Fizemos tudo o que conseguíamos e o que conseguimos foi pouco - uma avaliação-resumo do ano de 2025/2026
Em Setembro de 2025 lançámos uma nova declaração de Estado de Emergência Climática, com o título “Organizar a base: causas e sintomas da guerra contra o futuro”. Podes ler nesse texto o compromisso público que fizemos.
Como expresso na declaração, compreendemos que era “preciso alargar e organizar a base social do movimento para conseguir mobilizar milhares de pessoas para travar a crise climática e responder aos momentos ultrajantes que ela provoca.”
Decidimos fazê-lo seguindo dois caminhos com diferentes abordagens:
Olhando para as causas, aliámo-nos ao movimento estudantil pelo Fim ao Fóssil, para mostrar o fim dos combustíveis fósseis até 2030 como a única saída da crise climática.
Olhando para os efeitos, debruçámo-nos sobre algo muito novo para nós: construção de poder popular junto de alguns dos territórios mais fustigados pelos incêndios. Fizemos o compromisso de dar passos para um trabalho mais permanente e coeso para, juntos das populações, perceber como visibilizar estes efeitos da crise climática e agir para evitar os piores cenário, na ótica de construção de solidariedade ativa e de organização nos termos das comunidades. Sabendo que tínhamos pouca experiência neste tipo de trabalho, fizemos o compromisso de “aprender, escutar e co-desenhar” uma campanha que ambicionávamos lançar com as populações destes territórios.
Agora, para olharmos para a frente, é preciso saber como chegamos até aqui. Partilhamos convosco um resumo do que fizemos, onde chegámos e o que aprendemos.
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Construção de poder popular junto dos territórios mais fustigados por incêndios
Entre Setembro de 2025 e Maio de 2026, organizámos quase 30 deslocações a diversos territórios fustigados pelos incêndios.
Numa fase inicial, buscávamos entender que trabalho poderíamos desenvolver em conjunto com as populações atingidas pelos incêndios que construísse poder popular nos territórios e que estivesse articulada nacionalmente. Nessa fase escutámos as pessoas sobre como estão as comunidades a enfrentar e a percecionar os incêndios, que soluções apontam, como se estão a proteger, e como poderia o Climáximo ser útil para as iniciativas já existentes nos territórios. Dedicámo-nos também à procura e estudo de abordagens no âmbito da pedagogia e organização popular. Aprendemos muito. Ficámos inspiradas pelos inúmeros projetos, iniciativas e pessoas já organizadas a tentar fazer face aos incêndios, com diferentes abordagens e perspetivas. Ouvimos histórias de resistência daquelas que muito ou tudo perderam e se levantam para lutar e reconstruir. Percebemos que a crise climática está de diferentes formas presente na forma como as populações percecionam o que está a acontecer no território, no abandono que sentem das instituições e governos, no acentuar da intensidade, gravidade e período de incêndios, na urgência de tomar ação. Aprendemos muito sobre como funcionam os incêndios, como se alastram, como são combatidos, e também sobre as soluções para os prevenir e combater. Ainda não aprendemos o suficiente. Mas fomos altamente inspiradas pela luta e solidariedade nos territórios, pela convicção de que é possível mudar, e pelo o ânimo que se sente nos encontros coletivos ao discutir-se caminhos de luta coletiva e de construção de movimento.
Após uma primeira ronda de viagens aos territórios, duas reuniões internas com organizadoras de alguns dos locais mais fustigados pelos incêndios e ajustes de planos face à nossa capacidade e à das organizadoras locais, decidimos no início de 2026 concentrar a nossa energia em três concelhos onde conseguimos estreitar mais laços com as iniciativas locais já existentes: Arganil, Sertã e Odemira. Nessas localidades, propusemos trabalhar em conjunto, oferecendo a nossa capacidade e experiência organizativa, para i) empoderar as populações locais para agirem contra os incêndios – quer na mitigação dos seus impactos diretos, quer na luta contra as causas dos mesmos; ii) introduzir o enquadramento da crise climática no debate público sobre os incêndios, sabendo que estes serão imparáveis caso não tomemos ação urgente contra aquela que é uma das principais causas para o nível de devastação a que temos assistido nos últimos anos; iii) conseguirmos responder rapidamente e em solidariedade no Verão de 2026 em caso de incêndios nestas localidades; iv) criar uma coerência a nível nacional, articulando as diversas iniciativas de modo a, por um lado, fomentar a partilha de experiências e aprendizagens entre os diversos territórios e, por outro, articular as reivindicações locais para terem um caráter nacional e internacional, aumentando a eficácia das lutas em influenciar o debate público a nível nacional.
Algures durante esta caminhada, descobrimos o Movimento Internacional de Populações Atingidas por Barragens, Crimes Socioambientais e pela Crise Climática. Encontrámos as respostas que procurávamos nas décadas de experiência de organização popular deste Movimento, na sua forte componente de solidariedade internacional, e no enquadramento de “populações atingidas” – não vítimas de um infortúnio e sujeitos passivos, mas sim sujeitos políticos que, tendo sido atingidas como consequência das ações dos governos e empresas, têm agência para lutar e tomar as rédeas do seu futuro. No final de Maio, realizámos um pequeno Encontro com a participação de organizadoras das localidades em que vínhamos a trabalhar ao longo dos últimos meses, bem como de algumas militantes do Movimento Internacional de diferentes países. Aí, decidimos integrar o nosso trabalho neste movimento internacional e apontar para a construção do Movimento das Populações Atingidas pelos Incêndios em Portugal, decidindo os passos conjuntos a tomar ao longo do próximo ano para tal.
Apesar de tudo o que aprendemos e de todo o esforço que fizemos, não fomos capazes de dar tantos passos, e tão grandes, como gostaríamos e como, talvez ingenuamente, pensámos que seria possível quando decidimos começar este trabalho. A distância, a impossibilidade de conjugar viagens recorrentes e de vários dias com o trabalho a tempo inteiro ou parcial em Lisboa, a discrepância entre o ritmo de trabalho ao qual estamos habituadas e os ritmos de trabalho e da própria natureza nos territórios atingidos pelos incêndios, a necessidade de muita escuta e de aprender de raiz como fazer este tipo de trabalho, levaram-nos a fazer inúmeros reajustes aos planos que fomos definindo e a andar mais devagar do que estamos habituadas. Ainda assim, esperamos este ano estar mais capazes e ágeis para agir perante os incêndios, comunicar sobre eles e visibilizar as suas causas. Esperamos também que as aprendizagens que fizemos ao longo do último ano nos permitam ser mais ágeis este ano, enquanto continuamos a trabalhar lado a lado das populações atingidas pelos incêndios em Arganil, Sertã e Odemira, e ao mesmo tempo exploramos como expandir o processo de construção deste Movimento para outros territórios fustigados pelos incêndios.
Este ano aprendemos também muito sobre construção de solidariedade e de organização popular quando organizámos brigadas de solidariedade de deslocação aos territórios atingidos pelo comboio de tempestades e pelo abandono governamental.
Nos primeiros dias, estivemos atentas às necessidades das populações locais e aos seus pedidos de ajudas e donativos, procurando tornar essa informação visível e clara para garantir que o máximo de apoio chegava a quem dele tanto necessitava.
Três dias depois da tempestade Kristin ter deixado centenas de pessoas sem casa, deslocámo-nos até à região de Leiria para levar bens materiais, apoiar com a reconstrução e limpezas, e ajudar no levantamento das necessidades da população. Desde aí até ao final de Março, em articulação com outras iniciativas e atores locais, realizámos mais 12 deslocações aos territórios atingidos, passando pelos concelhos de Leiria, Ourém, Marrazes, Alcácer do Sal, Maçãs, Ferreira do Zêzere, Alvaiázere, Vieira de Leiria, Pedrógão Grande, Marinha Grande e Pombal, quase sempre acompanhadas por mais pessoas de Lisboa que se juntaram a nós em solidariedade, e contando com o apoio de bens materiais de que recolhemos de muitas outras pessoas.
Dia 18 de Fevereiro, com a chuva forte já a abrandar e a atenção mediática a dissipar-se, organizámos a concentração em Lisboa “Ninguém larga a mão de Ninguém”, para insistir que se mantivesse no debate público as causas desta devastação e para explorar o que, desde Lisboa, podemos fazer para que isto não volte a acontecer da mesma intensidade e não volte a ter estes impactos.
Por outro lado, procurámos apoiar nos esforços de organização popular nos territórios mais atingidos. Assim, no dia 12 de Abril, realizámos em conjunto com o coletivo (R)existência Colectiva uma assembleia em Leiria que reuniu cerca de 30 pessoas para dar sentido à tempestade que afetou gravemente a região e perceber como nos organizamos no território, mas também a nível nacional, face a estes cenários de destruição.
Organizar e mobilizar pelo fim ao fóssil
Do lado das causas estruturais da crise climática, unimos esforços com o movimento estudantil através da campanha “Fim ao Fóssil”. Queríamos não só apoiar a organização estudantil e dos jovens pelo fim ao fóssil até 2030, mas também testar se o apoio orgânico aos estudantes poderia, se organizado, materializar-se numa mobilização abrangente. O foco era tornar esta reivindicação existencial como uma exigência para além do estudantes.
De Setembro a Novembro de 2025 apostámos na capacitação organizativa dos estudantes, formação conjunta em “porquê fim ao fóssil”, ações diretas simples sobre os culpados e como podemos alcançar o fim ao fóssil, e na mobilização dos sectores identificados como mais próximos e solidários com a luta estudantil: os professores, as mães (e pais), a cultura e os profissionais de saúde. Lançámos 4 cartas públicas, uma por cada sector, assinada por centenas de pessoas, em apoio ao fim dos combustíveis fósseis e a chamar a sociedade a participar na manifestação de 22 de Novembro “o nosso futuro não está à venda”. Apesar da escrita coletiva das cartas, de uma dezena de eventos organizados por pessoas de cada sector, um leilão de artistas para apoiar nas multas e custos legais, algum apoio comunicativo através de artigos de opinião e comunicação nas redes sociais, a mobilização destes setores ficou muito aquém do que havíamos ambicionado.
Em Dezembro de 2025 reformulámos a campanha: focámos o nosso esforço nos sectores onde conseguimos encontrar novas pessoas que tomaram como sua responsabilidade a luta por justiça climática e o apoio ao movimento estudantil. Assim, começámos um trabalho mais estreito de agitação e organização de professores do secundário e profissionais de saúde. Ao mesmo tempo, os estudantes alteraram a sua estratégia de mobilização estudantil para organização estudantil. De Janeiro a Março desenvolvemos 3 frentes em simultâneo: aprender como organizar em estruturas, adaptar isso ao contexto das escolas e setor da saúde, e fazer centenas de conversas diretas para testar as melhores abordagens; atuar comunicativamente e disruptivamente sobre as últimas eleições em Portugal que dariam o mandato até 2030 – as presidenciais de 2026; desenvolver politicamente e narrativamente a luta contra o imperialismo fóssil, dado o escalamento de ataques imperialistas na procura de mais combustíveis fósseis.
Depois de Portugal ter sido atingido pelas tempestades fatais no início do ano, ficou evidente na opinião pública a presença e efeitos da crise climática. Contudo, ficaram invisibilizado os culpados e a necessidade de travar os piores cenários. Como resposta simultânea ao derrotismo (“já não podemos fazer nada”), à falta de informação (“não é assim tão mau”), e às preocupações levantadas pelos estudantes e profissionais de saúde nas conversas diretas, lançámos a semana de ações e manifestação “Luta pelo Futuro” a acontecer em Maio. Apostámos em ações diretas disruptivas que procuraram visibilizar que, se não acabarmos com os combustíveis fósseis até 2030, vamos ter catástrofes constantes, a guerra vai escalar exponencialmente, deixaremos de ter acesso a alimentação digna e a condições de saúde e vida. Apesar de algumas ações terem tido grande alcance e provocado debate público (nomeadamente a ação de redistribuição de comida das grandes superfícies), falhámos em centrar esse debate em crise climática e na reivindicação do fim aos combustíveis fósseis até 2030.
Ao mesmo tempo que mobilizámos pessoas para agir, explorámos o trabalho de organizar os diferentes sectores. A nível estudantil, apoiámos a Greve Climática Estudantil, permitindo-lhe crescer a nível de recrutamento e capacitação interna. No trabalho desenvolvido com os professores, focámo-nos nas escolas onde existiam núcleos ou estudantes de fim ao fóssil, de forma a criar uma plataforma de trabalho comum. Foram assim criados grupos de trabalho de professores pelo Fim ao Fóssil em 3 escolas diferentes, realizadas 3 assembleias gerais entre professores, e realizado um trabalho conjunto com os estudantes de momentos formativos nas aulas e escolas (palestras, conversas nas aulas e sessões de cinema). Com este processo, concluímos que a organização e agitação de professores tem mais frutos quando ocorre numa escola onde já há estudantes organizados e são estes que estão a puxar pelos professores. Por sua vez, o trabalho desenvolvido com os profissionais de saúde focou-se na exploração de caminhos possíveis, desde explorar possibilidades de organizar no local de trabalho e por unidade de saúde, ao desenvolvimento de uma comunicação comum sobre saúde e combustíveis fósseis. Concluímos que há algum potencial na ligação entre saúde e calor e na existência de uma comunicação própria de profissionais de saúde no sentido da mitigação como única forma de proteger a vida.
De forma geral, a campanha Fim ao Fóssil permitiu uma unidade e participação conjunta em diversas manifestações em Portugal, unir esforços internos para a capacidade comunicativa e legal, e capacitar novas organizadoras para o movimento de justiça climática.
Hoje contamos com um movimento estudantil mais capaz e conectado a uma rede de professores em apoio ativo e com a possibilidade de um novo grupo de profissionais de saúde como parte do movimento.
Quebrar em Caso de Emergência Climática
Ao mesmo tempo, dedicámo-nos à escrita de um livro coletivo, a convite da editora Tigre de Papel. Em Junho finalmente lançámos o Quebrar em Caso de Emergência Climática. Este é um manifesto-testemunho escrito a várias mãos que apresenta e consolida publicamente a nossa análise coletiva da crise climática como um ato de violência extrema, premeditado e coordenado pelas elites políticas, económicas e financeiras do capitalismo contra a vida neste planeta. O livro, que não escondemos ser uma ferramenta de recrutamos para a luta, apresenta a todas as leitoras a proposta que todos os anos fazemos a nós mesmas e que convosco partilhamos no texto que anualmente publicamos – a Declaração de Estado de Emergência Climática. Uma proposta de tomada de responsabilidade por mudar tudo antes que seja tarde de mais, de honestidade e ambição, de assumir compromissos em conformidade com o estado em que estamos. A proposta que o livro apresenta a todas as pessoas e coletivos é por isso também um desafio permanente para nós, que agora mais uma vez, resulta neste texto público.
O livro foi lançado na Feira do Livro de Lisboa, e já foi apresentado também na Tigre de Papel, em Lisboa, e em Faro, Portimão, Porto, Leiria, Setúbal e no Barreiro. Queremos ainda abrir esta conversa e chegar a muitas mais pessoas e mais locais com este livro.
Presentes e atentas aos movimentos sociais em Portugal
Este ano participámos ativamente nas manifestações dos movimentos sociais – das duas Greves Gerais, as manifestações contra o Pacote Laboral, ao 8 de Março, manifestações convocadas pela plataforma Casa para Viver, grandes manifestações pelo fim do genocídio do povo Palestiniano, em luta por justiça pelo assassinato do Odair Moniz, contra as injustiças perpetuadas pelo sistema prisional português, a Marcha pela Vida Independente, ou aquelas contra os ataques imperialistas contra o Irão, Cuba e Venezuela e contra a cumplicidade do governo português nelas. Participámos igualmente nas manifestações contra os mega projectos de paneis solares.
Pela primeira vez organizámos em conjunto com o movimento de habitação a Reunião da plataforma European Housing Action Days, que ocorreu em Lisboa no final do ano. Esta reunião, que ocorre 2 vezes por ano, em uma das cidades da Europa, tinha como objetivo concreto juntar o movimento climático e o movimento de habitação num único espaço para se trabalhar na interligação destas 2 lutas. Este desafio que nos foi colocado pela Habita permitiu um estreitamento de relações entre nós e o movimento da habitação em Portugal. Também possibilitou a criação de um espaço e tempo para discussões estratégicas profundas sobre como a luta pela habitação é afetada pela crise climática, como precisamos de abrigos que aguentem as intempéries e de como não é possível garantir habitação para todas as pessoas se não pararmos os combustíveis fósseis.
Estivemos também ativas nos diferentes espaços de articulação nacional entre os coletivos dos movimentos sociais, mostrando-nos úteis, trazendo pensamento estratégico e desenvolvendo debates internacionais. É de notar que a ausência de uma espaço de articulação do movimento de justiça climática e ambiental, como o Encontro Nacional pela Justiça Climática, foi sinalizada por diferentes grupos ambientais.
Construir um movimento internacional para ganhar
Tínhamos o compromisso de revitalizar o movimento na Europa, contrariando a desistência generalizada de travar a crise climática, transferindo o foco para a adaptação. Neste sentido, tivemos diversas conversas com organizações europeias sobre como revitalizar o movimento. Utilizámos o ímpeto da Reunião da plataforma European Housing Action Days para trazer diferentes grupos que estavam a trabalhar nos sintomas da crise climática e a apostar em organização de base para compreender o que poderia ser um plano a nível Europeu contra os sintomas. Este esforço não deu frutos. Focámo-nos então na presença ativa nas diversas plataformas europeias que identificamos como ter potencial para revitalizar o movimento anti-capitalista e/ou climático na Europa. Assim, participámos ativamente na plataforma “Peoples’ Platform Europe”; juntámo-nos à plataforma “Stop Rearm Europe”; e estivemos atentas e a trazer uma perspetiva anti-capitalista em conversas com diversos grupos do movimento climático sobre “e agora?”. Para além disso, organizámos também a ida a vários acampamentos e conferências internacionais.
A nível global, como nos comprometemos, estivemos atentas a novos espaços internacionais e a propostas que deles surgissem. Assim integrámo-nos no Peoples Want com curiosidade e expectantes dado o potencial do espaço; participámos nos Encontros Ecossocialistas Internacionais em Bruxelas, nos II Encontros Ecossocialistas Latino-americano e Caribenho no Brasil, no Encontro anticapitalista pelo clima e pelo fim dos genocídios no Brasil e estivemos presentes na Cúpula dos Povos em Belém. Nesta última assistimos ao lançamento do novo Movimento Internacional de Pessoas Afetadas por Barragens, Crimes Ambientais e a Crise Climática, fruto de um encontro internacional de vários dias interno ao Movimento de Afetados por Barragens (a nível do Brasil, da América Latina, e com várias delegações da África, Europa e Oceânia) e que contou com centenas de pessoas. Celebramos o facto de nos termos deparado com este e outros espaços internacionais, que não sabíamos que existiam, mas de alto interesse e potencial. Continuaremos atentas a eles para os conhecer melhor e entendermos como podemos ser úteis neles.
Olhando para trás para fazer melhor
Fizemos tudo o que conseguíamos e o que conseguimos foi pouco. Dentro de tudo o que fizemos e tentámos, identificamos 3 grandes falhas que queremos colmatar.
Nos meses seguintes a lançarmos as novas medidas da Declaração de Estado de Emergência Climática, em Setembro de 2025, ocorreram as grandes mobilizações em redor da Flotilla para a Palestina; assistimos à tentativa de passar medidas surreais de ataque direto às pessoas migrantes e racializadas – em particular com as leis em redor da nacionalidade e ao aumento da violência policial –; às mulheres – em particular nos direitos reprodutivos –; aos trabalhadores – com um pacote laboral ao nível do século XIX –; ao desmantelamento programado do SNS; assistimos também à invasão da Venezuela, ataques a Cuba e Irão, entre muitos outros ataques imperialistas. Para além de tudo isto, assistimos em Portugal a um comboio de tempestades que destruiu o centro de Portugal, como se dezenas de bombas tivessem caído na zona de Leiria, Ourém, Alcácer do Sal, entre outras localidades. A realidade, cada vez mais caótica, forçou-nos a enfrentar a nossa dificuldade em nos adaptar rapidamente. Percebemos assim que perdemos os nossos músculos de flexibilidade e que precisamos duma forma estrutural de conseguir responder de forma mais ágil e inteligente à atualidade volátil.
Fazer um grande investimento em organizar bases sem saber a priori como o fazer significou todas nós termos de mudar qualitativamente as tarefas que estávamos a fazer. Não conseguimos dar esse salto. Muitas de nós não colocaram trabalho nesta transformação, ficando assim sem conseguir executar e avançar com as tarefas à sua frente. Tal criou uma grande diferença de participação entre quem fez um grande investimento em aprender novas competências e adquirir novos conhecimentos e quem não o fez. Identificamos a dificuldade de ter tarefas adequadas que permitem diferentes níveis de envolvimento interno, tal como a integração de novas pessoas.
Por fim, o facto de termos estado em modo exploratório em diferentes áreas e não termos uma estratégia unificadora levou-nos a uma dispersão, em dois sentidos: estratégico (falta de direção) e organizativo (dispersão de recursos e diluição de forças). Em janeiro de 2026 tomámos como tarefa encontrar uma coesão organizativa e coerência estratégica que nos permitisse organizar a base do movimento mantendo o ritmo de urgência, crescendo em números e organizadoras, garantindo uma presença disruptiva e flexibilidade de atuação.
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Temos menos de 4 anos à nossa frente. Temos de aprender mais e melhor. Poderás encontrar na novas medidas de declaração de emergência climática os próximos passos para executarmos a tarefa histórica que é travar a crise climática. Sabemos que sem ti não a vamos conseguir executar.