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Unidade e Luta: A primeira grande marcha Cabral de Portugal | 21 Set

21 de setembro, sábado, às 15h00, Marquês de Pombal → Largo São Domingos (Rossio)

No dia 21 de setembro, os Movimentos Negros organizam a primeira grande marcha Cabral de Portugal para celebrar o centenário do nascimento do líder das lutas pela independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Abaixo, copiamos a convocatória da organização.

Apelamos à participação e vamos estar presentes. E queremos partilhar um pouco o porquê do nosso entusiasmo com esta marcha.

Este texto não será um resumo do legado do Cabral. Não será um resumo do nosso compromisso com a luta contra colonialismo e neocolonialismo. Não será tudo que aprendemos do Cabral, do movimento anticolonial e do movimento antiracista. Também não vamos repetir a convocatória, que subscrevemos plenamente.

Vamos só partilhar algumas coisas que estão bem vivas dentro de cada uma de nós, e bem presentes na nossa luta pela justiça climática.

Estamos em resistência climática, para travar o colapso da civilização. Nos três dias em que escrevemos este texto, incêndios no Perú comeram aldeias inteiras; tempestades no centro da Europa inundaram dezenas de cidades em Románia, Polónia, República Checa, Alemanha e Áustria; incêndios em Portugal paralisaram metade do país; e o tufão bateu na China prendendo dezenas de milhões de pessoas; um outro tufão demoliu regiões inteiras em Vietname e Myanmar; cheias na Nigéria destruiram centenas de milhares de casas. Todo o mundo está a ser abalado. Isto é um estado de guerra. Estes eventos não são “naturais”; são resultado de décadas de emissões que ultrapassaram os limites físicos e químicos dum planeta habitável. São armas de destruição em massa. E sabemos bem quem as lançou.

Para construir uma resistência popular em estado de emergência global, voltamos ao Cabral.

  • Compromisso: Amílcar Cabral diz-nos que precisamos de unidade para lutar, e precisamos de lutar para unir-nos. O compromisso que temos com os nossos objetivos e com a nossa visão do futuro nos une. O compromisso é construído em luta. Para manter este foco e esta disciplina interna, voltamos ao Cabral e à sua dedicação e determinação.

  • Ser realista: Amílcar Cabral define “realismo” como partir da realidade, e não partir das ideias que temos nas nossas cabeças. Ele descreve-o também como saber adaptar e ajustar à realidade. Em estado de emergência, com um prazo extremamente apertado para ganhar, precisamos duma cultura organizativa responsiva. Como movimento, precisamos de reconhecer o que não funciona e aprender rápido com as nossas falhas. Para construir um movimento realista (e sem perder o compromisso da vitória), voltamos ao Cabral.

  • Internacionalismo consequente: Desde o início da luta na Guiné-Bissau e em Cabo Verde, o Amílcar Cabral têm insistido que a luta anticolonial só pode ser ganha com uma articulação internacional, com solidariedade efetiva. Isto é muito mais válido com a crise climática. Para interpretar o nosso contexto e como ele se insere no contexto mundial, voltamos ao Cabral.

  • Integridade: Uma boa parte dos discursos do Amílcar Cabral são sobre os militantes darem o exemplo quando se organizam e quando interagem com a população. O nosso compromisso com a luta é a garantia de não fazermos só conversa. Olhamos à realidade e perguntamos a nós próprias: o que é uma resposta adequada a um estado de guerra? Qual é a nossa responsabilidade hoje, e o que significa assumir essa responsabilidade? Num contexto da emergência climática, o que significa, verdadeiramente, estar no lado do povo? Para desconstruir o nosso próprio conformismo, voltamos ao Cabral.

 

1º Grandi Marxa Kabral em Portugal – Unidadi i Luta


Temos afirmado que o 25 de Abril nasceu em África, e sabemos que os contributos de Amílcar Cabral foram fundamentais para que as portas desta revolução se abrissem. Por isso, descemos a mesma avenida onde, todos os anos, milhares se juntam em celebração do fim da ditadura e do fascismo salazarista, para fazer uma segunda afirmação:

Amílcar Cabral é um dos heróis da Revolução dos Cravos, e o 25 de Abril continuará a ser uma celebração incompleta enquanto a sua ausência se perpetuar.

O reconhecimento e a inscrição da figura de Amílcar Cabral na memória e na história da democratização de Portugal são formas de reparar a própria história do país.

Inspirados pelo vasto e riquíssimo legado de pensamento e prática de luta anticolonial deste combatente das causas dos povos oprimidos, convidamos todas as pessoas e coletivos em Portugal a participarem ativamente nesta inédita marcha internacionalista, panafricanista e anticapitalista.

Marchamos contra a fome, a guerra, a miséria e a injustiça.

Marchamos contra o esquecimento, o apagamento e o silenciamento.

Marchamos em solidariedade combativa com os povos do Congo, do Sudão, da Palestina, da Guiné-Bissau, com Cláudia Simões, Mumia Abu Jamalb e todas as pessoas que ainda hoje enfrentam a brutalidade dos poderes capitalista, fascista, xenófobo, patriarcal, racista, afrofóbico e neocolonial.

Marchamos por todas as lutas e acima de tudo, pela unidade de todas as resistências da terra.

KOLONIALISTA DIVIDI-NU PA KONKISTA-NU, MA KABRAl TORNA DJUNTA-NU

Juntem-se a nós neste dia histórico.
Façamos povo.

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