De 11 a 15 de maio de 2026 organizámos com a Greve Climática Estudantil uma semana de ações que culminou numa manifestação pública no dia 15 de maio. Ao longo de uma semana, e de formas diversas e criativas, estudantes, médicos, e várias dezenas de pessoas comuns lutaram em conjunto pelo fim ao fóssil e para travar a crise climática, pelo fim à guerra e pela paz e soberania dos povos, pela saúde acessível e de qualidade, pela alimentação de qualidade para todos.
A Semana de Luta pelo Futuro propôs à sociedade – a cada uma das pessoas comuns vivas hoje – uma reflexão e tomada de posição mais-que-urgente: face à ameaça que paira cada vez de forma mais assustadora sob nós, pessoas comuns, vamos desistir ou vamos lutar? Vamos baixar a cabeça e deixá-los empurrarem-nos para o abismo climático, para os Verões insuportáveis, para os incêndios infernais, para a destruição massiva da força da corrente de um rio alagado pelas cheias? Vamos ficar cómodos e caladinhos enquanto há um genocídio a acontecer na Palestina e bombas a caírem no Irão, enquanto eles discutem se querem mandar a nossa juventude morrer numa guerra que é das elites e não nossa? Vamos ficar obedientes e seguir cegamente os nossos caminhos enquanto desmantelam direitos essenciais como a saúde pública acessível e de qualidade? Vamos enterrar a cabeça na areia ou pôr palas nos olhos para não vermos os ataques aos imigrantes, os cadáveres dos que morrem no Mediterrâneo, a violência da extrema-direita? A proposta do Climáximo e da Greve Climática Estudantil é simples: ganhar coragem, livrar-nos do medo, e lutar em conjunto por um presente e futuro que valham a pena.
11 de maio: a guerra move-se a combustíveis fósseis
A semana começou com uma ação de denúncia à empresa genocida Thales, a quarta maior empresa da Europa em “tecnologia, armamento, e segurança” que tem uma parceria com a empresa israelita genocida Elbit Systems. A Thales é central nos esforços de militarização das fronteiras europeias que fazem das pessoas migrantes alvos de ataque, repressão e desumanização. Esta empresa é um pilar na expansão da extrema-direita internacional e no progresso do imperialismo e de políticas bélicas, genocidas e fascistas. Neste sistema capitalista, a guerra é indissociável dos combustíveis fósseis: não só aumentam a capacidade bélica para a barbárie, como as guerras são travadas para saciar a sede de petróleo de impérios fósseis como os Estados Unidos.

12 de maio: bloqueio de estrada porque não podemos esquecer a Kristin
No dia seguinte, um grupo de apoiantes do Climáximo bloquearam durante cerca de meia hora a Av. Almirante Gago Coutinho em Lisboa com uma faixa que mostrava a imagem da A1 destruída pela tempestade Kristin. Fizemos este bloqueio de estrada porque o comboio de tempestades que resultou em 22 mortes tem culpados que têm de pagar as reparações e ser responsabilizados – são as empresas de combustíveis fósseis e os governos coniventes que até hoje continuam a queimar combustíveis fósseis para lucro mesmo sabendo dos impactos catastróficos para o clima. Bloqueámos a estrada porque nós, as pessoas comuns, não podemos esquecer a Kristin, as famílias e comunidades afetadas. Não podemos olhar para o lado e esperar que não nos aconteça a nós. Precisamos de nos unir e lutar juntos contra a raiz desta tragédia – os combustíveis fósseis – bem como apoiarmo-nos uns aos outros na construção de redes de apoio e reparação às pessoas e comunidades afetadas.

13 de maio: a crise climática é uma crise de saúde
Na quarta-feira, 13 de maio, um grupo de médicos e apoiantes pintaram um mural no Hospital Curry Cabral, relembrando que a crise climática é uma crise de saúde. Aliás, vários especialistas da Organização Mundial de Saúde pedem que a crise climática seja considerada uma emergência de saúde pública. O impacto da crise climática na saúde é bem documentado: danos graves à saúde pela queima de combustíveis fósseis, a expansão de doenças tropicais, o calor extremo, os próprios feridos de catástrofes climáticas. Precisamos de um SNS robusto capaz de cuidar das populações em contexto de crise climática. Para isso, precisamos de travar as privatizações dos sistemas públicos e valorizar os trabalhadores da saúde.

14 de maio: redistribuir comida porque eles comem tudo e não deixam nada
Na quinta-feira, 14 de maio redistribuímos comida de uma grande superfície alimentar, recolhendo alimentos essenciais e bens de primeira necessidade, saindo sem pagar e redistribuindo depois a pessoas em situação de pobreza. Eles comem tudo e não deixam nada! Enquanto cerca de 600 mil pessoas em Portugal vivem preocupadas por não conseguirem alimentar a si e às suas famílias, grandes superfícies como a Sonae ou a Jerónimo Martins lucram recordes à boleia de uma guerra fóssil que aumenta os preços para a classe trabalhadora. Se não travarmos a crise climática e pusermos fim à economia fóssil até 2030, não só os preços subirão de forma desmesurada como os alimentos essenciais serão cada vez mais escassos

15 de maio: dezenas de estudantes marcham das suas escolas até à sede do governo pelo Fim ao Fóssil até 2030 e concentração
A semana de luta terminou no dia 15 de maio, quando dezenas de estudantes marcharam em conjunto até à sede do Governo pelo fim ao fóssil, juntando-se a eles dezenas de apoiantes na concentração de “Luta pelo Futuro”.
A marcha marcha estudantil juntou dezenas de estudantes que partiram das escolas secundárias António Arroio, Vergílio Ferreira e Liceu Camões, encontrando-se na Alameda D. Afonso Henriques. Durante a marcha, os estudantes ocuparam a Av Almirante Reis por meia hora e a rotunda do Areeiro por mais de uma hora com discursos, jogos e palavras de ordem como ” Livro-me de armas, armo-me de livros” ou “fim ao fóssil até 2030”.
Seguiu-se depois uma concentração que contou com palavras de ordem que assinalaram o porquê do fim ao fóssil até 2030, o papel dos estudantes na luta pelo futuro, a Nakba palestiniana e o genocídio e ecocídio cometido por Israel, alertaram-se para os novos planos de um gasoduto no Norte do país, e também como os bairros e as periferias são muitas vezes os primeiros a sofrer os impactos da crise climática. Houve também concertos dos Primeira Dama, Jorge Barata e Tamales e Pip Marinho; uma oficina de crochet pela Palestina com o Coletivo Agulha, oficina de cartazes, o tricotar de uma faixa com a Linha Vermelha contra o novo gasoduto, e jantar partilhado.
Houve ainda uma assembleia popular onde discutimos como podemos organizarmo-nos pelo futuro e contra a barbárie da crise climática e da guerra. Como próximos passos anunciados na assembleia, apontámos para a ida coletiva a várias ações de justiça climática na Europa para fortalecer o movimento que é internacional; um acampamento estudantil de “Regresso à Luta” em Setembro; e a organização de respostas rápidas, solidárias e combativas às mais prováveis ondas de calor e incêndios do próximo Verão.
E agora?
Queres juntar-te à luta pelo futuro? Entra em contacto connosco através do formulário no website, ou enviando um e-mail para climaximo@riseup.net!
Formas de te envolveres:
Participa na ida coletiva a várias ações de justiça climática na Europa
Participa na nossa equipa de resposta rápida a incêndios e ondas de calor durante o Verão onde, à semelhança do que fizemos na tempestade Kristin, queremos apoiar os esforços de apoio à população bem como alertar para a crise climática.
Vem a uma reunião do Climáximo. Temos reuniões semanais em horário pós-laboral. Envia-nos um e-mail para saberes como te podes juntar.
És estudante? Participa no acampamento organizado pela Greve Climática Estudantil de regresso à luta em Setembro.
Vê o formulário na homepage para saberes mais formas de te envolveres e contacta-nos se tiveres alguma dúvida.
A luta é de todos, juntas vamos conseguir!
