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O CLIMÁXIMO ESTEVE NO 9º ENCONTRO NACIONAL POR JUSTIÇA CLIMÁTICA EM BOTICAS

Aconteceu de 5 a 7 de Abril o 9º Encontro Nacional por Justiça Climática (9º ENJC). O Encontro contou com a participação de mais de 100 pessoas. Foram abordados diversos temas cruciais, no âmbito da justiça e emergência climática, como transporte, mobilidade, energia, mineração, e oceano.

Pela 2ª vez o Encontro aconteceu fora de Lisboa. Desta vez em Boticas, uma terra transmontana, na vizinhança de Covas do Barroso, ambas aldeias onde se estão a ser vítimas de investimento por parte da indústria mineira para minas de lítio e outro minérios.

Estes, como outros contratos atuais de exploração de lítio (e outros minerais) em Portugal são uma das faces da guerra declarada à vida por parte de governos e empresas, e devem portanto devem ser imediatamente cancelados. Estes contratos fazem parte de um plano de expansão energética, empiricamente visível pelo mundo inteiro e também em Portugal. Os contratos atuais assinados não referem qualquer substituição efetiva de carros a combustão nem qualquer outra transição – assim, não só não cortarão emissões como irão aumentar o consumo desnecessário. O lítio (e os outros minerais) vão ser extraídos para ser vendidos no mercado. Neste momento a venda de carros elétricos está a aumentar, mas os SUVs também. O que está a acontecer é um aumento de carros em trânsito – o que não é nenhuma transição. Se as empresas ganharem o conflito, apenas está garantido que se vão vender mais carros elétricos (e mais telemóveis). Isto não é uma política climática. É um negócio de extração de recursos naturais.”[excerto do Plano de Desarmamento e Paz do Climáximo]

O Climáximo esteve presente no Encontro Nacional por Justiça Climática e tomou parte na organizações de duas sessões.

A primeira foi organizada juntamente com outros ativistas da Campanha Empregos para o Clima. A sessão “Transportes Públicos de zero emissões ao serviço das pessoas”enfatizou a importância da transição na área dos transportes e mobilidade. Destacou-se que este setor é responsável pela maior parte das emissões de gases de efeito de estufa em Portugal, podendo, contudo, a sua descarbonização gerar milhares de empregos, absorvendo trabalhadores de indústrias poluentes. Salientou-se também o potencial para impactos positivos no bem-estar das populações, através da criação de redes extensas de transportes públicos renováveis que deem resposta às necessidades das pessoas.

Em estado de emergência, o que fazer?” foi o título da sessão do Climáximo e da Greve Climática Estudantil (GCE). Nesta sessão, com a GCE apresentámos o enquadramento do Estado de Emergência Climática que tem estado na base das estratégias de ambos os coletivos. Como explicado pela ativistas presentes, o Estado de Emergência tem significado a tomada de novos riscos individuais e coletivos, ancorados na necessidade real de travar a crise climática e do movimento ter planos honestos e sérios para como implementar justiça climática, visto que “agir em conformidade com o estado em que estamos não é delegável, é responsabilidade de cada uma de nós”.

Encontros Nacionais para articulação e organização do movimento por Justiça Climática são de enorme relevância. Travar o colapso climático não é uma missão que possamos delegar a outras pessoas, organizações e muito menos aos governos e empresas que de forma consciente e premeditada perpetuam uma indústria de morte e destruição. Cabe-nos a nós com honestidade, ambição e coragem construirmos novos caminhos para ganharmos aquela que é a luta das nossas vidas, pelas nossas vidas.

No final do Encontro convocámos todas as organizações e pessoas presentes a assinarem a convocatória e estarem presentes nas Assembleias de Abril. As Assembleias de Abril, que acontecem nas vésperas do aniversário da Revolução dos Cravos, serão 3 dias de solidariedade e resistência que aconteceram ao mesmo tempo que as “Onze de Abril” estarão a ser julgadas por lutarem pela vida. O que vai acontecer nos dias 22, 23 e 24 de Abril não será apenas sobre as 11 pessoas que vão ser julgadas. Este julgamento e este momento histórico é sobre cada uma de nós. É sobre como daqui a 50 anos se vai contar o que foi feito pelas pessoas hoje para travar a guerra contra a vida.

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