7 das 28 arguidas.) não sei se vale a pena

Entretanto, aconteceu a semana de Luta pelo Futuro, em que ocorreram várias ações com risco de detenção. É interessante referir que numa delas, o Bloqueio de estrada na Avenida Gago Coutinho, foi o primeiro bloqueio de estradas em que não houve detenções e não houve acusação de desobediência civil, tendo os participantes sido apenas identificados. Isto vai de encontro ao que tinha sido sugerido já pela nossa equipa num ensaio anterior, mas, apesar de ser uma boa notícia, e tendo em conta a volatilidade da ação policial, poderá não durar muito.

Resolveram-se também 3 casos colocados a estudantes da Greve Climática Estudantil. O caso da Reitoria da Faculdade de Lisboa foi arquivado e tanto nos casos da Nova Medical School, como no protesto em solidariedade com os estudantes que bloquearam o Conselho de Ministros em que os 6 estudantes foram absolvidos.

Mas isto não significa que o nível de repressão a que o activismo em Portugal está sujeito esteja a reduzir. Pelo contrário, vai-se agravando de dia para dia. Isto fica patente com as rusgas que foram realizadas ao Coletivo pela Libertação da Palestina em junho, nas quais foram apreendidos objetos pessoais e pessoas foram levadas para PJ. Não nos surpreende, pois apesar de ser novo para o movimento aqui em Portugal, é algo bastante difundido por toda a Europa.
Fica também claro nas manifestações que se seguiram às Greves Gerais de dezembro de 2025 e de junho de 2026, em que foram detidas no total 12 pessoas por protestarem contra um governo que lhes quer cortar sempre mais direitos laborais.
Foi publicado também um trabalho de investigação do Fumaça chamado Fronteira do Medo que relata pormenorizadamente a violência e repressão policial a que são sujeitos os residentes em bairros guetizados.

Isto tudo enquanto o polícia que assassinou Odair Moniz recebe apenas 3 anos de prisão com pena suspensa (só o dobro da pena recebida por quem lutava pacificamente contra a construção do maior empreendimento de aviação fóssil deste país, plantando uma árvore).
Enquanto, dezenas de polícias das esquadras do Rato e do Bairro Alto passaram anos a torturar pessoas e a partilhar vídeos dessa mesma tortura impunemente. A dualidade de critérios fica suficientemente clara.

Mas isto acontece a nível global. Em Inglaterra, milhares de apoiantes da organização Palestine Action (considerada terrorista no ano passado pelo governo trabalhista) foram detidos em várias manifestações, tendo os participantes em ações tido penas cada vez maiores, sendo acusados de terrorismo. Isto vai de encontro a uma investigação realizada pela Universidade de Queen Mary em Londres, que indica que desde 2019 as penas de prisão em ações relacionadas com activismo climático e pela Palestina em Inglaterra têm aumentado exponencialmente nos últimos anos tal como o tempo das penas. Sendo que houve 286 pessoas com pena efetiva num total de 136 anos de prisão desde 2019.

Também na Bélgica movimento Code Rouge foi alvo de rusgas de uma dimensão inédita de 19 casas, con 15 detenções. 

Na Alemanha, os 5 ativistas que no ano passado entraram na fábrica de Ulm da Elbit e destruíram armas que seriam usadas no genocídio do povo palestiniano, estão presos numa prisão de alta segurança, tendo sido levantadas várias questões sobre o tratamento a que os ativistas estão a ser sujeitos.

De referir ainda que em Itália, passou uma lei que permite a detenção “preventiva” de menores antes sequer do início de manifestações.

Aconteceu também a Global Sumud Flotilla da primavera. Os participantes interceptados por Isarel sofreram violência indiscriminada e tortura, com mais de uma dezena de abusos sexuais reportados. 67 necessitaram de observação médica hospitalar.

Nos EUA a repressão também se agrava de dia para dia, o ICE está a comprar cada vez mais centros de detenção, todos os dias cresce o número de migrantes presos e todos os meses se ouvem múltiplas mortes às mãos do ICE.

É verdade que a repressão aumenta um pouco por todo o mundo, mas é também por isso que um pouco por todo o mundo a luta por um futuro não acabou e só pode aumentar!


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O que podes fazer

Podes apoiá-las, participando na ação direta connosco, realizando uma ação direta no teu contexto, e /ou espalhando a palavra sobre a crise climática. Para ajudar com os custos legais, podes:

fazer um donativo pelo Open Collective

organizar um evento de angariação de fundos na tua comunidade

organizar um evento de solidaridade com os teus amigos e com as organizações de que fazes parte.

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Esta newsletter é escrita pela Equipa Legal do Climáximo, que acompanha a repressão legal que as pessoas comuns enfrentam por defenderem um planeta justo e habitável.
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Os números que partilhamos podem estar errados ou desatualizados. Somos todas voluntárias e estamos empenhadas em contribuir à construção da resistência climática popular.
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