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Na Bolívia, o povo entra na terceira semana consecutiva de luta contra o governo de direita de Rodrigo Paz e, de forma mais ampla, contra as políticas neoliberais impulsionadas pelo imperialismo norte-americano.

A COB – Central Obrera Boliviana – decretou há várias semanas a greve geral indefinida. Por todo o país, operários, camponeses, mulheres e indígenas fartos de não ter o que dar de comer às suas famílias bloqueiam estradas em protesto. Pelas cidades de La Paz e El Alto, cidade operária histórica boliviana, multiplicam-se as assembleias e os conselhos de ocupação. O levantamento vem no contexto de uma inflação crescente, do aumento dos preços de bens essenciais como a gasolina, da tomada de terras aos camponeses e indígenas por parte de multinacionais ou setores do agronegócio, enfim, no contexto da exploração desenfreada das terras e dos povos do Altiplano andino. É certo que o declínio das condições de vida do povo boliviano já vinha a acontecer, mas a chegada ao governo de Rodrigo Paz – apoiado pelo imperialismo estadunidense e por aliados duvidosos como Milei da Argentina – veio agravar ainda mais a exploração e miséria desta nação plurinacional, diversa e brava.

Condenamos a repressão que o governo está a fazer sob o movimento, e desejamos a rápida libertação de todos os companheiros e companheiras injustamente presos/as. Estamos em solidariedade com todas as organizações em luta na Bolívia.

Desde Portugal exprimimos toda a nossa solidariedade ao levantamento do povo boliviano contra as garras do capitalismo e pelo pão, terra, e soberania, num contexto mundial e latino-americano cada vez mais autoritário e determinado a arrastar-nos para o abismo do caos climático e social. Força, irmãos e irmãs bolivianos! Admiramos com humildade o percurso até agora traçado pelo povo boliviano, que já por várias vezes derrotou as políticas de morte neoliberais. Relembramos a Guerra da Água (2000) em Cochabamba contra a privatização da água, e da consolidação de uma Constituição Plurinacional que protege a Pachamama – mãe Terra, na cosmovisão andina.

Nem um passo atrás!

La Wiphala se respecta!

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