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Solidariedade Vouzela

No fim-de-semana de 11 e 12 de Julho apoiantes do Climáximo deslocaram-se a Vouzela, onde deflagrou um incêndio de vários dias que queimou mais de 15mil hectares.

Ficámos a par, por parte de habitantes de Vouzela, que não havia muito trabalho para fazer nos territórios atingidos mas que havia duas necessidades principais. Muitas pessoas perderam os fardos de feno e pastos, de que depende a alimentação dos seus animais, e a canalização em algumas localidades ardeu, impactando o fornecimento de água às populações.

Tendo uma pessoa apoiante disponibilizado a carro para esta viagem, foi nos possível transportar connosco duas sacas de 25 kg de ração para animais, vários garrafões de água e vasos de flor para doar. Sabíamos que o conseguíamos transportar era muito aquém do necessário para responder às necessidades das populações atingidas por este grande incêndio, ainda assim, fizemos nos à estrada, com vontade e disponibilidade de apoiar de outras formas.

Ao fazer um levantamento de necessidades com alguns habitantes e bombeiros, não nos foi apontado nenhum trabalho em que pudéssemos ser úteis. Assim, distribuímos os bens que levávamos connosco, e visitámos as aldeias atingidas e escutámos as pessoas e as suas histórias. Doámos as duas sacas de ração e as flores que trazíamos connosco entre as várias pessoas que conhecemos e com quem conversámos.

Visitámos as localidades de Carvalhal de Vermilhas, Couto, Farves, Alcofra, Campia e Cambra. Nalgumas delas o incêndio ficou mesmo perto de casas habitadas. Estas foram aldeias também atingidas pelos incêndios de 2017. As pessoas contaram-nos que os bombeiros não chegaram a todo o lado, tendo em várias aldeias, o combate do incêndio, e a proteção das casa ficado totalmente a encargo das pessoas. Falaram-nos também da importância da ajuda entre vizinhos próximos durante os incêndios e de doações de feno e palha entre quem tem e quem perdeu tudo agora no pós-incêndio. Falaram das temperaturas elevadas e da falta de chuva, que aumenta a probabilidade de re-acendimentos, e da importância das limpezas dos terrenos e dos apoios para tal.

Acabamos, por acaso total, por experienciar um pequeno re-acendimento (ou melhor um tronco que estava a ainda a arder por dentro, dado a temperatura elevada a que estava o solo ardido ainda, e que começou a largar muito fumo), e junto com a proprietária do terreno tentámos evitar que a situação evoluísse para um cenário pior. Apoiamos atirando a água que transportávamos em garrafões.

Falámos também com bombeiros voluntários que estiverem no combate aos incêndios. Eles apontaram o êxodo rural, o abandono dos territórios e do interior por parte dos governantes, a falta de políticas públicas que sirvam as zonas rurais, a dificuldade de tirar rendimento da agricultura e da floresta, como fatores a favor dos incêndios. Mencionaram também a crise climática, reconhecendo-a como relevante e visível nos territórios, e como um fator exponenciar dos incêndios.

Sentimos um acolhimento e generosidade muito grande de todas as pessoas com quem falámos. O maior apelo que deixam, e que queremos ecoar, é de às doações de alimento para os animais.

Nós sabemos que a crise climática só vai piorar se não agirmos para parar os combustíveis fósseis e o sistema que deles depende. Sabemos que há vários fatores que contribuem para os incêndios que temos observado nos últimos anos mas que a crise climática impõe um contexto em que os incêndios serão cada vez mais intensos, mortais e frequente. Sabemos que só o povo salva o povo. As pessoas podem organizar-se para agir em conjunto, em solidariedade e luta, para protegerem as suas casas, os bens comuns e a vida neste planeta.

Descobre mais sobre a nossa análise sobre a crise climática em Quebrar em Caso de Emergência Climática

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