Cristóvão Henrique de Lima Andrade
No passado dia 7 de janeiro de 2025, logo no início do ano novo e após se ter registado o ano mais quente da História, por as emissões de CO2 terem atingido valores recorde, e em que também as empresas de combustíveis fósseis atingiram os seus maiores lucros de sempre, cinco ativistas foram condenadas ao pagamento de 1000 euros de multa cada uma (e a cerca de mais 200 euros de custos jurídicos cada uma) e também a um ano e dois meses de prisão que foram convertidos em 480 horas de trabalho comunitário, por terem feito um protesto pacífico pela Justiça Climática.
O protesto, que consistiu num bloqueio do trânsito na Avenida 24 de Julho, ocorreu num fim de semana e, embora disruptivo, foi de índole totalmente pacífica. Apesar de nós termos chamado a atenção para a crise climática que estamos a viver, também estávamos coordenadas de modo a mantermos a segurança nossa e dos demais. No entanto, a juíza que nos condenou foi extremamente severa no seu julgamento, sendo ainda que, todo o processo foi pautado por muito cerceamento de defesa e criminalização do ativismo climático, pelo que vamos a recurso ao Tribunal da Relação, para que uma instância superior possa rever o procedimento, bem como a matéria de facto.
Para mais, depois de nos ter aplicado uma pena tão severa, a juíza ainda foi contraditória e paradoxal ao colocar-se numa posição de “espetadora” das ações da luta pela Justiça Climática, como a nossa, e dizer-nos que temos de arranjar métodos de luta mais eficazes e apelativos para cativar a atenção das pessoas para esta causa. Quando nós, as pessoas que andam há já tempo na luta por esta causa, sabemos perfeitamente que já aplicámos (e continuamos a aplicar) outros métodos ditos mais brandos e politicamente corretos e, não obstante, a situação climática continua a estar calamitosa.
Assim, damos conhecimento desta situação de sentença que está a ser vivida por cinco pessoas que se manifestaram pacificamente pela Justiça Climática, muito injusta e desproporcionada, e pedimos a solidariedade de todas as pessoas que se identificam com esta causa que se juntem, para conseguimos de facto travar essa crise que impacta a vida e o futuro de todas.
