Ontem, uma centena de pessoas manifestaram-se na Praça do Município, local onde a manifestação de extrema-direita iria acabar, para demonstrar que o poder popular não consentirá com a normalização e incitação à violência e ódio. Apoiantes do Climáximo estiveram presentes na linha da frente.

Ao bloquearmos a estrada na praça, impedindo assim a passagem dos fascistas, a polícia, sem qualquer comunicação ou aviso prévio, atacou violentamente as pessoas, utilizando cassetetes e gás pimenta. A polícia fez um escolha clara: proteger uma manifestação de ódio e anti-democrática, e agredir pessoas que lutavam em prol de valores de liberdade e igualdade.
Vimos ontem o Estado a escolher o fascismo e a repressão. Fá-lo porque os governos e as empresas decidiram que, ao invés de travar a crise climática, vão continuar a colocar o seu lucro acima da vida. Assim, a violência sobre as pessoas é a única forma de se protegerem face à crescente degradação ambiental e social em que vivemos.
Ao mesmo tempo que a polícia feriu dezenas de pessoas, enviado 6 pessoas para o hospital, e deteve 3 pessoas sem nenhuma razão, os fascistas circularam na rua com tochas acessas e cânticos de ódio. Em resistência, voltámos a bloquear, desta vez na rua do Arsenal, onde permanecemos em resistência até os fascistas irem embora. Cuidámos umas das outras, acudindo as feridas e averiguando o paradeiro das pessoas detidas. Regressámos em conjunto para o Largo do Intendente, juntando-nos a arraial por onde passaram 2 mil pessoas a celebrar a igualdade.
Todas as decisões tomadas foram feitas através de democracia direta – recorrendo ao plenário de delegados – e garantimos a cada momento, que ninguém fica para trás.


Não podemos deixar a violência do capitalismo ganhar. A crise climática vai exacerba-la, pela forma de fascismo e repressão contra as pessoas. Travar esta violência e a ascensão da extrema direita só é possível se travarmos a crise climática. Precisamos de ir à raiz, derrubando o sistema que está a provocar esta degradação, a lucrar dela, e a reprimir quem resiste pela vida de todas.
É o dever das pessoas normais lutar pela vida agora: contra os fascistas, contra o capitalismo, contra a crise climática, pela justiça climática!
Temos de deixar de consentir com a violência e entrar em resistência climática.
